domingo, 28 de outubro de 2012

Fiscaliza, Cidadão!!!

Atenção senhores prefeitos! As eleições terminaram! Tratem de começar a trabalhar.. Imediatamente!

Mesmo morando em um município periférico e trabalhando em outro município satélite, eu me sinto soteropolitana. Todos nós do interior dependemos do que acontece nessa cidade tão linda e tão maltratada.

Minha cidade é praticamente um pitstop. Passo a maior parte do tempo fora dela. Salvador é a minha metrópole. É onde tudo acontece. É onde tem meu pôr do Sol favorito. É onde tenho amigos, onde estudo, onde passeio. Por isso, eu me interesso tanto por ela.

Quero o melhor para Salvador.

Vou fiscalizar o Prefeito da minha pequena Lauro. Mas, vou fiscalizar ACM Neto também. E talvez, com ainda mais intensidade. Acho que todos devemos fazer isso.

Entendamos de uma vez por todas que o Prefeito é nosso funcionário. Nós pagamos seu salário e por isso, temos todo o direito de cobrar resultados. Alías, temos até o poder de demiti-lo, se quisermos.

Se preparem, senhores! Não pretendo facilitar sua vida!

Quero e mereço uma cidade limpa, segura e organizada. Quero poder andar de ônibus sem ter medo de assalto. Quero conseguir caminhar a noite, correr, pedalar, passear com meu cachorro. Enfim, fazer o que eu quiser com meu tempo livre.

Quero que dona Raimunda, a distinta senhora que me ajuda em casa com as tarefas domésticas, consiga entrar e sair do meu bairro com segurança, voltando para o bairro dela em um ônibus decente, como convém a pessoas decentes.

Aliás, quero andar no mesmo ônibus que ela, para assim ajudar a poluir menos a cidade.

Quero ciclovia. Quero Praça. Quero luz, asfalto e água.

Quero Guarda Municipal. Quero coleta seletiva. Quero metrô. Quero trem e quero ônibus.

Quero escola. Quero comida nas mesas da escola. Quero livro. Quero professor bem pago e bem formado.

Quero criança na rua, só se for para brincar. Quero sinaleiras que funcionem. Quero fiscalização que funcione (a minha vai funcionar, vou logo lhe avisando).

Eu sou líder, meus caros Prefeitos. E não sou fácil não! Costumo deixar as regras bem claras para aqueles a quem lidero. E costumo cobrar, conforme as regras.

A partir de 01 de janeiro os senhores prefeitos de Lauro de Freitas e Salvador serão  liderados do Povo. São mais de 3 milhões de líderes exigentes. Acho bom não decepcionarem!

Atenção Soteropolitanos, a página do novo Prefeito é: http://www.acmneto.com.br/.  Isso não é propaganda política. Isso é cidadania.

A pequena Lauro de Freitas, com seus quase 170 mil habitantes, tem um certo Dr Marcio como Prefeito. Eu não achei sua página da internet. Acho que não tem. Mas, não importa. Isso não nos impedirá de fiscalizá-lo. Segue link para a página da prefeitura:
http://www.laurodefreitas.ba.gov.br/admin/app_home.php

Vamos parar de reclamar, falar mal de políticos e fazer o que está em nosso alcance: Fiscalizar, cobrar e exigir nossos direitos.

E que tenham todos um ótimo Governo!

sábado, 20 de outubro de 2012

Pára tudo! É informação demais. Vamos tomar um café!

Tem momentos que faço isso mesmo. Quando o cérebro não está processando mais nada e estou prestes a entrar em curto, páro tudo e vou tomar um café. Troco uma ideia com alguém. Ou fico ali sozinha mesmo, observando a fumaça que sai da xícara e pensando em como tratar toda essa avalanche de informações que recebo todos os dias. 

Ando refletindo sobre o efeito da modernidade sobre nossa saúde mental. Decididamente recebemos muito mais informações que nosso cérebro é capaz de processar. Tudo hoje é muito rápido e entrecortado. Interrompido. Raso.

