terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Meia-Noite em Paris | Crítica Cinema | Omelete

Meia-Noite em Paris Crítica Cinema Omelete

Já tinha ouvido falar muito deste filme. Na ocasião em que passou no cinema, não fui ver. Nem lembro porquê. Enfim, aluguei e vi. Gostei muito.

Woody Allen é repetitivo, excêntrico e egocêntrico.O personagem principal das suas obras é sempre ele mesmo. Porém, nesse filme, ele se reinventa, embora continue se repetindo. O cenário muda. De Nova Iorque para Paris. Contudo, o noivo neurótico e a noiva nervosa lá estão. A crítica ácida a classe média americana lá está. O pedante, a família, a cidade... estão todos lá.

Os primeiros cinco minutos são um desfile de ruas, pontes, avenidas, cafés... Não há uma só palavra. Só música e belas cenas. Um passeio pela Cidade Luz. Lindo. Paga o filme.

Não vou contar mais nada. Confira. Vale a pena. Assista legendado para curtir o sotaque dos personagens e aproveite bem o passeio por Paris.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Reflexões sobre o Natal

O Natal não é uma festa cristã, do jeito que celebramos hoje. Existiam festas pagãs com ceias e trocas de presentes antes do nascimento de Cristo, muito parecidas com nossos ritos atuais. Há até quem diga que Cristo não nasceu em dezembro e sim em abril. Seria então ariano ou taurino e não sagitariano. E teria morrido próximo a data do seu aniversário de 33 anos, também em abril.

Por que o Natal se reduziu a pinheiros, presentes e papais-noéis? Por que esse desejo coletivo incontrolável por i-pods, i-pads, i-pigs e outros ais?...Em janeiro, vira tudo um ai-meu-deus-como-vou-pagar-o-cartão?
Está bem, mas o Natal também é uma festa família. As pessoas se reúnem ao redor da mesa. Muitas vezes pela primeira e única vez no ano. E que seja. Antes isso do que nem isso.

Normalmente ficamos mais sensíveis, mais solidários, mais generosos. Também ficamos mais estressados, mais comilões, beberrões e perdulários... Fazer o quê? Como resistir?

Esta semana uma professora de Yoga me questionou sobre o sentido do Natal. Passei os dias seguintes refletindo sobre o que ela me disse. Afinal, por que damos presentes massificados e industrializados? Por que não damos mais cartões escritos a mão e peças de artesanato feitas por nós mesmos? Um potinho de geléia decorado com um lacinho ou um sabonete pintado a mão? Por que complicamos o que deveria ser tão simples?

Não deu tempo de refazer meus presentes, mas decidi não comprar árvore de natal este ano. Afinal, moro no nordeste Brasil. Aqui não tem pinheiro! Nem neve! Vi um de verdade num supermercado e quase comprei. Mas quando cheguei perto, achei-o tão frio, tão feio e tão agressivo. O pinheiro de natal tem espinhos! Como pode? Quero uma árvore que me abrace e acalente e não que me agrida!

Mas,  como gosto de enfeitar a casa para o Natal, acabei comprando uma planta. Muito bonitinha até. Enchi minha plantinha de bolas coloridas, com a ajuda das pessoas queridas que Deus pôs no meu caminho. Ficaram lindas! Estão parecendo laranjas psicodélicas. Adorei!

Havia árvore de natal no estábulo em que Jesus nasceu? Certamente não. Tampouco havia bolas coloridas, faixas e pinheiros. Havia só a luz da Lua, que imagino cheia. As estrelas no céu e os pastores na terra. Ovelhas, bois, vacas e pessoas de boa vontade.

Havia os três Reis Magos. Somente esses deram presentes ao menino-Deus. Ouro, incenso e mirra. Cada um deles ofereceu o que tinha de melhor. Esse deveria ser o sentido do Natal.

Seria bom voltar a simplicidade. Seria possível? Sugiro fazer um Natal mais calmo. Menos presentes, mais abraços. Troquemos os presentes por um novo futuro. O desperdício pela solidariedade. A correria pela Paz! O falatório pelo diálogo. Ao invés de comer e beber até cair, assistir ao nascimento do Sol e agradecer ao Divino pela maravilhosa experiência que é viver.
Feliz Natal para todos! Feliz Celebração da Vida! Feliz Renascimento da Esperança!




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Minha relação com o futebol

Tudo começou em 1978 - Copa do Mundo da Argentina. Primeiro jogo que eu assisti.
Tínhamos uma TV pequena, preto-e-branco. Minha mãe estava de folga e me ensinava o que era futebol e o que era aquela paixão insana que o brasileiro tem pela Copa do Mundo.

Para mim, todos os jogadores eram iguais. Em preto-e-branco era dificil discernir quem era quem. O Brasil jogou de amarelo e a Suécia, de azul. Mas isso eu só descobri no You Tube. Muitos anos depois.

Minha mãe me explicou que 'Gol" era quando a bola entrava naquela rede quadrada que era defendida por um cara chamado goleiro. Cada time tinha um goleiro. Se a bola entrasse no gol da Suécia, era para gritar um GOOOOOOOOOOOOOOOOOL bem alto, porque o gol era na verdade, do Brasil! Achei meio confuso, mas tudo bem.

Saiu o primeiro gol. Eu gritei. GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!
-NÃO, menina!!!! Foi gol da Suécia!!!!
- Ih!!! Desculpe.......

No finalzinho do primeiro tempo, o Brasil fez um gol. Aí eu não comemorei. Fiquei com medo de errar. Minha mãe se esgoelou até ficar rouca e eu não entendi mais nada.... Ela ainda brigou comigo, dizendo que eu estava torcendo para o inimigo!

Anos se passaram. Minha mãe trocou de time. Antes, era botafoguense como o resto da família. Virou flamenguista quando trocou de marido. Era uma pressão danada. Eu tinha que ser botafoguense porque toda a família era. Pai, tios, avós...Mas alvinegros não eram autorizados lá em casa. Como nunca gostei de confusão, preferi virar torcedora apenas em copas do Mundo.

Eram acontecimentos! Enfeitávamos a rua. As casas ficavam cheias de bandeirinhas. Tinha concurso entre as ruas de Guadalupe (bairro da periferia do Rio) para ver quem eram os vizinhos mais criativos.  Em 1986 o pintor da nossa rua desenhou o laranjito no asfalto. Ficou lindo!

Desde 1978, não perco uma Copa. Agora sei onde é o gol que o Brasil tem que atacar. Sei o que o juiz faz e sei até discernir se o bandeirinha apontou um impedimento corretamente ou não! Ainda não sei a diferença entre Volante e Atacante, nem decoro a escalação do meu time, mas estou progredindo!

Quando meu filho cresceu, decidiu ser vascaíno. Foi outra polêmica! A essa altura, todo o núcleo familiar era flamenguista. Exceto eu, que permanecia neutra. Mas achava o uniforme do Vasco lindo!

Lá pelos anos dois mil e qualquer coisa, conheci um tal de Rogério Ceni. Um goleiro artilheiro do São Paulo. Pronto! Decidi! Sou Sãopaulina desde criancinha! Torci pelo São Paulo por uns dois campeonatos. Até hoje, continua sendo meu segundo time do coração.

Para acompanhar meu filho e participar um pouco mais da vida dele, decidi ser vascaína. Aprendi finalmente a ser torcedora. Sofro, choro e rôo as unhas. Grito até ficar rouca e xingo o juiz, que afinal, é sempre ladrão...

Domingo que vem é a final do Campeonato Brasileiro. O Vasco vai jogar contra o Flamengo, mas na verdade tem que ganhar do Corinthians... Da mídia, dos cartolas e dos juízes ladrões... Difícil explicar isso!

Vai ser o jogo do século. Se o Corinthians ganhar o campeonato, nenhuma surpresa. Terá feito sua obrigação, já que tem o apoio de todas as estrelas do céu e de todos os deuses do Olimpo. Mesmo assim, o Vasco terá sido o time mais guerreiro do campeonato.

Se o Vasco ganhar.... Aí, meu irmão, faremos história. Será uma grande lição de amor a camisa.
Vamos torcer!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

2011 - um ano para se lembrar

Oh ano difícil!!!


O ano começou com muito trabalho e boas promessas. Eu regressei das férias tão feliz!! Tinha passado festas maravilhosas com meus amigos e e meu filho. Os meses passavam alegremente. Um projeto novo que eu havia começado em conjunto com uma equipe maravilhosa estava dando frutos. Tudo estava indo bem....

De repente, o tempo virou. Até agora me pergunto que tsunami foi aquele que me atropelou. Tomei um caldo daqueles!!!!

Lá pelo meio do ano, tudo virou de cabeça para baixo e me vi de volta ao mercado. Apesar dos solavancos, as coisas se resolveram pacificamente. Emprego novo, novos e antigos amigos. Equipe nova. Gente boa, de bom coração e de boa vontade.

De quebra, um namorado novo porque Deus sabe o que faz! Dessa vez eu não conseguiria sozinha. Não mesmo!! As vezes acho que meu anjo da guarda virou gente e resolveu namorar comigo!

Agradeço a Deus todos os dias pelas pessoas maravilhosas que descobri este ano.

Nesses meses todos aprendi muito. Aprendi que sozinhos não vamos muito longe. Que preservar bons amigos é uma arte e uma necessidade. Que vale a pena preservar seus valores. Que vale a pena ser decente e tratar as pessoas com respeito.

Reinventei a mim mesma e voltei a fazer a mesma pergunta dos tempos da faculdade. Será que estou no caminho certo? Alguém me havia dito para desistir. Que o caminho era difícil demais... Que não era para mim!

Acabei usando o conselho como estímulo para seguir em frente. Fiz matrícula em dois cursos de especialização ao mesmo tempo. Joguei-me no trabalho com afinco. Estou ralando como nunca!! Mas, a cada dia que passa percebo que estou no meu lugar. É o que gosto de fazer! É o que sei fazer! É o que faço bem! Que ninguém se atreva a dizer o contrário!

Aprendi a acreditar mais em mim mesma e a ter ainda mais coragem.

O ano ainda não acabou, mas já posso refletir sobre ele. Muitas coisas difíceis aconteceram. Nos momentos mais escuros, me guiei pelo brilho nos olhos de amigos verdadeiros. Amigos pelos quais eu dou a camisa, o sangue e a vida, porque eles fariam isso por mim.

Eu sofri um belo golpe no orgulho. Sempre me achei auto-suficiente e nunca gostei de pedir ajuda. Aprendi como é gostoso ser ajudado e como dá prazer segurar a mão de alguém para atravessar a rua. Os carros quase me atropelaram, mas em todo o tempo, tive alguém para me alertar. Segurar meu ímpeto ou empurrar meu desânimo.

Alguém para gritar comigo quando eu estava afundando, me lembrando de que sou feita de madeira boa e que não me deixasse quebrar.
Alguém para me abraçar e me deixar chorar baixinho, sem me criticar e sem perguntar nada.
Alguém para me desafiar e me mandar seguir em frente. Sim!!! Eu também aprendi a receber ordens.
Alguém para me guiar e me ensinar. Sim!! Aprendi que ainda tenho muito o que aprender.
Alguém para ir comigo ao médico e ainda se preocupar se tomei ou não os remédio.
Alguém para tomar capuccino e dar risada. Falar sobre nada e lembrar de sorrir.
Alguém para me lembrar que não fiz as unhas e que preciso cuidar mais de mim.

Pois é!! Obrigada a todos esses alguéns! O que seria de mim sem vocês?

Dedico esse texto a todos esses bons amigos e também aos não tão amigos assim. A gente aprende com todos. Sempre!!

Feliz 2012!!!! Até porque... acho que 2011 já tá bom de terminar! Já chega, né?

domingo, 20 de novembro de 2011

Saudades do meu blog

Estava há dias querendo escrever no meu  blog. Imaginava textos engraçados, reflexivos, introspectivos. Piadas, poemas, crônicas... Enfim, eu era uma profusão de criatividade.
Aí, eis que me sobrou um tempinho... Escrevo enquanto espero o início da aula de ergonomia... Só esqueci de combinar com o lado direito do meu cérebro. Tenho o tempo, tenho o recurso, mas as ideias.... não chegaram ainda.

