terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O aniversário de Jesus - Um conto de Natal

A historinha abaixo é fruto da minha imaginação. Não tem a pretensão de ser relato histórico nem religioso. O objetivo é somente provocar a reflexão sobre o real sentido do Natal. Espero que gostem.

Em uma aldeia remota, no que hoje chamamos Oriente Médio, vive uma família. O tempo é também remoto. Tão remoto que está fora do nosso calendário e por isso, só pode ser estimado. Faz muito.... muito tempo mesmo. 

Eu hoje viajei nesse tempo, observei coisas incríveis e escrevi a seguinte história:

Hoje é um dia especial na casa do Carpinteiro José. Seu filho, Jesus, completa 7 anos. Nessa idade, ele já tem aguçada percepção das coisas. Já sabe diferenciar o certo do errado. Sua mão já sustenta uma ferramenta de trabalho. Ele não é mais um bebê. Já está se tornando um rapazinho.

Os pais conversaram escondidos bem cedo, após o café da manhã, pensando no que fazer para celebrar esse dia. Eles são muito simples e Jesus não tem muitos brinquedos. Mesmo assim, parece muito satisfeito com os cavalinhos que seu pai faz na sua oficina. Sem saber o que fazer para agradar o pequeno, decidiram perguntar.

- Meu filho, hoje é o dia em que você celebra 7 anos nesta terra. O que você gostaria de fazer para agradecer ao nosso Pai do céu por sua vida? – Perguntou sua amorosa mãe, Maria.
- Mãe querida, eu posso chamar meus amigos para a ceia? Podemos fazer uma comida bem gostosa para eles? 
- Mas, é claro que sim! Está combinado então. Hoje você escolhe a ceia e os convidados!

Jesus é um menino não tão diferente dos demais. Não pára quieto, só vive correndo e gosta de brincar. O pai tem lhe ensinado algumas coisas simples do seu ofício, mas o guri não consegue se concentrar por mais de uma hora no trabalho. Toda hora encontra uma ovelha perdida do rebanho, um cachorro doente, um cavalo com dor na pata ou um amigo para brincar...

Ele observa o trabalho do pai e é muito perguntador. Um dia, ao ver seu pai com a cabeça baixa, segurando um prato com pão, lhe perguntou – O que está fazendo, pai José?
-Estou agradecendo ao Pai celestial pelo pão de cada dia. - respondeu o carpinteiro.

Outro dia, Jesus se escondeu atrás de uma porta e pôs-se a espiar seu pai. Ele parecia muito bravo, batendo as ferramentas com força em um velho carvalho e falando alto com um cliente. O cliente não pagou pela mesa e ainda desdenhou do trabalho, chamando José de amador. José, enfurecido, xingou o dito cujo de mentiroso e mesquinho. Os dois quase saem no tapa. Jesus, preocupado, pediu ao pai do céu ajuda. Foi quando José respirou fundo e pediu perdão ao cliente por sua ofensa. E se dispôs também a perdoá-lo por sua impertinência. José propôs fazer os ajustes necessários na peça e o cliente, satisfeito, concordou em efetuar o pagamento.

Jesus tinha uns sonhos estranhos. Ele via antigos mestres que lhe ensinavam coisas sobre fé e amor ao próximo. Eles diziam que ele tinha uma missão difícil, mas que sempre teria ajuda no que precisasse. Ele não contava isso para ninguém, mas anotava tudo o que aprendia e observava em seu caderninho. Que guardava bem escondido, aguardando o momento certo de usar.

Voltando aos preparativos....
http://oratoriosaoluiz.com.br/fevereiro-e-o-mes-dedicado-a-sagrada-familia/ 

Jesus saiu da conversa com Maria muito animado. Esse seria um dia especial. Seria a primeira vez que ele iria comemorar seu aniversário. Fazia um dia fresquinho e uma brisa geladinha soprava no ar. 

Ele foi de casa em casa convidando seus amigos para a ceia. À tardinha, as crianças começaram a aparecer. Cada uma trazendo um agrado para o dono da casa. Um trouxe um pãozinho assado pela mãe. Outro, trouxe um pouco de frutas secas que seu pai comprara na feira mais cedo. Um terceiro, de família mais abastada, trouxe um vinho da casa do seu avô. Uma mocinha trouxe uma toalha tecida pela sua mãe. Esta, se apresentava como viúva, mas na verdade fora abandonada grávida por um aventureiro. Ela sobrevivia de tecer mantas e toalhas de mesa. Por isso, seu presente tinha tanto valor. Era tudo o que ela tinha a oferecer...

Maria ficou tão grata, que mesmo já tendo quase concluído a arrumação da mesa, tirou tudo de novo somente para usar a toalha nova. Presente dessa outra mulher, que também se chamava Maria.

Uma outra menina, muito pobre, não tinha o que levar. Seus pais nem queriam deixá-la ir. Ela era bastante maltratada em casa. Seu nome era Míriam. Seus pais, com a desculpa de “educá-la para ser uma boa esposa” obrigavam a menina a trabalhar de sol a sol e batiam muito nela se alguma coisa não ficasse ao gosto deles. Precisou Maria interferir para deixarem a menina ir.