Começamos a escrever uma mensagem no facebook e logo "pipoca" uma outra no MSN, e no twitter. E toca o telefone. E chega um e-mail novo. E a atualização do Windows lhe interrompe avisando que vai reiniciar sua máquina....AGORA!

... (reiniciando)...

Antigamente, usávamos mais o "ou". Ou escrevíamos uma carta, ou usávamos o telefone. Ou íamos falar pessoalmente. As cartas eram mais longas.

Ou conversávamos com uma pessoa ou com outra. Esse negócio de falar com três ou mais amigos simultaneamente sobre assuntos diferentes é coisa de doido! Minha avó nunca entenderia.

Eu estou achando que isso tudo está nos tornando mais impacientes. Mais rasos. Superficiais.

Se o professor oferece aos seus alunos um texto com mais de quatro linhas, os alunos desistem de ler. Pior! Sob o argumento de que tem “muitas palavras”. Ficam logo cansados e entediados. Querem que o professor leia por eles. Escreva por eles.  Pense por eles. 

No meu tempo de estudante, as redações tinham que ter de quatro a cinco parágrafos e de 20 a 25 linhas.

O meu filho só precisou escrever 15 linhas. O ENEM de 2010 exigiu 11 linhas. O de 2011 reduziu a redação para 8 linhas! O de 2012.... sete linhas...SETE LINHAS!!!!!

Como expressar uma ideia e desenvolver um raciocínio com apenas pobres 7 linhas?

Quem é que quer desenvolver ideias, minha tia? – Responderia um desses meninos da geração Z. Essa turma que já nasceu com um chip no cérebro e que não sabe segurar uma caneta, mas digita mais rápido que qualquer secretária executiva.

Pensam rápido. Aprendem rápido. Esquecem rápido. Agem sem pensar.

Nós queremos falar, não dizer. Informar, não conversar. Não há tempo para textos complexos. Não há tempo para filosofia. Não temos tempo para refletir. Nem para sentir. Estamos na era do AGIR! Be quick or be dead! 

                                                                 Blog do Quemel

Confesso que não estou gostando nada disso! Quero conversar. Falar e ouvir. Ler e escrever. Críticas. Comentários. Sugestões. Hipótese. Antítese. Tese.

Quero a reflexão. Quero mais contato. Menos superfície. Mais conteúdo. Olho no olho!

Sei lá.... O que vejo adiante é uma epidemia de psicóticos. Surdos sem problemas de audição. Analfabetos que conseguem ler, mas não conseguem entender o que as palavras lhe dizem. Líderes que decidem com base nas três primeiras linhas de emails que fingem ler. Porque afinal, mais importante que decidir certo é decidir rápido!  

Pessoas impacientes, intolerantes e que medirão seu sucesso pela rapidez com que conseguem responder aos milhares de estímulos que recebem. Sem se preocupar com a qualidade dessa resposta. Sem se preocupar com o impacto das suas decisões. É tudo tão rápido mesmo, que daqui a cinco minutos ninguém vai lembrar do que foi dito ou escrito.

As palavras estão ficando mais curtas e mais escassas. Os vocabulários, cada vez mais restritos.

Ou encontramos o caminho do meio ou vamos todos ficar meio doidos.

Quem consegue ler, entender e responder 200 emails por dia, dentro de uma rotina que inclui conversar com pessoas, andar, comer, rir e amar?

Quem consegue absorver tanta informação? Como diria Caetano...“Quem lê tanta notícia?”.

Por que temos que andar plugados o tempo todo? O ipod no ouvido, um olho na TV outro na internet e dedos rápidos que interagem com todas as redes sociais existentes ao mesmo tempo.

Deixo aqui o meu protesto!

Proponho voltar a ser simples. Que tal uma vez por semana ir para um lugar onde não haja telefone, nem TV, nem internet? Só para a gente descansar um pouco a cabeça?
  