Tudo bem, ideias... Fiquem aí onde estão. Ainda posso contar com meu outro lado. Matemático, pragmático, racional e óbvio.

Queria agora uma enorme xícara de capuccino. Uma poltrona do Frans Café e talvez um bolinho. Isso me deixaria feliz.

Mas na realidade dura e fria desta sala existe uma professora dedicada e pontual que está aflita porque metade da turma ainda não chegou. Uma aluna que ainda se estapeia com a lista de Estatística, que é para entregar hoje e eu.... Que já fiz a lista e procuro dentro de mim um motivo para não ir para casa agora mesmo!

De novo, meu lado esquerdo cerebral me lembra que fui eu quem escolhi fazer este curso. Que o curso é bom e os professores ótimos. Que isso está sendo bom para minha cabeça e para o meu trabalho e que investir em mim é o melhor negócio. Aí me lembro que quando começo algo, raramente largo pela metade. Que tenho uma compulsão febril por concluir as coisas e por fazê-lo da melhor forma possível. Que gosto muito de estudar.

Estou cansada. Bem cansada. A aula já começou. Agora vou estudar, que é melhor.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Hoy es una mujer que se da cuenta de su alma

A primeira vez que ouvi essa canção foi num cd que ganhei de presente de um amigo muito querido. Passou a ser um dos meus temas. É ótima para ouvir naqueles dias em que estamos precisando de uma injeção de auto-estima. Enquanto tomas um café com suas amigas, presta atenção na letra e ouve a música.
Clipe - Ella (Bebe)

Ella

(Bebe)
Ella se ha cansado de tirar la toalla
Se va quitando poco a poco telarañas
No ha dormido esta noche
Pero no está cansada
No miró a ningún espejo
Pero se siente toa guapa

Hoy ella se ha puesto color en las pestañas
Hoy le gusta su sonrisa
No se siente una extraña
Hoy sueña lo que quiere sin preocuparse por nada
Hoy es una mujer que se da cuenta de su alma

Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
Que nadie puede hacerte daño
Nadie puede hacerte daño
Hoy vas a comprender que el miedo
Se puede romper con un solo portazo

Hoy vas a hacer reír porque tus ojos
Se han cansado de ser llanto, de ser llanto
Hoy vas a conseguir reírte hasta de ti
Y ver que lo haz logrado
Hoy vas a ser la mujer que te dé la gana de ser
Hoy te vas a querer
Como nadie te ha sabido querer
Hoy vas a mirar pa'lante
Que pa atrás ya te dolió bastante

Una mujer valiente, una mujer sonriente
Mira como pasa
Hoy no ha sido la mujer perfecta
Que esperaban a rotos sin pudores
Las reglas marcadas
Hoy ha calzado tacones para hacer sonar sus pasos
Hoy sabe que su vida nunca más será un fracaso
Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
Que nadie puede hacerte daño
Nadie puede hacerte daño
Hoy vas conquistar el cielo
Sin mirar lo alto que queda del suelo

Hoy vas a ser feliz aúnque el invierno sea frío
Y sea largo, y sea largo
Hoy vas a conseguir reírte hasta de ti
Y ver que lo haz logrado

Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
Que nadie puede hacerte daño
Nadie puede hacerte daño
Hoy vas a comprender que el miedo
Se puede romper con un solo portazo

Hoy vas a hacer reír porque tus ojos
Se han cansado de ser llanto, de ser llanto
Hoy vas a conseguir reírte hasta de ti
Y ver que lo haz logrado

domingo, 24 de julho de 2011

A roda da fortuna e os ciclos da vida

Sempre que pensamos em fortuna, lembramos de riqueza. João ganhou uma fortuna na mega sena. Esse carro vai me custar uma fortuna.


Na realidade, Fortuna é uma deusa romana. A carta do tarot: “A roda da fortuna” faz menção a ela. O que é fortuna, afinal? É o destino. Por alguns, chamado de sorte. Um mito criado pelo homem para explicar os reveses da vida.

A roda da fortuna é um círculo que não para de girar. Um dia estamos em cima, no outro estamos em baixo. Um dia estamos ricos, no outro pobres. Um dia temos saúde, no outro não. Um dia temos amigos, no outro, estamos sós. Um dia temos certas prioridades, no outro elas não parecem mais tão importantes. Só a nossa essência se preserva.

O melhor lugar para se estar é no centro da roda. O centro é estável. É a casa da essência do ser. Não muda, não gira. A partir do centro se tem uma perspectiva melhor do que se passa. Não sentimos a turbulência e ao mesmo tempo, podemos ver a roda girar. Podemos ver as mudanças sem ser afetados por elas. É o caminho do meio, a maturidade, a máxima sabedoria que só se alcança após girar várias e várias vezes.

Não é possível estar sempre no centro da roda. No entorno está toda a violência da mudança. É como andar numa montanha russa. Tem que ter fôlego.

O senso comum sempre ensina a não se embriagar no êxtase da boa sorte e não se abater demais nas fases de vacas magras. “Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.” Mais uma expressão inspirada na roda da fortuna. Ou seja, permaneça no centro do círculo e tenha calma. Todas as fases passam. Todas mesmo!

Comecei a escrever esse texto após refletir muito sobre os ciclos da vida. Os altos e baixos sempre fizeram e sempre farão parte da vida de todos nós. Com o tempo, eles não nos surpreendem mais. Não tenho mais a efusividade da minha adolescência, nem caio em depressão quando a roda me mergulha no fundo dos problemas. Sei que após um ciclo difícil, chega um outro venturoso. Após a doença, vem a saúde. Após a tempestade, vem sempre um lindo dia.

Porém, não dá para ser Pollyana o tempo todo. É preciso refletir sobre esses ciclos. Eles não devem se repetir. A vida deve ser uma espiral ascendente, não um círculo vicioso. Se há algo que sempre se repete do mesmo jeito, é por que não aprendemos nossa lição ainda. Se, contudo, a roda gira e em sua rota avança, então tudo está bem. Você está progredindo.

Esses dias descobri que a belíssima Carmina Burana, do compositor alemão Carl Orff, nada mais é que um conjunto de poemas do século XIII que ele transformou em ópera. O meu trecho favorito trata da nossa heroina, a Fortuna, e se chama “Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmina_burana).

Eu o convido a ouvir o trecho da ópera e refletir sobre os ciclos da sua vida. Estamos avançando ou estacionamos no tempo e no espaço?
Carmina Burana - Fortuna
Carmina_burana
 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Liderança na prática

Afinal, o que é liderar? Inspirar, apoiar, monitorar, corrigir e reconhecer. É não ser perfeito e reconhecer isso. É ser... humano.

Parece simples, mas não é! Admitir um erro, mudar de rota, dar a mão e dar a bronca. Acertar a justa medida do amor e da disciplina. Ficar bravo, sorrir, chorar, vibrar, brigar, fazer silêncio. Tudo isso em benefício do outro. Sem necessariamente esperar retorno para si. Todo pai e mãe sabe do que estou falando. Os bons professores também.

No fundo todos somos líderes em algum momento da vida. Escolher fazer isso direito é que faz toda a diferença. Então? Que escolha estamos fazendo?
Every man must decide whether he will walk in the light of creative altruism or in the darkness of destructive selfishness. Life's most persistent and urgent question is, 'What are you doing for others?' .” (Martin Luther King Jr.)



 
Se nós líderes entendêssemos como somos capazes de impactar na vida dos nossos liderados, será que pensaríamos um pouco mais antes de agir? Será que seríamos mais humanos?

Pais e mães são líderes, sem nunca ter recebido treinamento para isso. Sem ter muita certeza se estão fazendo o que é certo. A boa notícia é que, de acordo com a Coca-Cola, os bons são a maioria. Isso significa que a maior parte dos pais conseguiu formar bem seus filhos. Nesse caso, os maus líderes são a exceção, não a regra... Hummmm. Isso me parece bom! Não gosto de Coca-Cola, mas confesso que a sacada é genial.

A humanidade produz de vez em quando alguns líderes dignos do título. E a maior razão da existência deles é ensinar. A quem? A nós, pobres mortais. O quê? Um pouco de humanidade.

Então...Só nos resta aprender...
“The ultimate measure of a man is not where he stands in moments of comfort and convenience, but where he stands at times of challenge and controversy.” Martin Luther King Jr., Strength to Love, 1963



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sexta-feira, 3 de junho de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

O que é que você tem na cabeça, menina?

O que é que você tem na cabeça, menina?

Passaste toda a vida a esperar o cavaleiro de copas. Aquele que abre a porta do carro, lava a louça do café e se preocupa porque a instalação elétrica da sua casa não vai bem.
Sonhava com um ser que não fosse um canalha, que não olhasse para o lado e que fizesse de você o centro do universo.
Pensava em alguém maduro, tranquilo e que não sendo rico, se bastasse. Alguém que amasse o pé no chão, o cheiro de lama e o som do interior.
Aí o cavaleiro de copas aporta em sua casa, desce do cavalo e lhe estende a mão.
Aí você assustada, se fecha em copas e se tranca no armário. O mesmo armário que está tentando desmontar há tantos anos.
Afinal, o que é que você tem na cabeça, menina?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Octavio - não vá para Paris!

Octavio Augusto de Ceva Antunes – Conde de Ceva

Quando o conheci era o louco e o gênio. Também era nobre. Vinha de uma linhagem de Condes.
Admirado por muitos, respeitado por todos e detestado por alguns. Procurava eu um orientador para minha dissertação de mestrado. Era eu idealista. Queria usar meus conhecimentos de Química em favor da Sociedade. Cumprir com o Juramento do Químico que eu de coração e alma conduzira na formatura da turma de 1994-1 em janeiro de 1998.
Aconselhada por conhecidos, marquei uma entrevista com o famoso Prof. Octavio. Soube que ele liderava uma pesquisa em busca da cura para a AIDS. Achei perfeito! Estudei tudo o que pude sobre o trabalho dele e agendei a entrevista.
A primeira coisa que ele me disse, antes mesmo do bom dia foi: Quem é essa morena linda, com esse batom tão atraente? Eu usava um batom vermelho e um vestido florido. Fiquei da cor do batom e pensei: Galante esse orientador. Acho que vou sair correndo...
Mas não o fiz. Entrei e a entrevista correu bastante descontraída. Cinquenta palavrões e dois maços de cigarros depois eu era virtualmente aluna do Octavio. Fiquei impressionada com a inteligência daquele homem. Fiquei inebriada com a possibilidade de fazer parte de algo realmente importante.
LABCAT 641. Amigos, chopps as sextas-feiras, Kibe do Nelson. Noites viradas, toneladas de artigos para ler, sábados e domingos solitários no IQ-UFRJ. Congressos, viagens e resenhas. E Patrícia. Inteligentíssima, linda, divertida. Minha amiga de muitas risadas, longas horas de reações e análises que não davam certo. Conselheira de cromatografia. Parceira no pileque de vinho que tomamos juntas no Congresso da SBQ de Poços de Caldas. Cúmplice das noites viradas e manhãs de óculos escuros nas palestras do X BMIQ lá em Floripa. Patrícia só dormia com a TV ligada. Eu... falava dormindo e detestava o barulho da TV. Que dupla nós fizemos!
Patrícia terminou o mestrado dela em um ano e meio. Quanto a mim... Bem, obviamente que não descobri a cura da AIDS! Quase dois anos de trabalho e não consegui sintetizar o aminoácido que eu queria. Ele deveria ter sido o tijolo essencial de uma enzima, chamada HIV-Protease. Um capricho dos mecanismos de reação e voilá... Sintetizei uma allilamina. Meu co-orientador vira-se para mim e diz: Well...E daí?
Lembro do Octavio me dizendo - A menos que você encontre uma aplicação para essa merda aí, não terá dissertação. Terá que começar tudo de novo.