E ela foi de mãos abanando, porque eles não quiseram que ela levasse nada. Ela se apressou em ir logo, antes que eles mudassem de ideia. Tomou banho e colocou sua melhor roupinha. Um vestidinho de tecido encardido e sem graça.

Chorando, ela chegou na casa de Jesus com muita vergonha. Pediu se podia ajudar na cozinha, já que não tinha com o que contribuir. Maria recebeu a menina com um abraço e deixou que ela entrasse. Por uma noite ela não precisou trabalhar e foi tratada como criança. Ela foi autorizada a brincar!

As outras crianças foram chegando e os nervos de Maria foram se agitando! Cada um mais bagunceiro que o outro. Alguns nem tinham se lavado para jantar. Outros tinham até terra nas unhas! Que absurdo!

- Jesus – trate de dar conta dos seus amigos. Estão imundos! Ninguém entra na ceia desse jeito. Convença-os agora mesmo a se lavarem!

O menino Jesus prontamente acatou a ordem. Afinal, não era dia de contrariar a mãe! A barriga já roncava e o cheirinho de comida já cruzava a esquina. Um por um, os meninos e meninas foram lavando as mãos, o rosto e os pés.

No cantinho da sala de brincar, estava um pequeno. Seu nome era Jônatas. Ele não queria brincar, mas estava feliz de ter sido convidado apesar da sua condição. As crianças não tocavam nele. Somente Jesus lhe dirigia a palavra. Aliás, Jesus era o único amigo que o menino tinha. Ele morava nos muros da cidade afastado das demais pessoas. Alguns parentes de vez em quando lhe davam comida. Jônatas tinha lepra. Estava no comecinho, mas as manchas brancas e rosadas pelo corpo já provocavam o asco e a repulsa das pessoas.

Jesus pegou o menino pela mão e lhe disse: Hoje é um dia especial e você é meu convidado. Vou ajudá-lo a lavar as suas feridas. Enquanto Jesus lavava as mãos e os pés do pobrezinho, o menino se pôs a chorar. As feridas pareciam estar se dissolvendo no sabão. Sua pele voltou a ser macia e limpa. Ele ficou bom!

Todos limpinhos, cheirosos e curados, sentaram-se ao redor da mesa. Antes de avançar sobre os pratos, Jesus pediu aos amigos que todos dessem as mãos. Em seguida ele disse: Nós vamos agora fazer uma oração que meu pai me ensinou:

Pai nosso, que estais no céu. Santificado seja o vosso nome. Venha a nós o seu Reino e seja feita a vossa vontade. Assim na terra, como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém”.

José e Maria observavam atentos o comportamento do seu menino. Eles se abraçaram e sentiram os olhos cheios de lágrimas. Era um bom menino. Sabia fazer amigos. Era educado e grato a Deus. O que mais poderiam desejar?

Após o jantar, enquanto ajudava Maria na cozinha, a menina Míriam pediu se ela queria ser sua madrinha. Maria, emocionada, abraçou-a e disse que sim. E ainda lhe falou o seguinte:
- Eu não posso evitar que o mal lhe atinja. Nem impedir que outros te maltratem. Mas, sempre que estiver triste ou com medo, você pode encontrar refúgio em mim. Eu vou proteger você com meu véu se necessário. Eu me colocarei na sua frente, se preciso for. Estarei sempre com você. É só me chamar. 

Em seu íntimo, Maria pediu: Meu Deus, por que tantos pais maltratam seus próprios filhos? Ensinai-os a distinguir entre o certo e o errado. Entre disciplina e tirania. Entre caridade e maldade. Senhor, perdoai esses pobres pecadores. Que eles se arrependam agora, ou ao menos antes da sua morte. Amém!

Desde então, todos os anos Jesus continua convidando seus amigos para sentarem com ele à mesa e celebrarem mais um ano com amor. Cada amigo continua levando o que tem. E Jesus continua acolhendo a todos. 

Desde então, a Sagrada Família continua servindo de exemplo para o mundo. Eles nos ensinam como criar nossos filhos e como repartir o pão com quem não tem. 

E você? O que você levou de presente para Jesus este ano?

https://peregrinacultural.wordpress.com/2009/12/06/natal-e-reuniao-em-familia-quadrinha/

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Campeonato paraense de orientação - CAMPORI - Terceira etapa 26/08/18

Pois é. Onde eu vim parar.....no Pará!!!!!!

Rio Guamá - Belém

Aqui é longe de tudo o que eu conhecia. E perto de tudo o que ainda está por ser descoberto. Aliás, todo dia aprendo uma coisa nova. Já sei que o "oxi" do baiano aqui é "égua". Se for "oxi, oxi, oxi" é só dizer "éeeeeeegua" que todo mundo entende. Estou cada dia com o vocabulário mais rico de tacacás, tucupis, taperebás e curumucuris (essa nunca sai direito!). Moro entre Mundurukus e Muirapinimas. Descobri que amo café com tapioca e tucumã. Até conheci um inhame cor de açaí que é a raiz mais deliciosa que já provei! Já me sinto em casa!

O Sol é quente com força! Bate no alto da cabeça de tal forma que até a minha sombra se esconde do calor. Ando estranhando tanto a "caloria" que já dispensei algumas... Estou dois quilos mais leve. No corpo e na alma também.