Na Higiene Ocupacional se utiliza o repouso como forma de reduzir o impacto dos agentes de risco na saúde das pessoas. Se há exposição a ruído, se passa uma parte do tempo em um ambiente mais tranquilo. Se numa tarefa há o uso dos braços, que se alterne com alguma atividade que utilize as pernas. Se o indivíduo está em um ambiente quente, vai para uma área mais fresquinha....


E se está exposto a excesso de informação, faz o quê?

Desliga. Desconecta. Cala.

Sugiro o silêncio. Um pão caseiro. Uma xícara de chá ou de café. Uma caminhada no mato. Um bom papo com os amigos. Sem ipods e sem celulares. Por favor!

Descansar a mente e o espírito. Não podemos interromper o avanço da tecnologia. Mas, é preciso saber a hora de parar a nós mesmos. 

Vou agora mesmo fazer um capuccino e refletir um pouco mais sobre isso tudo enquanto observo a fumaça da minha xícara se esvair no ar. Estão servidos?


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Nostalgia – IQ, Haroldinho, UERJ e eu


Nostalgia – IQ, Haroldinho, UERJ e eu


Hoje entrei na UERJ pela segunda vez, depois de formada. A primeira vez foi para pegar o diploma. Foi tão corrido que nem teve graça. Não teve saudade. Naquela ocasião o sentimento era mais de alívio que de nostalgia.

Hoje foi diferente. Mais de dez anos se passaram. Fui de ônibus, como fazia quando estudava lá. Desci no mesmo ponto em que costumava descer todos os dias, durante quatro anos da minha vida. Passei pelo mesmo portão. 

Um vendedor de livros usados expunha seus produtos bem na entrada. Eu me lembrei de como gostava de livros usados. Quase comprei um. Fui retida pelo sentimento de culpa por ter mais de dez na fila esperando para serem lidos.  Segui adiante. Quando eu vi aquele prédio de estilo arquitetônico brutalista e senti aquele cheiro de livro velho, uma onda de lembranças me invadiu. Tive vontade de abraçar o prédio inteirinho. Disse baixinho só para mim e para o prédio: Obrigada, UERJ.

Eu me lembrei da primeira vez que passei por aquele portão, encantada com toda aquela imponência. Cheguei a pensar que não saberia mais achar o Haroldinho(1). Deixei meus pés me levarem. Abri um largo sorriso quando vi aquele anexo baixinho. Uma moça estava na sacada do prédio principal que dá vista ao Haroldo Lisboa e me viu sorrir. Olhei para ela e me lembrei das histórias que contavam sobre pessoas que se suicidavam pulando das sacadas. Espero que ela não tenha feito isso. Espero que meu sorriso a tenha feito pensar que afinal, se valeu a pena para mim, valerá a pena para ela também.

Subi pelas escadas, como sempre fazia. Nunca tive paciência para elevador.  O cheiro de formol do segundo andar continua o mesmo. É onde ficam os laboratórios da Biologia. Tudo igualzinho. Chegando ao terceiro andar, dei de cara com o CAIQ(2). Estava trancado. Olhei pelo vidro para ver as mesinhas. Hoje com computadores modernos. Antigamente ocupado por alunos alegres, barulhentos e que ouviam Tihuana e Raimundos enquanto jogavam buraco. A gente sentava pelas escadas e pelo chão ao redor do CAIQ, de onde emanava uma energia boa, jovem, rebelde, meio perdida, mas cheia de sonhos.

Nunca joguei buraco. Não por ser certinha, mas é que eu não sabia mesmo. Às vezes tinha que pular sobre as pernas da galera que se espalhava por ali, para passar de um andar ao outro. Adorava aquele povo. Gostava de ouvir as histórias deles. Todos sempre muito bem humorados.