Pesquisando daqui e dali, achei uma aplicação. Até que não era tão merdelítico assim. Meu composto era análogo ao princípio ativo de um antifúngico. Poderia ser útil a Sociedade, afterall...
Feliz por não ter que começar do zero e um pouco frustrada. Tive a sensação de ficar novamente nos bastidores, jamais conseguindo subir ao palco principal. Esse parece ser o destino. Está até no meu mapa astral. Não nasci para ser comissão de frente. Mas também não me faço de rogada. Não tem carnaval sem carnavalesco. Nem carro alegórico sem motorista, afinal de contas!

Dissertação defendida e um convite para ir para Maringá - PR. Octavio me escolhera para um projeto envolvendo Química Verde. Um sonho. Mas, de novo o destino virou o leme da minha vida e vim parar na Bahia.
Lembro do orgulho do Octavio quando soube onde eu iria trabalhar. Lembro dos seus valiosos conselhos. Lembro de como me descreveu com precisão o mundo corporativo, as grandes empresas e o que se espera de quem trabalha nelas.
Enquanto isso, quis o destino que Patrícia e Octavio se apaixonassem. Foi tão natural e delicado que não houve espanto. Não muito tempo depois, se casaram e tiveram um menino. Octavio então já era pai de duas belas moças. O menino viria a completar sua vida e a de Patrícia.
A cerveja, o cigarro e até os palavrões (ao menos parte deles) ficaram para trás. Patrícia chegou para inspirar Octavio e fazê-lo esperar mais da vida. Dois infartos. Duas impressionantes recuperações. Um filho. Sucesso profissional para ambos. Tudo estava indo muito bem.
Um convite para um evento de trabalho em Paris. E Patrícia com aquela sua mania de sempre acompanhar o marido em todas as suas viagens. Que orgulho tinha ela dele. E não era para menos. Eu já me emocionei vendo-o apresentar uma palestra sobre HIV. Ele era apaixonado por esse vírus. Dedicou anos de pesquisa. Ele era como o Prof Xavier. E o HIV, como Magneto. Um oponente, sem dúvida. Mas algo para se admirar. Na tela, aparecia a imagem em 3D do vírus. No palco, Octavio dissertando. Essa estrutura é linda e cruel. Ela me desafia. E é para ela que dedico essa palestra. Era mais ou menos assim que iniciava suas apresentações.
31 de maio de 2009. Assisto o jornal Nacional. O boing 737 da Air France, vôo AF-447 caiu no Oceano Atlântico, na metade do caminho entre o Rio de Janeiro e Paris. Havia brasileiros a bordo. Desligo a TV e vou dormir pensando. Mais uma tragédia. Terá sido falha humana? Terá sido mau tempo? Vou dormir.

01 de junho. Mensagens no Orkut. No e-mail. No celular. Amigos me ligam. Octavio estava lá. No AF-447. Num lampejo egoísta, primeiro nego a informação. Quem sabe ele perdeu o avião! Não! Amigos se despediram dele no aeroporto. Quem sabe Patrícia não foi? Não! Ela nunca o deixa viajar só. Quem sabe o menino ficou? Não, Lucy! Não! Estavam todos a bordo. Os três! Felizes e ansiosos para chegar.

Aí pensei na injustiça da vida. Logo agora que eles estavam tão felizes. Chorei. Meus amigos choraram. Choveram mensagens. Desejei que ao menos Patrícia tivesse ficado. Que egoísta que fui! Se ela estivesse aqui seria mais uma viúva da Air France, lutando pelo direito sagrado de sepultar seu marido. Eles se foram. Todos nós ficamos órfãos.

Quase dois anos. Desejo que vocês três estejam bem. Que tenham conseguido se encontrar do outro lado. Que estejam juntos e felizes. Fico imaginando vocês três sentados juntos. O bebê no meio. Patrícia, como sempre maternal, segurando a mãozinha do menino, para que não tenha medo. Ela mesma com muito medo. Patrícia tinha pânico de andar de elevador. Quem dirá de avião. Octavio, o cético, já poderia prever o pior, mas não tinha medo. Ou iria para o céu católico ou iria para o cosmos químico. No fim, tudo tende ao equilíbrio.

Imagino a dor que sentiram. O medo e o frio. Imagino suas almas atordoadas procurando uns aos outros sem entender o que se passava. O mar. Faz frio aqui. Não consigo soltar o cinto. Mamãe, estou com medo. Me dá a sua mão.... Está tudo bem agora, queridos. Vocês estão bem. Nós todos sentimos muitas saudades. Tenho muito orgulho de ter conhecido seres humanos tão ilustres. Tão especiais.

Sejam felizes e olhem por nós.

Octavio – ainda não descobrimos a cura. Aquela combinação de proteínas linda e cruel continua a assolar a humanidade. Talvez você possa inspirar novos pesquisadores. Idealistas como você.

Patrícia – Sua disciplina, coragem, determinação e suavidade são exemplos. A ANVISA não terá outras condessas. Descanse em paz. Mulher de Octavio, Condessa de Ceva, mãe de Matheus e amiga de todos nós.

Dedico este texto a todos os amigos do LAB 641.

Três mulheres no café

Numa mesa de café se sentam três jovens senhoras. Uma, recém separada ainda rumina as reminiscências de seu último amor. Por que dói tanto quebrar, se dói mais ainda tentar colar? A segunda, ainda solteira, não se prende a nada nem a ninguém. Acha graça do romantismo e não se vê preparada para colar-se ainda. Liberdade é seu nome. Seu apelido – Independência. A terceira, muito bem casada consola as demais. Repete frases feitas que ouviu de sua mãe. Um dia, quando menos esperarem, esbarrarão no amor de suas vidas. Deu certo para mim, dará certo para vocês também.


Um expresso, um capuccino, um café com leite e três brownies. Pouca coisa converge essas três.

A divorciada se lamenta e recebe consolo. A solteira se gaba e recebe admiração. A casada, dá conselhos. Afinal, é a única que está realmente completa (ou não...)

A conta, por favor. Hora de ir para casa. Para os travesseiros frios, para a balada da hora e para aquecer o jantar. A primeira, abraça o travesseiro e deseja estar na balada. A segunda, enquanto se maqueia pensa se não seria bom ter para quem aquecer o jantar. A terceira... desiste de aquecer o jantar, pois o marido vai se atrasar novamente com o trabalho e resolveu pedir um subway no escritório. Vai para cama...abraçar seus travesseiros frios.

No fim, somos todas iguais.

Jogando palavras no papel.

Já não escrevo em papel. Agora uso um teclado, uma tela, uma rede. As palavras, por sua vez, são as mesmas. Agora mais curtas. Abreviadas, cortadas, mutiladas. Neste tema sou tradicional. Não decepo palavras. Elas merecem ser escritas letra a letra. Ponto a vírgula. Exclamação. Interrogação.

Sobre o que escrever afinal? Sobre minha inquietude e vontade de abraçar o mundo todo ao mesmo tempo agora? Sobre a inquietude do mundo que ao invés de se abraçar se devora?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Palavras, palabras, mots, words, worten...

Vontade de escrever.

Tantas ideias na cabeça. Tantas palavras soltas pelo ar. Quase posso vê-las. Tantas coisas para dizer e ninguém para ouvir. Melhor assim. Nessa hora é prudente calar. Melhor não dizer. Melhor ouvir para aprender. Melhor escrever.

Escrevo então. Desabafo. Deixo os dedos correrem no teclado como se fosse um piano. Só que a música não sai. Está presa. Dentro de mim. A Poesia está presa em algum recanto oculto do meu ser. Ou então, saiu para passear e não me avisou. Por que deveria, afinal? A Poesia é livre. Não pertence a ninguém. Inspira a quem quer, quando quer.

Aqui, sozinha em meu quarto, posso ver o mundo inteiro com as janelas fechadas. Um mundo virtual. De mentira. Mas...Onde está o mundo real? O que é real? Fotos sorridentes mostram um mundo feliz. Um admirável mundo novo, cuja droga é a conexão de banda larga. Quanto mais rápida melhor. A minha é uma droga lenta. igualmente viciante mas que nem chega a dar barato.

O barato da linguagem é a multiplicidade de opções. Você pode desejar o que quiser. Um desejo para cada idioma. Um querer para cada sotaque. Eu tenho um sonho em cada língua!

I wish i could travel around the world, right now!! Meeting real people. Touching real hands. Listening real laughs. Kissing real mouths. There are so many things to see. So many voices to hear. Accents, smells, tastes. There is no reason to be here. Waiting for something that never happens. Sometimes I wonder what am I really waiting for. What do I want?

Je suis une femme, j'ai 38 ans et je suis celibataire. Je n'aime pas être celibataire. Je voudrais avoir une famille grande. Beacoup d'enfants. Beacoup de chiens. Je voudrais vivre dans une maison blanche dans le montaignes avec une grande salon, un jardin, les arbres et mes amis.

Soy una chica muy divertida. A mí me gusta bailar. La música me encanta. Personas sonriendo, bailando, cantando. Eso es vida. Un buen vino argentino. Pan italiano, queso de Francia e un hombre Español. Eso es perfecto.

Ich spreche nicht Deutch! Aí está um idioma duro! Não dá para sonhar em alemão. É muito seco. Frio. Autoritário. É lindo. Gutural.Tentei aprender, mas desisti. Troquei pelo francês.

Se os idiomas fossem uma orquestra, o alemão seria a percussão. O francês a flauta. O inglês, os contra-baixo. O espanhol os violinos e o português seria a gaita.

domingo, 20 de março de 2011

Contos do Sertão

Nena

Nena corre... o Canavial espesso e quente abafa o ar. A atmosfera está pesada. O boi. O boi. Vai me pegar! Pensa a menina.

Castigo. Quem mandou roubar frutas no pomar do vovô? Minha mãe vai me bater. Meu avô vai me bater. E meu pai? O que vai pensar meu pai? Vai ficar triste comigo. Vai fazer aquela cara de decepção que me mata! E isso é o que mais dói.

Ai! A dor quase a deixa cega, mas ela não pode parar. O boi. O boi. Já sentindo o bafo do animal enfurecido ela corre ainda mais. Sente um líquido quente escorrendo pelas pernas. Sente o cheiro do próprio sangue. Estaria o boi também sentindo? Acho que vou morrer!

O touro Bento é o mais bravo de toda a fazenda. Anda com um sino no pescoço, para avisar a todos quando está por perto.

... ..

A menina saiu de casa cedo. Ia ao açude buscar água, como era sua obrigação todas as manhãs. Era verão, e como o açude estava seco, ela e seu irmão Elias andaram até o poço recém cavado no leito do velho rio e tiraram água de cacimba. Estavam acostumados a esses trabalhos pesados. A seca era parte do seu cotidiano. Não conheciam outra realidade, de modo que tudo acabava virando brincadeira de criança. Costumavam banhar-se no açude quando tinha inverno. Na estação seca, sabiam que era preciso economizar água. Era para beber e para cozinhar. O banho, ficava para o final do dia e se tomava de caneco, no fundo da casa.
O açude na verdade é uma represa. Como este ano choveu, está bem vistoso e cheinho.

O verão secava o rio, mas a água de algum modo inexplicável chegava ao pomar. As árvores naquela época ainda insistiam em ter frutos. Assim como as mulheres que insistiam em ser férteis. Mesmo se alimentando de farinha e rapadura. O pomar estava carregado de mangas. Era uma tentação para qualquer criança.

Que mal vai fazer? - Pensou Nena rapidamente e decidida disse: - Elias, leva a água para mamãe. Vou passear no pomar.

Você maluca? Vovô não gosta de menino no pomar. Botou o boi Bento lá para espantar ladrão. Vai te pegar! Se escapar do boi, vai ter que se entender com o chicote do vovô!

O boi não vai me pegar. Sou muito esperta. Muito mais rápida do que ele. Vá embora. Encontro você antes do almoço.