Campus UFPA Guamá - repare no azul desse céu!
Para abraçar esse mundo novo, percebi que teria que me adaptar rápido. Desapegar de velhos hábitos e costumes. Construir novas amizades e descobrir novos caminhos.

Porém, mesmo esse desapego todo carece de uma âncora. A minha tem sido o esporte. Continuar a correr é a forma que encontrei de me manter conectada aos meus amigos que estão longe e à minha essência, que é de mato e de lama. 

Até que não foi difícil encontrar amigos que compartilham esse mesmo amor pelo esporte e pelo mato. Em menos de um mês, já estava nos grupos de whatsapp de ciclismo e de orientação aqui do Pará. Rolou até uma trilha no domingo passado, com uma galera muito bacana!

Os Brutos
Single trekking na mata


Tive uma pequena frustração porque vim para cá achando que seria fácil embalar a bike e continuar participando das corridas de aventura na Bahia. O primeiro baque foi quando me dei conta que não poderia ir para o Desafio dos Sertões este ano, porque a passagem é proibitiva e o tempo de deslocamento é fora da minha realidade. Chorei litros....e se falar sobre isso de novo, choro novamente. Quando a corrida chegar e eu vir minha turma se divertindo lá no sertão da Bahia, nas trilhas de Lampião, vou chorar de novo... lágrimas de saudade líquida...

Mas, isso não será motivo para sofrimento, tampouco razão para desistir! Afinal, somos Aventureiros do Agreste - Retroceder - Nunca; Render-se - Jamais; Divertir-se - Sempre!

E viva o Google! Graças a ele e ao Facebook, encontrei a equipe COARI e conseguimos nos inscrever na terceira etapa do campeonato paraense de orientação!

O local escolhido pelos organizadores foi o campus da UFPA em Guamá (Belém). Um lugar super agradável e bonito. Palco perfeito para a modalidade Sprint. O mapa foi muito bem feito e a prova toda organizada com muito carinho por Sr Barroso e Dona Graça. Aliás, com perdão do trocadilho, uma graça de casal! Fomos recebidos de braços abertos por eles.

No começo da prova, rolou aquele tradicional nervosismo. O percurso da largada até o prisma zero não estava balizado como eu estava (mal) acostumada. Assim, apesar das claras orientações dadas no briefing, corri direto da largada para o que eu pensava ser o prisma 1, para chegar lá e descobrir que na verdade ele era o 11 e que o primeiro prisma estava exatamente no lado oposto!
  • Lição número 1 - Se você é cegueta, trate de correr com seus óculos de grau.
  • Lição número 2 - De nada adianta ser o primeiro a chegar no lugar errado! (Essa é clássica)
  • Lição número 3 - PRESTA ATENÇÃO AO BRIEFING, CRIATURA!!!!!!
Bom, rindo de  mim mesma, com a cara escondida no mapa, pois estava morrendo de vergonha, voltei tudo de novo até o prisma zero, como tem que ser, e recomecei minha navegação. Mais calma e concentrada, consegui localizar os demais prismas sem dificuldades. O melhor desse esporte é que ele nos ajuda a ficar presentes. Com os pés no chão e a bússola afiada, usei bastante o azimute, o que me ajudou a não me confundir com as dezenas de prédios iguais do campus e localizar os prismas primorosamente posicionados.

Depois do primeiro perdido, tratei de puxar pela memória e lembrar das outras dicas dadas no briefing: Hum... parece que ele mencionou algo sobre cachorros que perseguem atletas e um tapume que não está no mapa...

Cachorros - adoro os meus. Tenho medo de todos os outros. Isso posto, tratei de dar uma distância segura de todos os que encontrei pelo caminho. Uns cinquenta metros pelo menos! Entre andar na linha do azimute e ganhar uma mordida de vira-lata, optei por dar uma volta maior. Vand não teve a mesma sorte. Precisou correr de uns dogs bem zangados, mas conseguiu driblá-los em tempo. Se fosse comigo, eu era capaz de abandonar a prova e sair correndo desvairada até a Bahia!

Tapume - essa foi fácil. Quando vi, fiquei até feliz, porque isso significava que eu estava no caminho certo! Agora era só transpor esse pequeno obstáculo. Afinal, aprendi nas Corridas de Aventura a passar entre cercas de 20 centímetros, buracos que só cabem uma cabeça e pular porteiras e muros de mais de metro....Estava muito animada de poder mostrar minhas habilidades aventureiras....Achei uma brechinha entre as tábuas e o mato e pluft! Num pulo já estava dentro do terreno, onde havia um curioso vigia a me observar. Notei pela visão periférica que ele ria enquanto me via caçando o prisma e falando sozinha. Na verdade, eu conversava com o mapa. E a gente estava se entendendo muito bem, por sinal.....

Na hora de sair para atacar o prisma seguinte, toda faceira me dirigi ao mesmo cantinho que usei para entrar, quando ouvi o vigia me dizer educadamente: - Olha, a saída é por ali... E me apontou um enorme portão de madeira... destrancado...que eu poderia utilizar sem nenhum esforço! Éeeeeeeegua! Não acredito!