Fui à secretaria e perguntei pelo seu Secundino, antigo funcionário que sempre me atendia muito bem. Soube que ele morreu, e então entendi que o tempo passou. Que aquele eco de risadas e conversas entrecortadas é apenas uma lembrança. Assim como aquele querido técnico administrativo que se foi.
Colado no vidro da secretaria, há uma plaquinha imitando as letras do Profeta: “Gentileza gera Gentileza”. De fato, se você espera obter alguma coisa de uma secretaria de Universidade, seja gentil. Aliás, traga uma dose extra de gentileza, porque você vai precisar. Eles são em geral muito “gente boa”, mas como a estrutura não ajuda, qualquer pequeno serviço é sempre muito, muito difícil.

Não foi diferente na minha vez. O procedimento que eu precisava seguir duraria no máximo uma hora. No meu caso, durou quatro. Mesmo com todo o meu estoque de gentileza e paciência em jogo.
Como a coisa ia render, aproveitei para visitar o campus principal.

Passei pelo Queijo(3). Tive vontade de sentar ali para matar a saudade, mas já estava ocupado. Lembrei subitamente que ele sempre esteve ocupado e que eu nunca havia sentado nele, por só andar apressada para almoçar ou para as aulas do 11º. (Faculdade de Educação).

Fui ao terceiro andar. Era o território da engenharia. Terra de bicho grilo, calça jeans e gente despida de vaidades. Bem a minha cara. A turma ali andava largada mesmo. Blusa de malha desbotada, mochilinha, tênis ou chinelos. Antigamente, havia ali o bar do DCE, até que alguém teve o bom senso de proibir bebidas no campus. Virou bandejão. Ainda estava lá, no mesmo lugar, mantendo inclusive a mesma disposição das mesas e das rampas de comida. Deve ter mudado de dono, mas para mim continuava igual. Na minha época de estudante, era uma boa opção para comer. Não era assim tão barato, mas era viável. Foi ali que aprendi a ser precisa nas pesagens. Mais que nas aulas práticas de Quanti(4). Minha refeição não passava de 195+/- 10 g!

Fui me servir e consegui exatos 200g, mostrando que não esqueci minha lição. Comprei o mesmo serenata de amor que comprava para a sobremesa e não tomei o cafezinho, por que dessa vez era pago. Foi divertido repetir essa sensação. Entrei no banheiro, que continua exatamente no mesmo lugar e chorei. Chorei por aquela menina que tinha que contar os centavos todos os dias. E que ficava exasperada se perdesse alguma moeda. Abracei aquela menina e disse a ela que tudo isso passou. E que agora ela pode dizer a outras meninas que sonhar é bom. E que correr atrás do sonho é sempre um exercício válido.

Subi até o quarto andar para ver se o restaurante de massas ainda estava lá. Havia ali uma lanchonete que servia um joelho delicioso. Daqueles que o queijo fica esticando, sabe. Eu adorava. Às vezes o dinheiro dava para o joelho, às vezes não. A turma gostava de ir lá à noite, entre uma aula e outra. Quando o dinheiro dava, eu comia. Quando não, dizia que estava sem fome só para poder ficar ali com eles, conversando e absorvendo aquelas experiências tão diversas das minhas.

Eles falavam sobre suas viagens de fim de semana e dos planos para o futuro. Alguns, reclamavam de terem se atrasado porque não tinha vaga no estacionamento. Outros, de como era ruim ter que acordar tão cedo e dormir tão tarde. E de como, para quem não tinha carro, aquele determinado ônibus só vivia cheio e aquele outro era sempre alvo de assaltos.

Falavam também dos seus problemas. Do filho pequeno que ficou em casa. Do estágio que era chato e pagava pouco. Ou do que era muito interessante e onde pretendiam permanecer após formados. Falávamos das nossas crises, dos nossos pais e dos nossos relacionamentos. Aliás, vários desses começaram ali, naqueles corredores.

Eu ouvia aquelas histórias com admiração e interesse. Via que, em maior ou menor grau, todos nós tínhamos lá nossas dificuldades. 