Como previsto, havia quase mais mangas do que folhas. Todas "de vez". O que quer dizer, prontas para serem colhidas e transportadas para a cidade. Prontas para serem vendidas ou trocadas por tecido, sal e sementes.

Assim como as demais frutas, o café e a cana, os bois, porcos e galinhas faziam a riqueza do coronel e sustentavam todas as bocas que dele dependiam. Que não eram poucas.

Havia mangas no chão, mas essas não tem  nenhuma graça. O bom mesmo é subir no pé. Comer manga verde, de vez e madura. Com uma agilidade de cabrita montesa, ela subiu na árvore. Era muito alta para sua idade. Mas o que importa? Era sua mangueira favorita.

...
Várias mangas depois, o pé da mangueira se coalhava de cascas, galhos e caroços de manga chupada. Era hora de voltar. Sua mãe logo sentiria sua falta. Tinha que ajudar a preparar o almoço dos meninos que trabalhavam na roça.

Desceu alguns galhos e com um pulo estava no chão. Aterrissou agachada como uma índia. Antes que se levantasse, ouviu um som. Blém. Blém. Ouviu outro som... Era uma respiração pesada, daquelas que seu avô fazia quando estava com raiva. Uma sensação ruim lhe percorreu a espinha. Suas pernas tremeram. Era Bento.

Com medo, levantou-devagar e olhou para trás. Lá estava ele. Quando a mirou com seu olhar vermelho de fúria, abaixou a cabeça. Apontou-lhe os chifres e cavou a terra com sua enorme pata de touro campeão.

Ela não pensou duas vezes. Correu, correu e correu. Deparou-se com o canavial. A cana estava alta, como é comum nessa época. Vou me arranhar toda, mas ali o Bento não me pega. E assim foi. O canavial é difícil de atravessar para pessoas, imagine para um boi. Ele a perseguiu enquanto pôde, mas logo desistiu.

Enfim, após uma corrida que lhe pareceu eterna, a menina saiu do canavial. Ao longe, viu um sertanejo. Era baixo e gorducho.  Vestia uma roupa de couro de bode e um chapéu de palha. Viu quando tirou de um só golpe o chicote que trazia preso à cinta. Escutou o tilintar do couro seco no ar. Era vovô Brígido! Dono da fazenda. Patrão e sogro do seu pai. Mesmo de longe ela pôde sentir seu olhar. Vermelho de fúria, como o de Bento. Em sua cabecinha de menina, ambos se transformaram numa coisa só. Bento-Brígido. Não sabia mais onde terminava o touro e onde começava o avô. Eram ambos a mesma fera e tinham como único propósito castigá-la até o fim do sertão. Ora com os chifres. Ora com o chicote. Seriam todos os homens assim?

Talvez não. Pelo menos papai não era assim tão mal. Pensou a menina.

Venha cá sua negrinha! O que faz aí no canavial? Roubando fruta de novo? Não tem comida em casa? Venha cá que já lhe ensino a ser uma moça.  Parece um moleque macho! Assim nunca vai arrumar marido.

Nena corre ainda. Agora não mais do boi, mas do chicote do avô. Avista uma casinha. Pertence a uma das tias. Tia Jacinta! Tia Jacinta! Me acode tia Jacinta. O boi, o vovô, o canavial! O sangue nas pernas e o vestidinho de chita molhado de suor e urina davam a menina um ar de mendiga. Oh, menina! Que fizeste? Parece um mulambo! Vá já tirar essa roupa suja e se lavar.

A tia lhe banhou a ferida com água e sal. Era um corte feio causado por uma folha de cana. A marca permaneceria para sempre. Na pele e na lembrança. Nena chorava. "Tá doendo, tia" Aguenta, muleca. Dizia ela enquanto improvisava um curativo feito de trapos. É bom para aprender! Você não se comporta! Vamos, vista essa roupa. O vestido era limpo, mas tinha espaço para duas nenas e meia. Deixava ainda mais evidente seu estado de quase subnutrição.

O que vai ser dessa menina? - Pensou a tia. Tem que arrumar logo marido, se não vai se perder no mundo ou vai virar mulhé-homi! Mas quem é que vai querer essa cabrita??? - Disse a Tia Raimunda tristemente enquanto a menina voltava para casa. Pensando que ainda haveria de enfrentar a mãe. Outra fera. Exigente e rigorosa. Como seu pai, o coronel.
...   ...   .... .... .... ....

A pré-história de Nena

Senhor Coronel Brígido Alves de Moraes. Dono da vila de Bela Aliança. Todos os morros, todas as várzeas e todos os açudes são dele. Manda prender e manda soltar. Manda matar. E se o cabra tentar morrer e isso não for do agrado do coronel, até com a morte ele peleja! Sinhá morte o respeita. Não foi nada fácil levá-lo, quando chegou sua hora.
O coronel a essa altura é viúvo de uma cabocla muda, que de acordo com as lendas era descendente de uma índia catada no mato por um português que apareceu por essas terras lá nos idos de 1700. Era uma bugra. Não tinha nem nome. Ou pelo menos, ninguém se lembra mais dela. Uma mulher bonita, mas bruta. Calada. Trabalhadeira. Forte. 
 
Se sofreu, ninguém soube. Só o que ela sabia era botar menino no mundo. De tanto exercer esse papel, acabou morrendo de parto. Como todo bom macho sertanejo, o coronel mal esperou a defunta esfriar e logo se enrabichou por outra. Essa outra vinha a ser prima da primeira e sempre nutrira uma paixão secreta pelo cunhado. Mas isso é tema para outra história...

Antiga casa grande - pertenceu a Brígido Alves de Moraes

...
Essa conto remete ao início do século XX e é baseado em pessoas reais. A história é uma ficção, construída a partir de pedacinhos de histórias reais. 

Estou em fase de pesquisa, coletando histórias de pessoas simples, mas de carne e osso. Elas contam o que os livros não registraram. Fragmentos da história do Brasil que se não forem resgatados, se perderão no tempo como se nunca houvessem acontecido.

Em breve, novos contos serão publicados. Quem quiser, poderá contribuir com histórias sobre o sertão do Ceará. Farei questão de citar as devidas referências.

Para saber mais sobre o 12o. estado mais próspero do país, acesse o link abaixo
Ceará
Portal do Ceará

quarta-feira, 16 de março de 2011

Ah esse Brasilzão de meu Deus!!! Jornada para Itaí-SP

Um colega de trabalho me pediu apoio em uma das unidades fabris durante o processo de preparação para uma auditoria externa.

Pensei eu na hora - Hummm... Adoro auditar e adoro viajar. Por que não? Procurei deixar minhas rotinas endereçadas - Confio muito na minha equipe que nunca me deixou na mão. Sei que poderei contar com eles mais uma vez. Afinal, são só três dias.

Aí vem os detalhes práticos de quem é solteira... Quem vai ficar com o Rex? Quando vou consertar o vazamento de água que está triplicando minha conta? Que horas vou passar minha roupa e arrumar a mala? Em que janela de tempo vou encaixar meus treinos??? E a consulta com o dentista? E o oftalmologista???

Prática como só uma pessoa solteira consegue ser, joguei o oftalmo pro alto, aproveitei que minha querida dentista não podia me atender e joguei os dentes pro alto também! Despachei o cãozinho pro canil e ainda fiz um treino legal na segunda-feira. Na volta da academia, passei meia duzia de blusas bem mal passadas e semi-preparei minha mala.

Como não sei consertar encanamento, fechei o registro da água -- Isso é que atuar na causa raiz!!!!!!

Com a mala semi pronta, ainda fui trabalhar na terça-feira. Duas reuniões, 100 e-mails, 20 telefonemas e um probleminha de última hora e logo eu já estava  semi-atrasada para o vôo.

Tudo bem! A essa hora não tem tráfego...... Ainda vou chegar com uma hora de antecedência, o que deve bastar....A não ser que todas as vias de acesso a Salvador estejam em obras... .... E estão! Oras!! Como não pensei nisso antes?

E lá estava eu, presa num tráfego infernal, suando em bicas e sentindo o cheiro do meu próprio suor, mesmo no ar condicionado. Não posso perder esse vôo, meu Deus! Me ajude!

Havia outros interessados em pegar o mesmo vôo que eu, porque tinha gente cortando pela direita, pela esquerda, pelo meio, por cima e por baixo!! Fiquei imprensada entre um táxi, uma caminhonete, uma moto e dois caminhões!!!

Porque todos esses carros queriam passar num espaço que mal dava para um fusca???? Je ne sais pas....

Quase meia hora depois, consegui sair do imbróglio. Aí a Ferrari fez o resto. Botei o vermelhinho para funcionar, dentro das regras do jogo - é claro!! Andando em minha faixa, sem ultrapassagens perigosas e respeitando todos os sinais. Mas onde dava pra correr, garanto que não fiz trekking...

Cheguei! 30 exatos minutos antes do meu avião fechar as portas para sempre!

A atendente foi muito gentil e me pôs na frente de todo mundo na fila do check-in. Como estou ficando espertíssima, não despachei bagagem. Peguei a mochila abarrotada de coisas e a maletinha de mão, também socada de itens críticos para minha sobrevivência e lá fui eu atrás do avião.

Congonhas - aqui vou eu!! Tive vergonha de levantar os braços para pôr minhas malas no bagageiro... Estava suadíssima. Estressadíssima. Descabelada e malcheirosa... Bom.. nem tanto, porque mesmo suada ainda sou cheirosinha.. Mas estava fora do meu padrão normal... Exceto pelo "Descabelada" que é um adjetivo constante como um acessório. Como um batom ou um brinco que também nunca deixo faltar.

Durante a viagem, para relaxar, li um pouco. Estou lendo "A Escolha de Sofia" de William Styron - muito bom! Recomendo.

Cheguei a Congonhas. Agora, pensei eu, está tudo dominado! Tenho até tempo para o maravilhoso Capuccino paulista.. Tomo meu café tranquila e vou alugar meu carro....

- Senhora, eu sinto muito, mas não estarei podendo liberar o carro (sic).
- Por que??
- Sua carteira venceu em 2/03.
- Eu sei. Já dei entrada na nova. Fiz exame e tudo. Ficará pronta semana que vem. A Lei me permite usar a carteira até 02 de abril!
- Sinto muito, Senhora, mas a empresa não estará podendo aceitar, pois nosso procedimento interno não permite!

Pensei com meus botões - Como às vezes buscando a excelência em obedecer as normas as pessoas acabam sendo mais realistas que o Rei!
Ok. Vou pegar um táxi.... Dez posições de fila.... Espera, né?? Paciência!
- Onde, senhora?
-Itaí.
-Ah, tá, Itaim ou Itaimbibi?
- Não - Itaí. Av Santo Antônio - Centro
- Ah, tá.. Centro... você está enganada! Não é avenida! É Rua! Rua Santo Antônio! Você vai para o centro de SP!!!
- Nãaaaaaaaao!!! Eu vou para Itaí!!! Cidade de Itaí!!! Interior de São Paulo!
- Mas aqui está escrito centro... Ah, tá... Centro de Itaí...Entendi..... Interiorrrr (sotaque paulista).... Custa R$ 935,00, senhora...
...  ...  ...
- Vc tá de sacanagem???? - Calma!!! foi só um pensamento. Eu não verbalizei isso! Respirei fundo e respondi, tentando não rir:
- A senhora está de brincadeira?
- Não. É esse o preço para o interior.
- OK. Muito obrigada

Fui até outro balcão de aluguel de carros:
- Quero alugar um carro, mas minha carteira venceu, já dei entrada na nova, e blá, blá, blá.
- Um momento senhora, vou estar verificando....
- Senhora, pelo procedimento a senhora pode estar alugando sim....
- OBA! Pegue aqui meu docum....
- Só que não temos carros! Estão todos alugados!
... ... ...
E o relógio agora aponta 20h. Havia chegado as 19h. Estimava eu umas três horas de viagem de carro até Itaí. Tudo bem. Chegarei 23h. Not that bad!