Agradeci em meio a muitas risadas e parti para a próxima conquista.

O mapa estava tão preciso que dava gosto de navegar. O Sr Barroso está de parabéns! Mostrou-se um excelente mapeador e um experiente organizador de competições! 

Os competidores mostraram um ótimo nível. Eram precisos e rápidos, como convém a uma prova de Sprint. A prova foi bem disputada nas categorias masculinas. Havia um bom número de estudantes e militares na competição. Quanto às mulheres, ainda são poucas, porém todas muito competitivas. Confesso que teria trabalho para defender o pódio, se tivessem mais competidoras na minha categoria!

A experiência foi muito boa e já estamos ansiosos para a próxima etapa. Torcendo para que haja mais competidores nas nossas categorias, para que a disputa seja ainda mais emocionante. De qualquer modo, até que foi bem gostoso subir no lugar mais alto do pódio!





 Obrigada ao clube COARI por nos receber com tanto carinho!
Até a próxima!



Notas:
Azimute: Ângulo formado entre o Norte magnético e a direção que você pretende seguir. Ajuda a definir direção e sentido na Orientação.
Prismas: são pontos de controle que o orientista deve passar, numa ordem pré-determinada, no menor tempo possível para ganhar a prova.

domingo, 22 de julho de 2018

Desafio Ecotrail 2018 - Corrida de Aventura - 07 e 08 de julho

Desafio Ecotrail - Segunda etapa do campeonato baiano de corridas de aventura - 2018.


Dia 1 - 07 de julho de 2018 - 8 km de trekking

Para início de conversa, vamos esclarecer uma coisa: Trail Run é Trail Run, Corrida de Aventura é Corrida de Aventura e licuri é côco pequeno! Estamos entendidos???

Outro dia fui fazer uma pesquisa sobre corridas de aventura no Brasil e o google me trouxe vários exemplos de trail run.... Nada a ver!

Trail run é uma corrida realizada em circuito balizado. A distância é pre-definida, como numa corrida de rua. A diferença é que ocorre no mato. Você só precisa se preocupar em correr e se defender de galhos, poças de lama e desníveis, mas não tem como se perder. É uma delícia e recomendo para quem gosta de atividades ao ar livre.

Corrida de aventura é um esporte beeem mais complexo. Você deve ter habilidade para correr e pedalar na trilha, só que se orientando com um mapa e uma bússola. Seu objetivo é passar pelo maior número possível de PCs (pontos de controle) no menor tempo possível. No modelo tradicional, você correrá em uma equipe de 4 pessoas. Temos também a modalidade de duplas e muito raramente em solo (na Bahia essa opção não é comum. Ainda bem! Prefiro sempre correr em equipe).

Isso posto, vamos conversar sobre a "corrida do Tadeu", ou melhor, o Desafio Ecotrail de Corrida de Aventura

A "corrida do Tadeu" como carinhosamente apelidamos foi muito bem organizada. Veio para para inovar e celebrar os 15 anos do esporte na Bahia. Começando pela escolha do lugar (Tree Bies Resort) - um paradisíaco hotel em Subaúma, litoral norte do Estado. A outra inovação veio pelo modelo da prova. Divida em 2 etapas, na tarde de sábado enfrentamos um escaldante trekking de 8 km (para quem não errou na navegação.... o nosso deu uns 13!). No dia seguinte, tivemos a segunda etapa com o restante do trekking e trechos de montain bike pra lá de lindos! Cada PC contava um pedacinho da história da Corrida de Aventura Baiana.

Formei dupla com Andrea Ulm e corremos na equipe Penélopes do Agreste - galho feminino da árvore dos Aventureiros do Agreste. Optamos pela categoria Open (46 km. A categoria PRO teve 70 km). 

Para ser uma Penélope você precisa ser mulher. Com "M" de retada! Vai correr de batom e esmalte rosa e vai se jogar no mangue como se fosse um jacaré atômico.

Penélopes carregam a bike no ombro, rasgam mato, xingam palavrão e não têm medo de nada. Ainda assim, usam filtro solar, se ajeitam para o selfie e conseguem ser cheirosinhas mesmo depois de 10 horas de competição! Haja dove, rexona, boticários e companhia...
Ser Penélope é assim! Com o mapa nos dentes!
Ainda dá tempo de dar uns beijinhos no marido entre um PC e outro....😊😊😊😊

Um critério a mais que Andréia teve que passar foi aguentar meus gritos. Era "Bora Deaaaaaaaaaaaaaaa" a três por quatro. Nesse critériela tirou 10! A menina tem um controle emocional muito bom! Essencial para sobreviver na vida e no esporte de aventura. Vai se sair muito bem nas provas longas se mantiver a mente tão tranquila assim!

No sábado à tarde, precisamente às 13:00 tivemos a largada da primeira etapa. Tínhamos 10 PCs para caçar em areais, dunas, restingas e matas. Será que estava calor? Bem....Embora julho, é Bahia então...sim, estava um calor de lascar!