Para mim, nada era fácil. Acordava às 4:30, dava um beijo no filho, pegava três ônibus, chegava atrasada no estágio, depois andava por mais de uma hora até a faculdade, para guardar o dinheiro do joelho. Aí assistia às aulas até às 22h e saía correndo para tentar pegar o último ônibus, que sai precisamente às 22:20, mas que pode ser cancelado em caso de chuva.

Se desse sorte de ter chuva, pegava um outro ônibus que pára mais longe e andava  por mais uma hora, no escuro e com medo de assalto, até chegar finalmente em casa. Tomava um copo de leite, um banho rápido, dava mais um beijo no filho antes de um breve cochilo para começar tudo de novo. Minha mãe insistia para eu jantar, mas eu preferia dormir a comer...

Voltando às massas e ao quarto andar.... O restaurante estava lá. Com suas mesinhas de madeira e toalhas quadriculadas vermelhas e verdes. Quase igual. Só que não tinha mais joelho...Agora só serve ravióli, caneloni e outros bichos. Serve sanduíches também. Mas nada de joelho. Que pena! Mas, enfim. Eu não ia comer mesmo. Só queria ver se ele ainda estava lá.

Pensei em subir mais um pouco, até o 7º. Andar. Era lá que eu ia quando precisava de colírio. O andar da faculdade de Direito. A maior concentração de gente bonita por metro quadrado de todo o campus. O oposto da engenharia. Os meninos andavam de terno e as meninas de tailleur e salto alto. Um luxo! O restaurante também era melhor e obviamente, mais caro. Fiquei com preguiça e não fui.

Também não fui ao 11º. Onde, na época das vacas realmente magras, eu comia um refresco de caju e um pãozinho com queijo por R$1,00. Foi lá que eu tive minha formação humanística: Psicologia, Sociologia, Didática e Metodologia do Ensino. Bons tempos.

Fiz o caminho de volta ao IQ. Andei pelos corredores, sentei nos bancos. Lembrei da minha amiga Fernanda Costalonga e de nossas conversas sobre chocolates e de como essa iguaria nos salvava do stress. Ela era linda, educada e gentil. Vivia às turras com a balança, por ser gordinha. Estagiou na FIO-Cruz e seu fusca tinha um buraco no piso. Dava para ver a avenida Brasil por aquele buraco. Era um fusca adorável!

Lembrei de Fernanda Ribeiro, de Ilton Jornada, de Fátima Gomes e de um churrasco feito ali mesmo, no estacionamento do Haroldinho, nos tempos em que eu ainda comia carne...Lá vai tempo...

Lembrei dos meus colegas da Engenharia Química, com quem fiz todo o ciclo básico e com quem me formei, graças a benevolência deles. A Licenciatura só tinha três formandos e por isso, a turma de Engenharia que se formou no mesmo ano nos adotou.

Lembrei da minha formatura e das fotos que tirei ali por aquelas escadas. Do meu filho pequenininho segurando o canudo simbólico, todo orgulhoso. Fiquei tão feliz. Que bom que passei por ali. Que bom que tinha disposição para aquela maratona doida. Que bom que eu não desisti. Olha, moça da sacada, não desista não, viu? Vai valer a pena!

Obrigada, UERJ. Guardo somente lembranças maravilhosas de você.

De como a gente conseguia fazer graça de tudo. De como eu ri de mim mesma no dia do temporal que me fez assistir aula com o tênis encharcado, que fazia “chop-chop” quando eu andava e deixava um rastro de água e lama pelo caminho.

Do dia que faltou luz no campus porque um gato entrou na subestação, e a gente desceu as escadas de mãos dadas para ninguém cair.

De como todo mundo se ajudava na hora de estudar para aquelas matérias mais cabeludas. De como os cadernos migravam de mão em mão para tirarmos Xerox das aulas, das listas de exercícios resolvidos e dos relatórios dos períodos anteriores. Do rádio da Xerox que tocava reggae. Do moço da Xerox que era gente boníssima.