Finalmente a Localiza me salvou. Como sou cliente cadastrada, consegui logo um carrinho até legal. Só que sem GPS. Estava esgotado também.

Ok. São quase nove da noite, estou em SP, vou pegar 300km de estrada, não conheço a cidade nem tenho GPS... Tudo bem! Vamos em frente.

Não é difícil chegar a Itaí. Peguei as coordenadas e segui para a Rodovia Castelo Branco. Aqui um elogio aos Paulistanos. Eles sabem explicar roteiro direitinho. Não havia erros. Rapidamente eu cheguei na rota.
Pedágio 1.... R$ 2,90
Pedágio 2...R$ 5,35..... Quantos pedágios ainda tem pela frente, moço?? -A senhora, deve ter mais uns quatro....

Paguei e me preparei para o pior! Lembrei-me de que não tinha mais dinheiro! Esqueci de sacar!!!

Meu Deus - faça aparecer um banco Itaú na minha frente agora, pois só posso sacar até 22h. São 21:30!

Milagrosamente o posto GRAL apareceu diante dos meus olhos, por volta do km 50 da rodovia. Entrei para perguntar onde tinha um caixa eletrônico e antes de descer do carro, ele se materializou diante de mim.. no estacionamento do posto!! Lindo! Saquei meu dinheirinho, comprei uma água e um bombom e troquei uma ideia com o pessoal do posto. Tem alguma pousada por aqui? Ah, tem sim, em São Roque. É a próxima cidade!

Aviso aos navegantes - Sempre que puderem, evitem viajar a noite. Planejem-se melhor e reservem hoteis para pernoitarem. É muito mais seguro!

Saí da estrada e dei uma volta em São Roque. A única pousada que achei estava muito escura e tive medo de entrar. Voltei para a rodovia. Saí mais uma vez em Sorocaba seguindo um outdoor do Ibis que parecia mais uma miragem. Cada vez que me aproximava ele ficava mais distante. Para acessá-lo, tive que sair da Castelo e entrar na Raposo Tavares... Que está toda em obra. Ou seja, justamente as saídas que eu precisava pegar estavam bloqueadas. Os acessos alternativos me levavam para cada vez mais longe do Íbis, da Castelo Branco, de Itaí e da cama quentinha que lá me esperava.

Bateu o desespero. A fome, o cansaço e o sono. Só não bateu medo de me perder. Sabia que ia chegar a Itaí. A estrada é ótima e cada pedágio é como PC. Uma nova oportunidade de verificar o mapa, checar o azimute e navegar. Ainda bem!

De "saco cheio" percebi que o tempo que perdi tentando chegar a um hotel poderia ter me levado ao meu destino! Quase 23h. Voltei para a Castello Branco decidida a não parar mais por nada no mundo.

Aí, choveu hotel na beira da estrada! Na esquerda, na direita, no viaduto... Não, não e não. Agora não quero mais!!

Quando pensei que estava chegando ainda faltavam 80 km... Até Avaré!
De lá, ainda tinha mais 60 km pela SP 255 até Itaí.... E chegando lá, ainda teria que encontrar o hotel.

Estradas boas, bem sinalizadas, largos trechos com iluminação urbana e pelo menos uns seis pedágios, considerando que paguei para sair em Sorocaba.

Quase duas da manhã. Fim do trecho sob concessão... Buracos, obras e máquinas na pista.... Era o que me faltava!! Ainda bem que foi um trecho bem curtinho. Logo cheguei em Itaí. Parei num posto para perguntar onde ficava o que, ao que me parece, é o único hotel da cidade. Hotel São Francisco. Com a dica certa, cheguei em 3 minutos. Não queria nada. Só água, banho e cama!

Dormi um pouco e comecei logo a trabalhar. Demos duro hoje! A turma da fábrica é muito atenciosa e estão todos engajados em fazer um bom trabalho. Dá gosto trabalhar assim.

Ainda tenho um relatório para fazer, mas precisava desse momento de ócio criativo para contar para vocês como foi minha viagem e desopilar o cérebro de tantos requisitos que verifiquei hoje.

Estou esperando o único restaurante - na verdade pizzaria - começar a servir. Vou fazer meu relatório. Comer pizza e dormir. Amanhã, vou correr cedinho para não enferrujar. Depois, vou trabalhar mais um pouco.

Quando puder, voltarei a passeio. Quero explorar Avaré. Ao passar pelo portal da cidade notei que ela se apresenta como estância turistica. Se algum leitor já tiver visitado Avaré, me conte como é lá. Fiquei curiosa.

Boa semana para todos!!

domingo, 13 de março de 2011

Reflexões sobre o Ser Humano

Sempre que algo bom me acontece, algo ruim está acontecendo no mundo. Na verdade, sempre tem algo ruim acontecendo no mundo... E, eventualmente, algo de bom acontece comigo.

A verdade é que isso me entristece. Como ser totalmente feliz com tanta desgraça acontecendo?
É temporal no Rio, é tsunami no Japão. É menino pobre catando lata enquanto milhares de turistas insensíveis pulam o carnaval, pisando em seus pés descalços. Empurrando-o para fora da sociedade. Para bem longe deles. Para bem longe de nós! Para que não suje, não esbarre. Não incomode, menino!

Pobreza. Miséria. Corrupção. Iminência de acidente nuclear, assassinatos, guerras, traições...
Parece mesmo um prenúncio do Apocalipse. Talvez minha mãe tenha razão. Talvez o mundo se acabe e os escolhidos sejam levados para um lugar melhor.. Talvez... sei lá!

Sei que com ou sem profecia, tudo me parece muito óbvio! A origem do mal está no homem. A semente do ódio. Da destruição. A ganância e o desprezo. O orgulho e o preconceito. O homem é o pior dos predadores, pois ele destrói por egoísmo. Não por fome. Mata por prazer, não por necessidade. Oh, bicho homem! Quem poderá salvá-lo da sua própria ganância?

Por outro lado, esse mesmo homem é capaz de atos grandiosos. Essa mesma raça se une para doar. Levanta fundos, distribui comida. Larga seus afazeres, familia e trabalho para ajudar o próximo.

Essa mesma humanidade descobriu a eletricidade, a penicilina e o uso inteligente da radioatividade.

Essa mesma humanidade gerou Martin Luther King Jr, Gandhi, Carlos Chagas e Oswaldo Cruz. Kennedy e o Dalai Lama. São esses seres iluminados que me fazem acreditar que nós podemos reverter tudo isso!

Por onde começar? Hoje tentei doar dinheiro para a Cruz Vermelha internacional. Não consegui. Meu cartão de crédito 'entendeu' que era uma operação suspeita e não autorizou. Que bom! Pensei. Isso me deu uma chance de refletir... O que estou fazendo pela minha comunidade? E pela minha família, que está ainda mais perto de mim?

Todo mundo sonha em mudar o mundo. Em fazer algo grande! Mas todos esquecemos de que qualquer construção começa com um pequeno tijolo. Uma pequena pedra. Um pedaço de pau. Se cada um de nós conseguisse ajudar a um próximo. Somente um! Em pouco tempo, a corrente do bem alcançaria o mundo todo. Que King, Gandhi, Lama e outros nos abençoem. Que Deus nos ilumine. Que em breve não haja mais crianças pedintes nem velhos abandonados. Que não haja desastres e que haja Paz. Enfim!

Uma ótima semana para todos e um convite a fazer pelo menos um pequeno gesto de solidariedade esta semana. Que nossos pequenos gestos de solidariedade permitam que o Sol continue a brilhar sobre nós!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carnaval 2011

Cores, sons, sabores, culturas diferentes.. Tudo no mesmo Brasil.

Salvador da Bahia - Axé, pipoca e gente bonita
Meu carnaval começou na Bahia. Mais precisamente no circuito Barra-Ondina. Para garantir uma boa vaga de estacionamento, cheguei cedo. Aproveitei para pular na pipoca do beco, na Barra. Logo depois, fui para a grama do Farol. Tranquilíssimo! Se houve violência em Salvador, ela passou bem longe de mim. Fiquei atrás de um isopor de cerveja cuja vendedora sambava mais que as dançarinas do Parangolé!

Vi passar o trio do Tomate, com o Sr ACM neto de convidado. Ele acenou para a multidão e todos retribuíram com simpatia. Como demorei para associar o rosto a pessoa, não correspondi. Tive a impressão de que ele notou e não gostou... oops! Espero não ter me metido em encrenca. Desculpa aí, viu, seu ACM neto.. Não foi por mal.

Não lembro a ordem exata dos trios, mas lembro de alguns detalhes marcantes:  Ivete linda fantasiada de Cisne Negro e se achando. Tô bonita! Tô Gostosa! Vocês me amam! Não eram perguntas. Eram exclamações da mais pura vaidade. A gente perdoa, Ivete. Você é mesmo demais!

Passou o Parangolé e o negão requebrava que era uma beleza!! Ai, Ai... foi um delírio. Que coisa mais linda! Um puro e legítimo exemplar da raça!

O Chiclete, como sempre lindo!! Lotado de gente bonita. E o Bel até que ficou simpático sem a barba. Contudo, achei que o Asa este ano estava mais animado, mais cheio e mais bonito que o Chiclete. Pelo menos ali no Farol a animação estava contagiante. Me deu vontade de sair atrás. Só não fui, porque sou fiel ao Denny. Ai, o Denny.... Ai a Timbalada!

Outro trio que surpreendeu foi o Sertanejo. Muito animado e com músicas ótimas. Adorei.

Após quase duas horas de atraso, eis que surge Denny e os tambores da Timbalada anunciam mais uma noite animada. Bloco lotado. Gente de todas as raças e tamanhos. Todo mundo dançando sem parar um minuto. E eu cantando animadissima! Eu, Lulu, Marcio e sua turma paulista, Tadeu e sua namorada... E mais um monte de gente que passava e cumprimentava a gente. Passou um rapaz e olhou bem sério para mim:: -Eu conheço você!!! Da empresa em que trabalho!! Ainda bem que eu sou comportadinha!!! (rs)

No Morro do gato, como já é tradição, os trios entram no pagodão. Aí é baixaria mesmo.. Corre-corre superhomem, foge mulher maravilha e outras pérolas do axé invadiram nosso bloco. E Denny se requebrando todo para delírio das fãs.

Um pouco mais adiante, Denny se recompôs e voltou a cantar sucessos antigos da Timbalada e de outras bandas. Este ano, a Timbalada comemorou 20 anos de carnaval. Estão de parabéns. Até hoje me lembro das primeiras músicas. E toma de Obaluaê! Acho que ele cantou essa música umas 50 vezes! Denny também cantou marchinhas de carnavais antigos. E eu chamei o Arlequim de Alecrim a noite toda! Alecrim está chorando pelo amor da Colombina, no meio da multidão! Só fui perceber que estava cantando errado quando já estava no Rio. Eu sou mesmo uma comédia ambulante!!

Ao som de Chuva de Flores, Luciana resolve do nada perguntar as horas.... Eram quase duas da manhã e eu tinha que embarcar para o Rio as 4!!! Lu, preciso sair daqui agora mesmo!!!

Sem pensar duas vezes ela me acompanhou e corremos, literalmente, do Camarote da Band até o 'C' do Clériston Andrade lá na Adhemar de Barros. Como não dava tempo de passar em casa, fui direto para o Aeroporto. Fiz o check-in suada, fedida e cantando - Timbaladaaaaa leva eeeu... Timbaladaaa, leva eu e o meu amoooor!!! - Comédia!

Um banho de gato com papel toalha e detergente de banheiro, uma roupa limpa e lá fui eu... quase limpinha e cheirosa para o Rio.

Rio de Janeiro  - Tradição, família e bandinhas



Cheguei no Santos Dumont pontualmente as 6h de domingo! DORMIR!! Preciso dormir!!! Ah, como eu amo o Santos Dumont. Tem uns sofazinhos lá no segundo andar que são tudo de bom. Desci do salto, demiti a etiqueta e deitei no sofá. Dormi que nem criança até as 9!