Navegando juntas, com foco nos detalhes, não tivemos dificuldades para achar o PC1. Conseguimos uma boa vantagem e saímos até na frente de várias "PRO". Estávamos muito atentas ao mapa e às referências. Nem sempre as distâncias batiam, mas a geografia ajudou bastante. Um morro, uma mudança na vegetação ou o leito de um rio logo nos ajudavam a voltar à trilha certa.


Estávamos muito empolgadas, pois batemos rápido o PC 1 e corremos atrás do segundo, que estava no alto de um cruzeiro. Não era difícil, só tinha um pântano no meio do caminho! Como ninguém aqui é de açúcar, tratamos de procurar o melhor ponto para atravessar e na ausência desse... atravessamos assim mesmo.
Tênis, roupa... tudo molhado e enlameado.... consegui salvar o celular, por que ao menos o rio não estava tão cheio. Passamos com água na altura da perna. Depois da lama, a pirambeira... Uma subidinha gostosa. Daquelas que você sobe de lagartixa e desce de skibunda...O visual porém compensou todo o cansaço. 

Agora era ir atrás do PC3.... O danado estava atrás de uma duna, atrás de uma trilha, atrás de um arbusto, muito bem escondido. Perdemos um tempinho refazendo a trilha umas dez vezes e contando passos repetidamente, até achar o sacana quase que pelo faro.


Esse PC me rendeu um pequeno susto. Enquanto eu farejava marcas de pé de gente, acabei achando uma cobrinha... Para minha sorte, ela estava ocupada se enroscando em outro animal que não deu tempo de identificar. Também não deu para fotografar, porque eu tratei de sair correndo bem rápido dali....

Refeita do susto e felizes por mais um PC batido, paramos para rever a estratégia. O PC 4 e o 5 estavam perto da chegada. O 7 estava por perto.... sem parar para pensar direito, fomos correndo atrás dele. A melhor referência era a casinha na beira da trilha. Dali, era só subir e farejar....Deu um trabalhinho, mas achamos também quase que pelo faro. A toda hora nos batíamos com a dupla Flor do Sertão e com as Caçadoras de Aventura. Essas meninas estão voando baixo e navegando horrores! Quem diria que teríamos tantas mulheres navegando tão bem! Muito orgulho!

Após pegar o PC7 deveríamos ter parado para pensar... Mas, a empolgação era tanta que seguimos esbaforidas atrás do PC8, batido sem dificuldades. Em seguida, também sem muito sofrimento, achamos o 9 e o 10.
Agora era voltar e pegar os PCs 4 e 5, que deixamos para o final por estarem perto da chegada....

Péra aí... Não está faltando nada não????

Andréa abriu o mapa e me chamou com a tranquilidade que lhe é peculiar....
- Lucyyyyy... fizemos uma merdinha....Esquecemos o PC6!

Putz! Lembrei do PC-13 da Noite do Perrengue, onde aconteceu exatamente a mesma coisa. Porém, lá não havia a pressão do tempo e pudemos voltar. Aqui, a história era diferente..... O PC estava muito longe e só tínhamos mais uma hora e meia.

Foi preciso fazer escolhas. E fizemos o que naquele momento nos pareceu o mais correto. Desistimos do 6 e fomos em busca dos outros dois. Tomaríamos uma punição de 5 minutos, mas ainda conseguiríamos finalizar dentro do tempo da prova.

A pressão do tempo, a chateação por ter esquecido o PC 6 e o cansaço atrapalharam um pouco a concentração. É difícil manter o foco o tempo todo, principalmente quando rola uma frustração. Até ali, ainda tínhamos chance de pódio. Agora... não mais.
Paciência! Quem sabe melhoramos na segunda etapa?

Na volta, procuramos muito pelo PC 5, mas só o que achamos foram as Flores do Sertão na nossa cola... de novo! Optamos por pegar somente o 4, já faltando 30 minutos para finalizar o tempo. 

Ainda tentamos procurar o danado nos minutos finais, mas não deu certo. 

Apesar desse contratempo, a primeira etapa foi muito legal. Fechamos o dia em quarto lugar e muito animadas para o dia seguinte.


Desafio Ecotrail - Segunda etapa do campeonato baiano de corridas de aventura - 2018.


Dia 2 - 08 de julho de 2018 - 12 km de trekking + 24 de mountain bike + 80 m de travessia

Organizada pelo educador físico e atleta Fernando Tadeu, essa corrida foi muito especial para mim. Ela representa o fim de um ciclo e o início de uma nova fase de vida. O mais legal é que minhas experiências como atleta de corrida de aventura na Bahia começaram e terminaram com o Tadeu. Com ele corri minha primeira prova, quando não sabia nem andar de bicicleta direito, tinha zero noção de navegação e morria de medo de boi...de cabrito...de cachorro...e de ladeira! Com ele, despedi-me da Bahia, mas não do esporte!

Digo isso porque o objetivo é continuar na Aventura até ficar bem velhinha. Aonde quer que eu vá, onde pousar minha sapatilha, a bússola há de me guiar ao rumo certo!

Por falar em bússola....

Tadeu e sua equipe nos proporcionaram momentos inesquecíveis em Subaúma. O jantar teve parabéns com bolo surpresa para a Cintia, homenagens para os atletas legendários e sobrou até pra mim....que não sou nem legendária nem aniversariante do dia...