Da minha alegria quando fui aprovada. Da sensação de orgulho por estar numa Universidade. Do nervosismo na primeira prova de Cálculo e de como devorei o Leithold até aprender aquela porra! Das aulas de laboratório em que eu era sempre a última a sair. Dos técnicos que sempre tinham a maior paciência com meu excesso de meticulosidade. Do estágio na Quanti. Do professor de Ciências ambientais. Das aulas de Termodinâmica. Dos relatórios das práticas de laboratório e da monografia de Orgânica IV!

Não fui só CDF não, minha gente. Também devo lembrar....

Da aula de Inorgânica que matei para ver o show do Gil na concha acústica, e da outra que filei para ir com Marcio Marçano, ver  “O Rei de Copas”, peça engraçadíssima que passou na mesma concha. Da prova de Orgânica que matamos juntos, de novo eu, o Marcio, a Angélica e mais alguns amigos para ver “A Rede”, filme com a Sandra Bullock que já antecipava que ninguém mais estaria seguro quando essa tal de internet dominasse o mundo....

É verdade. Eu ralei. Dormi pouco, comi mal, trabalhei feito um jegue e estudei feito um aspirante ao MIT. Não fui às calouradas, nem às chopadas, nem às cachaçadas. Nem mesmo à do meu trote, porque não bebia e também não podia perder o ônibus. Mas, eu me diverti. Eu vivi e aprendi demais que toda aquela gente. Colegas, professores e funcionários. Foi uma época iluminada da minha vida.

Espero que todos eles estejam bem. Felizes, onde quer quer que estejam, fazendo o que quer que estejam fazendo. Vivendo! Espero que eles também guardem essas lembranças boas. Espero que lembrem de mim com o mesmo carinho com que lembro deles. Espero que leiam esse texto um dia.
Um enorme abraço a todoso: Ao Prédio, ao Haroldinho, ao Queijo, aos alunos, professores e ao Secundino, que Deus o tenha em bom descanso!!


Notas
11      Prédio Haroldo Lisboa – Onde ficam os Institutos de Química e Biologia. Carinhosamente apelidado de “Haroldinho” por alunos, professores e funcionários.
22      CAIQ – Centro acadêmico do Instituto de Química.
33      “Queijo” ou “redondo” – Uma pedra de granito bem grande que fica no meio do saguão de entrada, perto dos elevadores. Tem formato de uma mesa estilizada, lembrando um queijo redondo. Como tudo no Rio, sempre acaba ganhando um apelido divertido.
44   Química Analítica Quantitativa


domingo, 7 de outubro de 2012

Conversas imaginárias

Uma conversa imaginária baseada em fatos reais.

Hora do café da tarde. As cigarras silvam em uma árvore distante. Faz calor na Baixada Fluminense, mas à noite deve chover.

Uma criança, um pai, uma xícara de café fumegante e perguntas existenciais...

- Pai por que o passado se chama passado e o presente se chama presente? E o que é o futuro?

- Filha, por que você não comeu aquele bolo que sua mãe lhe fez e você nem provou?

- Xiii, pai. Esqueci! Agora, já tem mais de uma semana! Deve estar passado!

- Exatamente, filha. Passado, é aquilo que passou do tempo. Virou história. O futuro, é desconhecido. É como aquela estrada para a serra, quando está cheinha de nuvens. A gente não enxerga nada, não é mesmo? Mas, conseguimos enxergar passo a passo, metro a metro, conforme vamos avançando. Isso é o futuro. A gente só entende mesmo, quando ele vira presente.

- E o presente, pai?

- Ah, o presente é uma dádiva. É por isso que ele se chama presente. Precisamos aproveitá-lo bem, senão, ele fica igual aquele bolo que você não comeu. Fica passado e você nem pôde saber se era bom ou não.

Entendeu, minha filha?