Por volta das 10h chegou o Hugo, vindo de Sampa e seguimos rumo ao Centro do Rio e seu carnaval de rua. Inocente, simplório. Quase infantil e muito divertido.

Onde mais, a não ser no Rio você poderia ver uma fila de metrô imensa e todo mundo feliz, cantando e tocando percussão!! Estação Carioca. Gente pra dedéu!! Daqui a pouco, aparece do nada uma mini bateria de escola de samba e todo mundo começa a cantar um samba antigo -- Chora, não vou ligar (não vou ligar) , chegou a hora, vais me pagar.. podes chorar, podes chorar... Eu, é claro, cantei também. E sambei, para desespero do meu filho que morre de vergonha dessa minha espontaneidade.

Eu nem ligo. Sou espontânea mesmo, com muita honra!

Pegamos um metrô lotado e rumamos para a zona Sul. Mais marchinhas, mais bandinhas, mais Lucy correndo atrás dos blocos e Hugo correndo atrás da Lucy...Tive que comprar um chinelinho novo porque meus pés estavam pedindo arrego. Mas, nem liguei. Com calo ou sem calo, era só tocar uma musiquinha e eu já começava a pular.

Comemos tapioca na rua, bebemos água de coco e fomos ao Arpoador. Ficamos um bom tempo sentados naquelas pedras. Que lugar é aquele!! Inspirador! Todo carioca deveria  ver o pôr do Sol pelo menos uma vez no Arpoador. É lindo demais!

Ok. Temos mais um avião para pegar. Voltamos para o aeroporto e rumamos para Cabo Frio, onde minha mãe se esconde. O vôo durou 20 minutos. A viagem de táxi para a casa dela... durou 2 horas e uma facada na minha carteira.

Minha mãe deve ter sido pioneira na outra vida. Nunca vi ninguém gostar tanto de desbravar os lugares. Daqui a uns dez anos o condomínio dela vai ser uma metrópole. Mas hoje, é uma roça. Uma adorável roça, diga-se de passagem. Espero que esse lado bucólico seja preservado quando o boom imobiliário chegar por lá.

Sopinha de ervilha, mimos, banho morninho (só para nós, pois os habitantes da casa só tomam banho gelado!). Cama quentinha!! Ai, ai. Tem coisas que só na casa da mamãe mesmo!!

Dia seguinte - café da manhã e pé na estrada. Fomos a Rio das Ostras. Feirinha, bugigangas, Almoço na praça. Tudo bem interiorano mesmo.

Terça de carnaval. Desfiles de escola de samba bombando e nós... fugindo para Búzios. Estava chovendo um pouco, mas nem ligamos. Eu queria muito aproveitar a viagem. Pegamos um passeio de barquinho pelas praias. Vale muito a pena. Os lugares são lindos e a turma do barco é o maior astral. Nosso comandante era doidinho e contava histórias muito engraçadas sobre o lugar. Além de ser um ótimo dançarino, diga-se de passagem. Enquanto pilotava o leme requebrava até o chão. Léo Santana que se cuide!!!
Caí na água duas vezes. Havia me esquecido de como o mar é gelado no Rio. Tive a impressão de ter mergulhado em uma piscina de balas halls. Extra forte! Mesmo assim, achei delicioso e fiz mil peripécias na água. Eu voltei a ser criança. Coisa que só acontece quando estou bem feliz.

Adorei passar o carnaval com minha família. Adorei pular em Salvador. Adorei ver as bandinhas no Rio. Não vi violência. Não vi maldade. Vi gente brincando feliz. Crianças, velhos, homens vestidos de mulher. Todo mundo rindo e se divertindo. Talvez eu tenha me fantasiado de Pollyana e fechado os olhos para não ver o mal. Talvez seja tudo ilusão. Que me importa! Desejo que a alegria que eu vi e vivi seja real e perdure pelo resto do ano. Os baianos merecem. Os cariocas também.

Obrigada a todos que passaram pela minha vida neste Carnaval por me proporcionarem momentos tão bons. Sei que nunca mais os verei, mas deixo um beijo para a turma que animou a estação do Largo da Carioca com aquele sambinha.

Um grande beijo aos dois rapazes fantasiados de bailarinas que estavam na frente da Assembleia Legislativa. Um de cisne branco e um de cisne negro. Ambos carregando um 'Oscar' e dançando iguaizinhos. Achei tão lindo que não poderia deixar de mencionar.

Parabéns a Beija Flor pela vitória merecida. A escola estava linda mesmo!
Parabéns ao Denny - Príncipe da nação Timbaleira pelos vinte anos desse querido bloco.

A ilusão acabou. Já despi a fantasia. Mas preservei a alegria, que vai me seguir pelo resto do ano, que começa hoje, para valer!

Feliz Ano Novo para todos!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Trilha das Penélopes - Vale do Capão

Folga do trabaho na sexta, dia 25 de fevereiro de 2011. Oba! Perfeito pretexto para viajar. A princípio, eu ia só. Tão logo soube que haveria essa folga no trabalho, planejei matar uma vontade antiga de ir ao Capão. Planejava ir de ônibus. Comentei por acaso com minha amiga Luciana Penélope do Agreste que achou um absurdo essa minha ideia de ir de ônibus. Vamos de carro, ora essa!!

Pois está muito bem! As Penélopes irão para o Capão! Como Lu está treinando forte para a Ecomotion 2011, combinamos de fazer trekking todos os dias, no ritmo mais forte possível. Achei ótimo! Adoro trekking!

Claro que deixei para fazer as malas na véspera! Joguei tudo o que achei necessário numa mochila, incluindo um lanche que garantiria minha sobrevivência por um mês, caso me perdesse na selva. Lá fomos nós. 4:30 da manhã. Minha primeira viagem longa dirigindo como piloto principal!! Ooppps... Essa parte eu não contei pra Lulu!!!

Mas como dirijo há muitos anos e já compartilhei volante várias vezes, não me preocupei, Essa também  foi a primeira viagem de mais de 200km do meu Fit. E ele se comportou muitíssimo bem!

A ida demorou um pouco, porque perdemos a Estrada do Feijão. A saída simplesmente se escondeu da gente!!! Quando percebemos, já estávamos longe, por isso, resolvemos seguir pela BR 116 mesmo.

E haja caminhão!! Usei todos os meus conhecimentos de direção defensiva para manter distância e só ultrapassar em locais permitidos e com total visibilidade. Por falar nisso, pegamos um pouco de neblina chegando em Feira de Santana. Parecia a Serra de Petrópolis! Nem sabia que tinha isso na Bahia...

Depois de Feira, pela BR-116, seguimos até Palmeiras, que fica há cerca de 2h de Lençóis. Dali em diante, uma deliciosa estrada de terra bem vermelha e bem íngreme. Meu carrinho se saiu muito bem! Fomos ultrapassadas por algumas Hilux e algumas L-200 metidas a besta! Mas, o Honda Fit vermelho-ferrari também chegou ao seu destino. Sem suar a camisa e sem o motor reclamar! Bom menino!

A Pousada, se chama Pé no Mato  e é uma gracinha! Estou fazendo essa propaganda grátis porque eles merecem. Limpinha, confortável e muito bem cuidada. Café da manhã igual ao do sítio da Vovó!! Aipim, mingau, bolinho, café, suco, pão caseiro... tudo de bom.

Mal chegamos e já queríamos sair para conhecer o lugar. Pegamos algumas dicas e almoçamos no Dona Beli - PF delicioso por R$ 8,00!!!!!! Inacreditável! Em seguida, antes que o sono batesse, um café expresso na pousada e pé na estrada. Sete quilômetros de trekking com um pouquinho de corrida no meio. Eu suando feito um cuscuz, mas sem querer dar o braço a torcer. Não queria que Luciana me deixasse para trás!! Era questão de honra!! Penélope do Agreste é assim: Atrevida até o fim!

Chegamos ao Riachinho junto com um grupo de turistas Ingleses muito simpáticos. Harry, o mais falante de todos, emendou uma conversa conosco em português. Eu aproveitei para desenferrujar o inglês, o que foi ótimo.

Tomada banho e fresquinha, vamos correr tudo de volta. Ainda rolou um desvio de rota para vermos uma pousada que parece um Castelo. Posteriormente descobrimos que se trata de um espaço onde acontecem vivências espiritualizantes... Hummmm.. Muito interessante. Anotado! Voltaremos ali.

A noite de sexta consistiu em uma volta na praça onde Luciana se admirou da alta concentração daquilo que ela chama de 'podiscrer'. Eu, estava me sentindo em família. Fiquei com pena de não ter trazido minhas roupas hippies. Achei que iam pesar na mala. Besta eu!

Jantar na melhor pizza da cidade!! A pizza do Capão. Só tem dois sabores: A tradicional e a de banana. Provamos a tradicional. Não percam!! É deliciosa. Trocamos uma ideia com a filha dos donos sobre a vida ali. Fiquei encantada com a simplicidade e inteligência da menina. Uma tranquilidade inspiradora.

Depois da pizza, mais uma voltinha pela praça. Encontramos um lugar que vendia tortas e que a gente poderia comer no chão, sentadas sobre uma esteira. Achei incrível!! Lu!!! Eu quero comer torta sentada no chão!! Lu também achou a ideia muito legal e entramos. Entre os clientes, havia um chileno falando inglês com uma australiana! A atendente brasileira falava com um sotaque irreconhecível! Que lugar doido!!

Sábado, acordamos cedo. Tomei meu tradicional banho frio. Lu tomou seu tradicional banho quente. Tomei meu tradicional café bem preto. Lu tomou seu tradicional café com leite... As duas vestiram seus uniformes de Penélopes e ganhamos a estrada.... Ganhamos também o mato, o morro e as pedras. Ganhamos tudo. Se fôsse uma corrida de Aventura teríamos chegado em primeiro lugar!!

Destino: Cachoeira da Fumaça - vista superior. Dessa vez, no trecho de subida deixei Luciana passar. Era pedra para caramba!!! Parecia com a trilha para o Morro do Castelo, no Vale do Pati. O café da manhã ameaçava voltar a todo o instante. Depois de muito arfar, resolvi engolir o café e o orgulho e sentei um pouquinho. Aproveitei para tirar belas fotos da subida.

Logo em seguida, recuperei o fôlego e voltamos a fazer nosso trekking como uma só Penélope. Foi muito bom!! Perto da cachoeira fomos alcançados por duas figuras exóticas. Um guia e seu guiado, um japa paulista chamado Marcelo. Deixamos que nos alcançassem por segurança, já que não conhecíamos a cachoeira. Eles foram conosco até o topo e aproveitamos para conhecer mais sobre a história do lugar.

Beto trabalhou no garimpo e quando esse foi desativado, lá por meados dos anos 90, tornou-se guia. Conhece tudo por ali. Já foi picado por uma jararaca. Já encontrou diamantes. Ainda sonha em encontrar aquele diamante que o tornará rico. Enquanto isso, vai guiando turistas.

Ele não gosta de guiar turistas estrangeiros porque não entende a lingua deles. Prefere os brasileiros. Mas tem guia esperto que já aprendeu inglês, francês e até alemão. Beto trabalha para uma agência de turismo e parece ser muito responsável.

Chegamos em uma pequena travessia de rio quando Beto de repente parou e disse:
- Pessoal, aqui a gente tira o sapato! Enquanto Liuciana perguntava por que, já estávamos as duas dentro do rio. De sapato e tudo. Qualé, Beto!!!! Tirar o sapato! Tá com medinho, é!!

Na verdade, é melhor mesmo, para não dar fungo no pé. Mas, as Penélopes, acostumadas a não tirar o tênis para não perder tempo, entraram com bola e tudo dentro da rede!  Eu só esqueci de um detalhe... Não estava de tênis!! Estava de bota de trekking que por acaso vem a ser impermeável. Ou seja.... A água não entra! Mas se entrar, também não sai!!!