Nem sei se Tadeu percebeu a simbologia do gesto dele. Um pouco antes do jantar durante os agradecimentos e homenagens ele mencionou que foi com ele que comecei minha vida de aventuras, na corrida Treinar Adventure de 2009. Ao final, ele me deu sua bússola. A sensação era de ter recebido a faixa preta de um mestre. Essa bússola será guardada como um troféu. Sempre olharei para ela para me lembrar quem sou e de onde eu vim. E sempre que vier a fraquejar, vou nortear minha bússola e seguir confiante para o meu destino. Muito obrigada, Tadeu!

"Eu quero apenas um vento forte...levar meu barco pro rumo norte..." (Roberto Carlos)

O domingo amanheceu fresquinho. Teve até uma garoinha para refrescar os atletas. A chuvinha me deu vontade de chorar. Afinal, era meu último domingo na Bahia. Daria adeus aos meus amigos, minha casa, meus cachorros e a Bárbara. Uma filha que já adotei grande e de quem vou sentir muitas saudades. Vou ficar ainda mais longe do meu filho e dos meus pais....não é fácil. Mas, tudo podemos transformar em coisas boas. E eu só quero coisas boas: Ações, experiências e lembranças! É isso o que importa de verdade!

Engoli o choro e preferi pensar que aquela era mais uma das muitas provas que ainda vou fazer. Na Bahia ou pelo mundo. Que meus amigos e minha família estarão sempre por perto. Afinal, hoje em dia não tem mais essa de distâncias. 

Na largada, as Penélopes estavam com a corda toda, mas todas as outras equipes também. Embolamo-nos no mato algumas vezes, mesmo assim, conseguimos colar nas campeãs diversas vezes. A disputa foi bem acirrada. Não foi moleza!

Ele não é uma graça??
No primeiro trekking do dia tivemos o apoio de um simpático anjo da guarda. Apelidado de "Legend", nosso amigo patudo corria, se jogava na água e apontava para os PCs feito um cão perdigueiro. Um amor de cachorro. Fiquei pensando em como esses bichos são bondosos. Ele acompanhou todo mundo sem distinção de cor, sexo ou equipe. E sem receber nada em troca, além de afagos!

Ele se divertiu nadando nos mangues e parecia estar muito feliz ali. Soube que é um cão de rua. Tomara que alguém adote o Legend. Ele é um ótimo companheiro. Carinhoso, esperto e inteligente!

Foi muito divertido achar os PCs do trekking com toda aquela lama fazendo "chop-chop no tenis. Na primeira travessia a água foi até o pescoço. Mais preocupada com o celular (não por ele propriamente dito, mas pelas fotos dos PCs), esqueci que do lanche e o mapa. Ficou tudo encharcado! Estraguei toda a comida do dia inteiro!!!!!

Aproveitei a transição para tomar uma água geladinha, trocar as sapatilhas correndo e sair pedalando o mais rápido possível. Afinal, estávamos na cola das amarelinhas, as flores do Sertão estavam coladas na gente e as duas duplas mistas dos Aventureiros também já estavam por perto. Santa embolação!

A dificuldade da bike ficou por conta das distâncias. Já passei por isso em outras provas. Não é raro acontecerem pequenas distorções quando o mapa é impresso. Dependendo da escala, essas distorções podem significar dezenas ou até centenas de metros. Nessa hora, o navegador precisa ser esperto e olhar as referências. Fizemos isso muito bem no começo da prova, quando achamos a trilha que beirava o rio antes mesmo das equipes PRO. No entanto, na etapa da bike não tivemos a mesma "maldade". Foi boa a experiência. Tenho certeza de que navegaremos muito melhor na próxima prova!

Após a transição, nosso primeiro desafio era encontrar uma casinha no alto de um morro. Parecia fácil, se não tivéssemos desviado uns sei lá quantos graus à esquerda. Perdemo-nos junto com as Caçadoras de Aventuras  que quase foram parar na BR. Depois de subir e descer a mesma trilha inutilmente e tentar atravessar um pântano intransponível com as bikes nas costas, finalmente achamos a passagem certa. 
A água deu na cintura, mas conseguimos passar com um sorriso no rosto e as bikes no ombro! Coisas de Penélopes!

Após atravessar o mangue ainda tinha um ladeirão infinito. Andrea não falou nada, mas pela cara dela estava incrédula de que aquele era o caminho certo. Então, eu me ofereci para subir e avisar lá de cima, se estivéssemos no lugar certo. Quando vi a casinha, fiquei tão feliz que me esqueci do cansaço. - Vem Deaaaaaaaaaaa! Ela também se animou e chegamos falantes e sorridentes no PC.
Somente lá é que me dei conta do estrago que estava a minha comida. Uma lama só! 

Ainda bem que Déa foi mais esperta que eu e ainda tinha alguma coisa seca para comer, o que me salvou o dia.

Lá, conhecemos uma simpática menina chamada Vitória, que se assustou ao nos ver sujas, enlameadas e pedalando morro acima...- Oxi, pensei que eram dois homis! 😂😂😂😂😂😂😂.

Decidi enxergar o lado cheio desse copo. Afinal, o que a fez pensar que éramos homens? Teria sido nossa coragem? Valentia? Jeito de pedalar? Demos boas risadas, enchemos nossos skeezes com água bical e tocamos para o próximo PC.

