terça-feira, 28 de agosto de 2018

Campeonato paraense de orientação - CAMPORI - Terceira etapa 26/08/18

Pois é. Onde eu vim parar.....no Pará!!!!!!

Rio Guamá - Belém

Aqui é longe de tudo o que eu conhecia. E perto de tudo o que ainda está por ser descoberto. Aliás, todo dia aprendo uma coisa nova. Já sei que o "oxi" do baiano aqui é "égua". Se for "oxi, oxi, oxi" é só dizer "éeeeeeegua" que todo mundo entende. Estou cada dia com o vocabulário mais rico de tacacás, tucupis, taperebás e curumucuris (essa nunca sai direito!). Moro entre Mundurukus e Muirapinimas. Descobri que amo café com tapioca e tucumã. Até conheci um inhame cor de açaí que é a raiz mais deliciosa que já provei! Já me sinto em casa!

O Sol é quente com força! Bate no alto da cabeça de tal forma que até a minha sombra se esconde do calor. Ando estranhando tanto a "caloria" que já dispensei algumas... Estou dois quilos mais leve. No corpo e na alma também.

Campus UFPA Guamá - repare no azul desse céu!
Para abraçar esse mundo novo, percebi que teria que me adaptar rápido. Desapegar de velhos hábitos e costumes. Construir novas amizades e descobrir novos caminhos.

Porém, mesmo esse desapego todo carece de uma âncora. A minha tem sido o esporte. Continuar a correr é a forma que encontrei de me manter conectada aos meus amigos que estão longe e à minha essência, que é de mato e de lama. 

Até que não foi difícil encontrar amigos que compartilham esse mesmo amor pelo esporte e pelo mato. Em menos de um mês, já estava nos grupos de whatsapp de ciclismo e de orientação aqui do Pará. Rolou até uma trilha no domingo passado, com uma galera muito bacana!

Os Brutos
Single trekking na mata


Tive uma pequena frustração porque vim para cá achando que seria fácil embalar a bike e continuar participando das corridas de aventura na Bahia. O primeiro baque foi quando me dei conta que não poderia ir para o Desafio dos Sertões este ano, porque a passagem é proibitiva e o tempo de deslocamento é fora da minha realidade. Chorei litros....e se falar sobre isso de novo, choro novamente. Quando a corrida chegar e eu vir minha turma se divertindo lá no sertão da Bahia, nas trilhas de Lampião, vou chorar de novo... lágrimas de saudade líquida...

Mas, isso não será motivo para sofrimento, tampouco razão para desistir! Afinal, somos Aventureiros do Agreste - Retroceder - Nunca; Render-se - Jamais; Divertir-se - Sempre!

E viva o Google! Graças a ele e ao Facebook, encontrei a equipe COARI e conseguimos nos inscrever na terceira etapa do campeonato paraense de orientação!

O local escolhido pelos organizadores foi o campus da UFPA em Guamá (Belém). Um lugar super agradável e bonito. Palco perfeito para a modalidade Sprint. O mapa foi muito bem feito e a prova toda organizada com muito carinho por Sr Barroso e Dona Graça. Aliás, com perdão do trocadilho, uma graça de casal! Fomos recebidos de braços abertos por eles.

No começo da prova, rolou aquele tradicional nervosismo. O percurso da largada até o prisma zero não estava balizado como eu estava (mal) acostumada. Assim, apesar das claras orientações dadas no briefing, corri direto da largada para o que eu pensava ser o prisma 1, para chegar lá e descobrir que na verdade ele era o 11 e que o primeiro prisma estava exatamente no lado oposto!
  • Lição número 1 - Se você é cegueta, trate de correr com seus óculos de grau.
  • Lição número 2 - De nada adianta ser o primeiro a chegar no lugar errado! (Essa é clássica)
  • Lição número 3 - PRESTA ATENÇÃO AO BRIEFING, CRIATURA!!!!!!
Bom, rindo de  mim mesma, com a cara escondida no mapa, pois estava morrendo de vergonha, voltei tudo de novo até o prisma zero, como tem que ser, e recomecei minha navegação. Mais calma e concentrada, consegui localizar os demais prismas sem dificuldades. O melhor desse esporte é que ele nos ajuda a ficar presentes. Com os pés no chão e a bússola afiada, usei bastante o azimute, o que me ajudou a não me confundir com as dezenas de prédios iguais do campus e localizar os prismas primorosamente posicionados.

Depois do primeiro perdido, tratei de puxar pela memória e lembrar das outras dicas dadas no briefing: Hum... parece que ele mencionou algo sobre cachorros que perseguem atletas e um tapume que não está no mapa...

Cachorros - adoro os meus. Tenho medo de todos os outros. Isso posto, tratei de dar uma distância segura de todos os que encontrei pelo caminho. Uns cinquenta metros pelo menos! Entre andar na linha do azimute e ganhar uma mordida de vira-lata, optei por dar uma volta maior. Vand não teve a mesma sorte. Precisou correr de uns dogs bem zangados, mas conseguiu driblá-los em tempo. Se fosse comigo, eu era capaz de abandonar a prova e sair correndo desvairada até a Bahia!

Tapume - essa foi fácil. Quando vi, fiquei até feliz, porque isso significava que eu estava no caminho certo! Agora era só transpor esse pequeno obstáculo. Afinal, aprendi nas Corridas de Aventura a passar entre cercas de 20 centímetros, buracos que só cabem uma cabeça e pular porteiras e muros de mais de metro....Estava muito animada de poder mostrar minhas habilidades aventureiras....Achei uma brechinha entre as tábuas e o mato e pluft! Num pulo já estava dentro do terreno, onde havia um curioso vigia a me observar. Notei pela visão periférica que ele ria enquanto me via caçando o prisma e falando sozinha. Na verdade, eu conversava com o mapa. E a gente estava se entendendo muito bem, por sinal.....

Na hora de sair para atacar o prisma seguinte, toda faceira me dirigi ao mesmo cantinho que usei para entrar, quando ouvi o vigia me dizer educadamente: - Olha, a saída é por ali... E me apontou um enorme portão de madeira... destrancado...que eu poderia utilizar sem nenhum esforço! Éeeeeeeegua! Não acredito!

Agradeci em meio a muitas risadas e parti para a próxima conquista.

O mapa estava tão preciso que dava gosto de navegar. O Sr Barroso está de parabéns! Mostrou-se um excelente mapeador e um experiente organizador de competições! 

Os competidores mostraram um ótimo nível. Eram precisos e rápidos, como convém a uma prova de Sprint. A prova foi bem disputada nas categorias masculinas. Havia um bom número de estudantes e militares na competição. Quanto às mulheres, ainda são poucas, porém todas muito competitivas. Confesso que teria trabalho para defender o pódio, se tivessem mais competidoras na minha categoria!

A experiência foi muito boa e já estamos ansiosos para a próxima etapa. Torcendo para que haja mais competidores nas nossas categorias, para que a disputa seja ainda mais emocionante. De qualquer modo, até que foi bem gostoso subir no lugar mais alto do pódio!





 Obrigada ao clube COARI por nos receber com tanto carinho!
Até a próxima!



Notas:
Azimute: Ângulo formado entre o Norte magnético e a direção que você pretende seguir. Ajuda a definir direção e sentido na Orientação.
Prismas: são pontos de controle que o orientista deve passar, numa ordem pré-determinada, no menor tempo possível para ganhar a prova.