Com o sapato pesando uma tonelada e meia continuei em frente sem dar o braço a torcer. Penélope que se preze é assim: Orgulhosa. Queixo Duro!!! Eu só falei pra Luciana, que é claro, se acabou de rir de mim!

Chegamos. Logo depois, Beto e seu turista chegaram também. O guia nos contou algumas histórias do lugar, incluindo o acidente fatal de rapel que aconteceu há alguns anos. Eu me deitei na pedra e procurei me desligar de toda a conversa. De todos os ruídos só para ouvir o som da cachoeira. Fiquei impressionada. Deitei na pedra, bem pertinho do abismo e chorei. Minhas lágrimas viraram vapor antes de cair. A brisa do lugar e a altura não permitiriam nada diferente disso.

Agradeci a Deus pelo privilégio de estar ali. Pedi que todas as minhas mágoas ficassem ali. Escorressem por aquela cachoeira valente e furiosa. Ela estava implacável! Havia chovido e de acordo com os locais, teve tromba d´água. Quando isso acontece é perigoso estar por perto. A água leva tudo o que estiver pela frente.

Entendi que aquela água tinha força para levar de mim todas as lembranças ruins. E assim foi! Eu viajei para o Capão com o objetivo de aprender alguma coisa. Perdoar aos outros e a mim mesma. Deixar algumas cascas para trás. Eu acredito que consegui.

Levar o corpo à exaustão física e  depois simplesmente parar para contemplar a natureza tem um efeito purificador. Eu tenho certeza de que desci diferente. De repente, todo mundo ficou quieto. Eu numa pedra, Luciana na outra. Marcelo olhando para o vazio. O guia pensando em algo ou alguém. Lá ficamos por alguns minutos. A sós com Deus. Esses minutos me valeram a viagem toda.

Depois do lanchinho, resolvemos descer. Fomos na frente. O guia, metido a esperto, disse que ia nos alcançar.... facilmente! - Podem ir. A gente alcança vocês fácil!

Fiquei quieta. Assim que deu distância disse à Luciana: Vamos mostrar para esse moço do que é feita uma Penélope!! Quero ver ele nos alcançar!!! Descemos em 1:15 minutos. Ele está tentando nos alcançar até agora!!! Penélope que se preza é assim: Adora ser desafiada!!

Ainda animadas resolvemos continuar nosso trekking até o Riachinho de novo. Lu estava empolgada com seu treino e eu também. Principalmente, porque estava conseguindo acompanhar o ritmo dela!! Acho que vou me candidatar a Ecomotion. Pelo menos no trekking dá pra encarar!!!

Mais uma pizza, mais voltas na praça. Uma divertida apresentação do circo da cidade e logo o sono bateu. Fizemos 20 km no sábado. Somados aos 14km do dia anterior, achamos melhor descansar...

O cansaço, misturado com as duas pizzas que comemos acabou resultando numa noite muito difícil. Eu tive um pesadelo e acabei quase matando a Lu de susto com meu grito!! Coitadinha. Ficou mais assustada que eu. E olha que o pesadelo foi meu!!! Depois, foi a vez dela ter um sonho ruim. Acabamos passando a noite em claro. Para completar, choveu a cântaros! Eu fiquei pensando na estrada que ia enfrentar no dia seguinte e no meu cachorro que estava em casa.

Fiquei muito tempo pensando no porque dessa noite tão difícil. Depois cheguei a uma conclusão bem simples e pragmática: Estávamos cansadas e tínhamos comido demais! Foi isso. Simplesmente isso! Resolvi que esse incidente não terá o poder de roubar de mim o que vivi ao ver a Cachoeira da Fumaça. A viagem foi ótima. Demos muitas risadas, tivemos vários papos 'cabeça'. Tenho certeza de que a próxima vez que lembrarmos dessa noite, vai ser pra dar risada. Afinal, ser Penélope é isso: Sempre enxergar o lado bom de tudo.

Domingo, para aproveitar a manhã, demos um pulo no espaço chamado Lothlorien. Infelizmente, os responsáveis pela administração não estavam lá. Mas pudemos passear pelos jardins e conhecer um pouco o lugar. Funciona como uma espécie de retiro espiritual. Voltaremos ali, para passar uns dias.

Voltei para o trabalho diferente. O espelho refletiu uma expressão de paz que decidi preservar o máximo possível. Terei o Capão para sempre em minha memória. E voltarei lá. Muitas e muitas vezes, com certeza!

Até a próxima!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Cisne Negro

Fui assistir sozinha. Não li a crítica oficial. Destesto a crítica oficial. É plástica, fria, profissional demais. Às vezes duvido de que os críticos realmente assistam aos filmes que criticam.

Comprei o bilhete e a pipoca e entrei. Sozinha. Este é o tipo de filme para ver só ou com alguma amiga muito doida para bater aquele papo cabeça durante e depois do fime.

Comovente. Forte. Violento. Agressivo. Dolorido. Um manual sádico de como desconstruir uma menininha. Como converter inocência em medo. Amor em rancor. Vontade em dor. Curiosidade em desejo reprimido. Pobre menina.

Nina é doce e inocente. Uma vítima das dores alheias. O cisne branco e imaculado. A mãe que projeta sua frustração na menina parece uma assombração. O professor faz um pouco as vezes do Lobo Mau - aquele que desperta o desejo da Chapeuzinho vermelho mas não a come (ok, aceito que o duplo sentido é grosseiro...). Ele não é mau. Pelo contrário. É só um homem! Mas, ela não está preparada para a iniciação. Não tem intuição nem senso de perigo. Não tem um pai para protegê-la.

Eu me criei sem pai. Sempre achei isso desnecessário. Como não o tive por perto, achei que não precisava dele. Muitas mulheres fortes e valentes também se criaram assim. .De alguma forma, conseguiram suprir sua carência. Assim como um deficiente físico aprende a andar com uma só perna ou a trabalhar tendo só uma das mãos.

Mas não é fácil. Hoje eu sei. Não se cria uma menininha sem pai. Um bom pai. Ele dá noção do perigo. Ele protege dos predadores. Ele é o contraponto da mãe. Sem contraponto, não há ponto nem reta...

Para a luz brilhar, é preciso sombra. Yin & Yang. Noite e Dia. Frio e calor. Molhado e seco. E Deus os fez. Macho e Fêmea os criou. Se uma das partes fosse desnecessária, não existiria. A natureza não desperdiça nada.

Pois é, a pobre da Nina não tinha pai. Como também não teve tio, irmão mais velho nem primos que cuidassem dela. Era feminina demais. Faltava o elemento homem em sua estrutura molecular.

Eu saí do cinema arrasada. Quanto sofrimento numa só Nina!!  O Cisne branco e assustado. O patinho feio e rejeitado que vira um lindo Cisne no final. Mas a sombra sempre esteve lá. Escondida. O Cisne Negro. Animal belíssimo. Sedutor e raro. Assustador.

A frágil estrutura da mocinha não aguenta suportar dois personagens tão fortes e tão simultâneos. Faltava-lhe a fibra que só se tem quando se tem pai. O elemento homem que faz a liga. Que não deixa as moléculas se decomporem.

Depois de chorar sozinha e me lamentar por existirem tantas Ninas no mundo, finalmente descobri! O que faltou a Nina, e a muitas outras ninas foi um bom pai. Um pai para proteger dos predadores. E para ensinar a não ter medo deles. Um pai para reconhecer o perigo. Para mostrar o outro lado. Para andar de mãos dadas na sombra. Para não ter medo da sombra.

Quem era o pai da Nina? Jamais saberemos.

Aquela mocinha não foi salva. Mas a menina que existe dentro de você e de mim, ainda tem salvação. Se eu um dia tiver uma filha ou uma neta, farei de tudo para que ela seja inteira. Luz e sombra. Mistério e clareza. Não deixarei que ela se decomponha em cacos de porcelana. Uma menina deve ser completa. Forte e vibrante. Alegre e inteira. Dançar sem amarras. Reconhecer e escapar de todos os perigos. Será ela própria um perigo. Os predadores a respeitarão. Saberão que com ela... Vão ter que dançar conforme a música.



Parabéns a Natalie Portman pela sensibilidade e brilhante atuação. Ela não interpretou. Ela viveu o Cisne Branco e o Negro com igual intensidade. Merece o Oscar.

Que todas as Ninas do mundo se inspirem a perder o medo. Enfrentar o mundo e suprir suas carências com amor e perdão. Afinal, no fundo todos temos dentro de si uma criança cujo único objetivo de vida é ser amada.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Désormais

Passei um dia inteiro com essa palavra na cabeça. Nem sabia o seu significado. Désormais. Como se alguém soprasse em meu ouvido. Désormais.

O som é agradável. Parece um sussurro ou o barulho do vento na beira da praia. Ou o do ventilador de teto.
No início, achei estranho. Por que estaria pensando numa palavra desconhecida? Muito esquisito....

Quando sentava na frente do computador eu esquecia da dita cuja e assim, não consegui descobrir o significado da minha nova palavra até quase a hora de dormir. Aí, já deitada e começando a ler meu atual livro de cabeceira (A mulher de Pôncio Pilatos), lá vem ela de novo. Alta e clara! 'Désormais'!

Cansei! É agora que vou descobrir o que é isso! Palavrão?  Nome próprio? O que será? Vamos descobrir agora... A. B. C. D... Depuis...Descartes... Désormais! Achei!!

Désormais quer dizer: Daqui em diante! Adorei minha palavra nova! Meu anjo da guarda aprendeu francês e está me ajudando a deixar o passado para trás.

Daqui em diante, só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder!

Feridas, mágoas, dores, ressentimentos...Pertencem ao passado. E vão se desintegrar em poeira cósmica.

Désormais, inventarei uma nova forma de encarar os problemas, de ver o mundo, de amar enfim.

Désormais serei mais feliz. Je vous remercie, mon ange

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O propósito de tudo isso.

O relatório está pronto. Você treinou todo mundo. As pendências foram sanadas. Os envolvidos estão cientes. A programação está feita. Você revisou todos os detalhes. É uma máquina de eficiência.

Os gritos que deu, as noites que perdeu, o choro escondido no banheiro.... Qual é o propósito de tudo isso?Ninguém jamais saberá.

Você está tão focada na tarefa que nem parou para se perguntar: Por que está fazendo isso, desse jeito? É isso mesmo que você quer? Será que está trazendo as pessoas consigo ou as está empurrando? Ou as estará puxando?

Qual é o seu papel primordial? Qual é o propósito da sua existência? Semana que vem, quando terminar essa prioridade, eu vou ao médico. Agora não dá, mas mês que vem vai melhorar. O dentista... Ih, era ontem!!! Olha, hoje não posso sair com você, mas quem sabe na semana que vem.

A semana que vem já passou há três meses. O ano está no meio. O tempo passou... E continua passando enquanto você reflete sobre sua vida.

Trabalha-se a semana inteira desejando merecer o fim de semana. Sacrifica-se o fim de semana, pensando no próximo feriado. Mata-se o feriado, pensando... nas férias....
 
Viver não pode ser só isso. Eu quero mais. Vamos botar os pingos nos 'is'. Chega!! Hoje não!!

Hoje você não vai ser ultra super eficiente. Nem vai tentar ser. Hoje você vai sair com alguém de quem você gosta. Seu filho, sua mãe, seu cachorro. Não importa! Você vai tomar sorvete de flocos com bolo de baunilha. E que se dane a dieta!!

Hoje você vai ver seu dvd favorito espalhada na cama comendo chocolates. Se 'ele' ligar, ótimo! Se 'ele' não ligar... Perdeu... Ele perdeu, querida. Porque hoje, o dia é seu!!

A gente se dá, se doa, se dói.... E o mundo continua a girar.
A gente vive, morre, mata um leão por dia.... E o mundo continua a girar. Os leões continuam a rugir.
A gente dá uma pausa. Diz que está cansada. Reclama que não dá.... Chovem feedbacks!! Controle emocional, resiliência, paciência. MATURIDADE!!!