 O PC 7 era uma delícia de achar. Estava até bem fácil. Mas, a gente não queria mais saber de se perder. Para não errar mais, íamos conferindo ponto a ponto no mapa. Até que passou um quarteto voando por nós. Eles voaram com tanta certeza que me deu raiva! - Oxente, moço! Você sabe aonde está indo??? - ralhei, brava! - Claro que sim! - Respondeu ele rindo. - Tá ali na árvore! E não é que estava mesmo?
Depois dele, poderíamos pular direto para o 11, pois estávamos na prova open.

O PC 11 foi um dos mais gostosos de pegar. Ele estava no final de um single e ainda tinha uma maldadezinha. Um tronco atravessado no meio do caminho poderia dar a impressão de trilha errada, mas, sacamos a "verminagem" do mapeador, pulamos o obstáculo e logo em seguida achamos o último PC da perna de bike.

Na transição, tomei mais uma aguinha e decidi sair sem nada. Nem água nem comida. Afinal, eram só mais dois PCs. Eu ficaria mais leve, logo mais ágil. Era para ser rápido! Por acaso deu certo, mas não farei isso novamente. Pelo menos um pouco de água e uma porção de comida devem sempre ser levadas. É preciso contar com os imprevistos.

Mais uma vez, priorizamos as distâncias ao invés das referências e perdemos a entrada da trilha. O erro chegava a mais de 200 metros. Mesmo assim, após contar e recontar os passos e perseguir pegadas, decidimos cortar a duna na agrestia mesmo e finalmente achamos a trilha certa para o PC 13. 



Dali, para achar a trilha do PC 14 não foi tão difícil. Difícil mesmo foi achar a cabana. Até miragem coletiva a gente teve...

- Déa, acho que encontrei. Olha lá! -Tá vendo a cabana???? 
- Tô! Tô vendo sim!!!

E anda, anda..... na areia fofa e no sol escaldante.... Cadê a cabana???? Nada! Eu mentalizava uma casinha de madeira com telhado tipo meia água.... e era isso que eu procurava. 

Havia muitas pegadas de tênis na areia, dando a entender que muitos atletas passaram por ali. Mas, nada de cabana. A essa altura, Andrea perscrutava todo o areal e eu, teimosa, seguia em frente, conforme me mandava o azimute. Até que ouvi Andrea gritar pela primeira vez! - Lucyyyyyyyyyyy! Achei!


Gente, aí eu corri! Os pés afundavam na areia. Eu estava morrendo de sede, mas não tem energético melhor que a frase " Achei o PC!". Quando vi, confesso que fiquei meio decepcionada. Era uma choupana de palha. Parecida com a que teve no Desafio dos Sertões... nada a ver com minha imagem mental.... O nome do PC não podia ter sido melhor!


Como a dificuldade foi igual pra todo mundo, a corrida foi justa. Ganhou quem navegava melhor ou tinha mais fôlego para se recuperar dos erros mais rapidamente. Nós competimos muito bem PC a PC. Foi uma prova muito disputada e muito bem feita. O cuidado na montagem doa percursos e no nome dos PCs foi um ponto alto.

A inovação ficou por conta das camisas amarelas. Adorei a ideia. As equipes que lidraram a primeira etapa, ganharam uma camisa amarela. Como é feito no Tour de France. Foi muito legal!

A prova transcorreu com leveza. Em clima de amizade e diversão, como tem que ser.

A parceria com Andrea foi muito boa. Ela é paciente e focada. Ouve opinião e compartilha decisões. É muito bom correr com quem navega e sabe escutar. Assim, cada erro e acerto são da equipe. Fizemos o nosso melhor.

Penélopes do Agreste

Espero corrermos juntas novamente!

Parabéns Tadeu e equipe pela organização da prova e muito obrigada pela homenagem.
Parabéns aos Aventureiros do Agreste pelos pódios
Parabéns às equipes femininas Caçadoras de Aventuras (grandes campeãs) e as Flores do Sertão pelo espírito esportivo, combatividade e valentia.

Todos estamos de parabéns!

Vem aí o Desafio dos Sertões 2018 - nas trilhas de Lampião... 

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Andaluzia de bici - Etapa 4 - Tarifa


Confesso que nem sabia da existência de uma cidade com esse nome. Certamente meus professores a mencionaram no capítulo da Expansão Árabe, mas eu me olvidei totalmente. Devia estar colando figurinha da copa nessa aula...

Tarifa é uma cidadezinha muito simpática. Descobri ao chegar que é a capital do kitesurf. Vem gente de muitos países para praticar aqui, graças ao vento constante e às praias. Também é um ótimo lugar para o mountainbike. Tem muitas trilhas e é bem fácil alugar bici. Vi umas "Scott" que, a medir pelo teor de lama, devem ter se divertido muito!

Nosso objetivo em Tarifa era dar uma pausa no pedal e fazer um "pitstop" do outro lado do Estreito. Até agora, já acumulamos 85km de bike e 40 km de trekking. Nada mal, para quem está de férias!!!😉

Se eu conhecesse (ou se tivesse estudado melhor o lugar) teria reservado mais tempo. Fiquei encantada com as possibilidades de trilhas que a cidade oferece. Uma rara combinação de mar e montanha. Vale a pena explorar.