O escambau!!!! Hoje quero ser criança. Não me venham com lições de moral. Não me venham com receitas de bolo. Receitas de sucesso. Receita federal!!!!

A vida é simples. A coisa mais gostosa do mundo é andar com o pé no chão. Comer lima do pé! Sentir a chuva na cara. Dar risada do nada. Amar, beijar, abraçar....Tomar chá da tarde. Passar a noite acordada vendo as estrelas. Ver a Lua nascer. O Sol se pôr....

Pois está muito bem. Ponderemos! Há que ser responsável. Há contas a pagar, afinal. Há pessoas a cuidar, afinal. Há quem dependa de ti. Há quem espere seu sorriso para começar bem o dia. Tudo bem. Isso é possível. Talvez esse seja o propósito da sua existência... Talvez.

Equilíbrio. É disso que você precisa. Cada coisa a seu tempo. Uma coisa de cada vez. Hoje é segunda-feira. Temos uma longa e iluminada semana para pôr tudo em ordem. Fique em paz e não surte!!! Ainda não!!!

(....mas.....Se tudo mais falhar, fuja pro Capão!!! )

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um domingo só

Domingo passado, depois de dormir quase o dia todo, resolvi tomar um bom banho, colocar meu vestido favorito e ir passear no shopping. Gosto de me ver refletida nas vitrines. Gosto dos olhares que recebo também. Vaidosa. Admito.

Estou só. Numa solidão dolorida. Mas já me acostumei a isso. There is no way out. At least now. But it won't take longer. Not anymore. Well, deixemos de ilusões e vamos pôr os pés no chão. Já está mesmo na hora de acordar!

Tomei um mate com guaraná para espantar o sono e fui ver vitrines. Encontrei uma promoção irresistível de cds e dvds nas Lojas Americanas. Comprei vários cds a 9,90 e vários dvds a 12,90. Não sou consumista, mas não resisto a uma promoção!!

Dentre os cds, Caetano, Bob Dylan e Fabio Jr.... DOIS cds do Fabio Jr... Ok. Eu gosto de Fabio Jr. Sempre gostei dele!!  Admito!!! Sem vergonha nem preconceito. Adorei meus cds e já ouvi 'Pareço um menino' cinquenta vezes!

Dentre os dvds, algumas pérolas do cinema: Before the sunset, Before the sunrise; Olga e As Sandálias do Pescador (The shoes of the fisherman). Há anos procuro esse filme. Lindíssimo. Valeu a pena. Um culto ao cinema arte. Morris West teve uma revelação divina ao escrever o livro. Michael Anderson teve o privilégio de dirigir Anthony Quinn que em minha opinião estava em seu melhor papel.

Que doçura de personagem. Não há como não se encantar com Kyril Lakota. Se um dia um Papa tivesse a sua coragem e abnegação, talvez até eu me tornasse católica!! João Paulo II chegou o mais perto que pôde. Doou seu anel a uma familia pobre do Vidigal, quando veio ao Brasil nos anos 80. Mas daí a doar toda a riqueza da igreja aos pobres.. bom... Há que ser Kyril para isso!!

Pois bem. Comprei o filme. Um carmenére chileno, um pacote de amendoim e um de bon gouter. Arrumei minha salinha de ver filmes. Convidei meu cachorro para assistir comigo. Foi muito legal. É bom estar em minha companhia. E na do Rex também. Ele é um cãozinho tranquilo de 13 anos que não dá trabalho nenhum, além de fazer xixi onde não deve. Como qualquer idoso em idade avançada, é dificil para ele se segurar as vezes. Eu entendo.

Voltando ao pescador.. Kyril tem olhos bondosos e uma expressão facial que só Anthony Quinn poderia lhe dar. Passou 20 anos numa prisão na Sibéria. Era arcebispo. O regime comunista não gostava dele. Lá na prisão ele entendeu a alma dos homens. Foi homem comum. Teve fome, raiva, rancor...

Conquistou o inimigo por sua fibra moral. Seu algoz, que viria a ser primeiro-ministro no enredo do filme, confessou que sua vida havia mudado muito naqueles anos. Graças ao padre de personalidade marcante.

- Nós dois mudamos. E nos influenciamos mutuamente. Já não sei onde eu termino e onde começa você....Eu te desconstruí e remontei, para que se tornasse o que é hoje. Disse o primeiro ministro ao padre Kyril no dia da sua libertação.
Essa cena me fez lembrar 'V' de Vendetta. Quando o 'V' tortura Evey e a liberta de suas ilusões. Ela se decompõe e se remonta. Sai outra mulher. Mais forte. Mais corajosa.

Solto de sua prisão por uma benevolência diplomática nada desinteressada, Kyril é convidado para ir a Roma onde é promovido a Cardeal. Muito contra sua vontade. Ele preferia ser um padre simples do interior e cuidar de seres humanos normais e simples como ele. Mas esse não seria seu destino.

Depois da morte do Papa vigente, Kyril acaba se tornando o primeiro Papa não-italiano em 400 anos. O mesmo que aconteceria, na vida real, com outro estrangeiro - Karol Wojtyla- João Paulo II

Coincidências a parte, ou não, o fato é que nosso herói Kyril revolucionou a Igreja. Foge do Vaticano disfarçado para ver como viviam os homens nas ruas de Roma. Tal qual a princesa do Aladim e o Príncipe da lenda ´O Príncipe e o Mendigo´. No mundo real ele reza com rabinos, prega para uma médica cética e atormentada pelo ciúme. Acha graça da vida cotidiana e é literalmente 'preso'. Ou melhor, resgatado pela polícia e conduzido de volta ao seu 'Lar'. Ele se sente preso. E tem uma ideia maluca na cabeça. A ideia o atormenta até sair de sua mente e se transformar em realidade. Para escândalo da Sé e espanto de todos.

A fotografia do filme é belíssima. O diretor fala por imagens o que nem mil diálogos descreveriam tão bem. Há uma cena em que o Papa observa uma tropa desfilando pelas grades do seu jardim. É quase possível entrar na cabeça dele e imaginar que ele se sentia em uma prisão. No fim, ninguém é livre para nada!

Não quero contar mais detalhes, para que você tenha curiosidade de assistir ao filme. Se gosta de cinema-arte. Se aprecia um belo roteiro, diálogos inteligentes e boa fotografia. Assista. Vale a pena.

Depois da sessão de cinema em casa fui dormir acreditando que o mundo pode ser melhor. Que é possível amar ao próximo. Que ninguém está só se for capaz de amar. Que a verdadeira liberdade está dentro de nós e que não há cadeias que aprisionem uma ideia. Quando seu tempo chega. Ela, a ideia, conquista lugar que lhe é devido. Abre caminho entre rochas e explode. Quanto mais força se usa para prendê-la, mais forte ela se torna.

Boa semana, com ótimas ideias para todos.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Porto

Hoje vi na página de estatísticas que meu blog teve a visita de uma pessoa de Portugal. Fiquei contente! Havia alguns dias que não escrevia nada. É tanta desgraça acontecendo no mundo, que às vezes eu me sinto envergonhada por estar feliz. Depois de muita reflexão, entendi que o sofrimento sempre vai existir. Podemos amenizá-lo com solidariedade e amor ao próximo. Mas ele sempre estará lá. E por isso mesmo, acho que o mundo está precisando de mais alegria. De cores, risadas e flores.

Alguns podem achar que o que faço é exibição.  Mas compartilhar alegria não é pecado. Pelo contrário. Pode ser uma benção. Imagine que você está triste e solitário. Aí começa a navegar e encontra um texto engraçado, divertido ou até mesmo sem graça e mal escrito. Qualquer que seja o resultado da sua pesquisa, ou sua opinião sobre ela, só o fato de parar para emitir uma opinião já o distraiu da sua dor. Já valeu a pena.

Isso posto, decidi fazer uma homenagem aos nossos patrícios.

Minha visita ao Porto foi breve. Apenas quatro dias. Quatro maravilhosos dias! Ficamos hospedados na casa de Ricardo e Helena. Um casal muito bacana com uma filha linda e inteligente. Fomos tratados como parte da família.
O sotaque português é uma delícia. Aprendi que 'fixe' e 'giro' são coisas muito legais e que o vinho do Porto na verdade não é de Porto!! Pasmem!! É de Vila Nova de Gaia!

Eu preciso corrigir essa injustiça histórica!!

O vinho do Porto é produzido nas vinícolas de uma região nobre de Portugal. É envasado e envelhecido em Vila Nova de Gaia, cidadezinha separada de Porto pelo Rio D´Ouro. A região onde se produz as uvas que vão virar vinho do Porto é controlada e foi estabelecida pelo Marquês de Pombal. Esse mesmo que vocè está pensando. Além de amante do vinho, ele era estadista e diplomata. Enquanto Primeiro Ministro em Portugal foi defensor do Estado laico, expulsou os jesuítas e implementou medidas econômicas que mudaram a história da nossa metrópole. No Brasil, implementou reformas na educação e instituiu a língua Portuguesa como idioma oficial da colônia.

O sábio e autocrático marquês definiu uma região específica de Portugal para a produção do Vinho do Porto visando valorizar o produto que já era uma marca registrada do país. Sendo de origem controlada, poder-se-ia aumentar o preço de venda e assim, proteger a indústria vinícola portuguesa.

Pausa para comentário: O uso da mesóclise foi uma homenagem aos nossos anfitriões portugueses. Eles usam essa forma verbal com muita naturalidade. A coisa mais linda que ouvi foi uma menina de oito anos usando mesóclise lindamente. Algo do tipo: 'Poder-se-ia compra pão se a padaria não houvesse fechado' (!) E ao final do seu discurso impecável ela fecha a conversa com uma singela pergunta: Posso brincar convosco? Não é Lindo?  CLARO que pode brincar conosco, rapariga!

Voltando ao vinho do Porto.
Existe um passeio padrão que todo turista deve fazer. Consiste em visitar as caves das principais vinícolas da região e provar pelo menos três taças de vinho em cada uma delas. Depois, páre numa padaria típica e coma sanduíche de fiambre. Depois, pegue o funicular, uma espécie de teleférico como o do Elevador Lacerda de Salvador. Vá visitar o centro de artesanato na beira do Rio D'Ouro e tire muitas fotos... Depois... Suba a Torre dos Clérigos, tenha vertigens e tire mais fotos. Depois....Bem, depois você vai querer ir para casa curar o pilequinho e levar as caixas de vinhos, doces e lembrancinhas que comprou...





O Vinho do Porto é bem diferente dos vinhos tradicionais. A fermentação é interrompida com aguardente de uvas ou brandy que chega a ter 75% de álcool! Portanto, é servido em pequenas doses. A taça é parecida com a de licor, só que um pouco mais longa. Não se bebe Vinho do Porto. Degusta-se.

Eu provei o branco - usado como aperitivo e o Rosé - que pode acompanhar sobremesas tais como chocolates belgas.. hummmm... maravilhoso. O que mais gostei no entanto foi do tradicional. O tinto, que tem uma coloração rubi e um sabor que lembra.... Porto!



A comida de Portugal é um pecado à parte. Mas o que tira o juízo de qualquer cristão são os doces. Eu provei de tudo um pouco. Pastel de Belém; Pão de Ló e ovos moles... ah.. os ovos moles.... É para comer rezando!! Como fez minha amiga Daniela!!!


Helena nos explicou que as freiras portuguesas se especializaram em doces usando gemas de ovos. Isso porque as claras são usadas para fazer a hóstia e elas não sabiam o que fazer com as gemas. Viravam resíduo. Elas então começaram a testar receitas que foram ficando famosas primeiro dentro dos conventos, depois nos Castelos e finalmente, na padaria do seu Manuel!

Aprendi que 'sonho' em Portugal se chama 'Bolas de Berlim', que Pastel de Belém não é de Santa Clara (rs) e que é muito difícil achar bolinho de bacalhau nos restaurantes.


Espero voltar a Porto. Foi uma linda viagem. Inesquecível.