Mesmo com pouco tempo, fizemos uma longa caminhada pela praia. Foram 10km sobre pedras, areia fofa, uma vista deslumbrante e um espetáculo colorido de kitesurfs cosmopolitas.





Fizemos um lanchinho em um bar na cidade. Estranhamente quase não achei opções vegetarianas. Veganas então, nem pensar. O que ouvi de "tem salada", "tem peixe" e "tem frango" foi pra lá de irritante! Consegui me virar com um pãozinho torrado que veio com queijo e nozes e um café. Até que estava bom....😊.

Jardim Hotel Punta Sur
Depois do lanche, fomos descansar da caminhada no hotel. Aqui, vale uma propaganda. Escolhemos pelo Booking, meio em cima da hora, mas foi uma agradável surpresa. Ficamos no Hotel Punta Sur. Fica antes da entrada da cidade, mas dá para chegar na vila de trekking ou de carro.  Nós fomos a pé pela praia e voltamos de taxi. A corrida dá uns 10 euros.

À noite, uma revoada de pássaros veio se reunir em uma árvore em frente ao nosso quarto. Pela manhã cedinho, voltaram ao mesmo ponto. Dormir e acordar com os sons da natureza é não só relaxante, mas sem dúvida terapêutico.

Eu prestei muita atenção aqueles sons, pois queria que ficassem gravados na minha memória para sempre. Agora mesmo, se fechar os olhos, quase posso ouvir o som do vento e daqueles pássaros.

Outra coisa que me chamou a atenção foi a quantidade de cataventos. Com ventos moderados, mas constantes ao longo do ano, parece um lugar perfeito para gerar energia. O parque eólico de Tarifa foi inaugurado em 1993 e na época era o maior da Europa, com produção anual capaz de atender 25 mil famílias (dados: El País)

Tem tanto vento.... que dá para estocar.......sob a forma de MW, né gente?!

Moinhos de vento - Tarifa
Moinhos de vento  - Tarifa

Amanheceu e eu estava faminta. Aliás, tudo o que tenho feito nessas férias é pensar em comer...estou parecendo aquelas estampas de camisetas....
Popular estampa de camiseta - #merepresenta
Pegamos o barco para Tangier às 11:00, sem ainda saber se conseguiríamos alcançar nosso objetivo no Marrocos: conhecer Marrakesh..... Vamos pisar pela primeira vez em solo africano. A expectativa é alta! #PartiuMarrocos... Até breve!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Andaluzia de bici - etapa 3 - Cádiz

Nosso terceiro trecho foi na pequena Cádiz

Cádiz (ou Cádis, pelo novo acordo ortográfico) é uma cidade portuária, fundada lá por 1100 a.c. pelos Fenícios. É um importante entreposto comercial desde os tempos mais remotos. Chegou a rivalizar com Sevilha e tomou seu lugar como sede da "Casa da Contratação" - Uma espécie de sede do controle alfandegário da Espanha.

Catedral de Cádiz
Rivalidades à parte, achei Cádiz uma delícia. Um cheirinho de mar com temperos, muitas cores, muita luz e um Sol vibrante capaz de energizar até os seres mais melancólicos do universo. Não há como ficar triste, muito menos parado!
A primeira tarde foi passeando a pé. Foram 7km de belas paisagens, parques e monumentos.

O segundo dia foi usado para explorar a cidade de bike. Alugamos duas bicis de montaña com um simpático lituanês e nos aventuramos no meio de ruas estreitas e pedestres distraídos.

A cidade tem poucas ciclovias e quase nenhuma regra. Excetuando que não se pode pedalar na contramão, o resto vale tudo. Pedalar na calçada é a Lei! A cidade está em obras e há ciclovias no novo projeto urbano. Acho que quem vier no ano que vem vai encontrar uma cidade bem mais bike-friendly.

A cidade parece uma "mãozinha" aberta sobre o mar. Era chamada pelos marinheiros de "La tacita de plata" pelo brilho que refletia na direção dos navios.

Fizemos a volta toda, passando por todas as linhas coloridinhas, que são as rotas de interesse turístico. Muitas pausas para tirar fotos e ficar admirando esse lugar mágico.
À tardinha, demos uma esticada mais ao Sul até o "Paseo Maritimo" com suas belas praias, gente colorida e muito espaço para pedalar, caminhar ou simplesmente contemplar a natureza.

O trecho total de bike foi de 25km. Não é muito, mas foi suficiente para conhecer os melhores pontos turísticos. Cádiz me encantou. Comida boa, pessoas simpáticas e um visual lindo. Vi na internet que Cádiz é cidade irmã de São Pedro da Aldeia, outra simpática vila do litoral do Rio de Janeiro (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Cádis)

Aqui tem outro descritivo legal da cidade: https://losviajesdepepa.com/2016/06/06/cadiz-la-tacita-de-plata/

Entardecer Playa Victoria
Puerta de Tierra
Passeio pela bicivía. Vista para a catedral
Mercado municipal
La Perla
Buen Camino