domingo, 18 de novembro de 2012

Vegetariana


Não, obrigada. Sou vegetariana.

Por quê? Está doente? 

São as primeiras perguntas que escuto.  As seguintes usualmente são: Mas nem peixe? E frango? Ah, esse você vai gostar: É de camarão (!) Você pode comer bacalhau?

Gente, não se trata de poder ou não poder! É de Querer que estamos falando!

É bem difícil entender a cabeça de um vegetariano, mesmo!. E olha que nem sou tão radical assim. Em geral, acho graça e respondo com educação: Obrigada querido (a), mas eu não como animais!

Sem pregações, sem proselitismo. Não é uma questão de poder ou não poder comer carne. É só uma escolha. Como tantas outras que fazemos ao longo da vida. Respeito a sua. Respeite a minha!

Decidi ser vegetariana em abril de 2011. Nem faz tanto tempo assim. Foi a conclusão de um processo que levou anos. Começou em 2005 quando decidi que um dia pararia de comer carne. Ainda me considero em transição, já que não parei nem com o leite nem com os ovos. Ainda não sei quando vou parar ou se vou parar. Seria bem mais difícil, já que teria que preparar toda minha comida em casa. 

Provavelmente me tornaria bastante antipática perante os outros. Como recusar aquele bolinho feito por uma colega do trabalho e que parece tão apetitoso? E os docinhos do aniversariante do mês?
Logo eu que adoro bolo, sorvete, pão caseiro, chocolate e outras guloseimas... Não... Acho que ainda não evoluí o bastante. Peço licença às vacas e galinhas pelo mal que lhes estou causando e continuo a comer meus bolos...E os que os outros me oferecem também.

Aliás, comer é um dos grandes prazeres da vida. É tão bom, né?

Outro dia uma amiga me chamou para sair. Fomos ao Outback do shopping Iguatemi - Salvador.  Mas, criatura, o que uma vegetariana convicta faz no paraíso da costela de porco?

Foi ótimo! Além da conversa, que poderia ser até no banco da praça que seria tão boa quanto, encontrei ótimas opções no cardápio. Chá gelado, smashed potatoes – vem com queijo e alho. É só pedir para não colocarem bacon que fica perfeita. Tem também uma porção de brócolis na manteiga que é algo perto do divino. Tudo delicioso e um atendimento de primeiro mundo. Fiquei surpresa. Não esperava tanto.

Já em outros lugares, nem sempre é tão bom. Na “Sombra da Mangueira” – em Diogo – Litoral norte da Bahia – quase não há alternativas. Apesar de o local estar na lista dos bicho-grilos e o restaurante ter toda uma atmosfera bucólica, o cardápio é pobre. São as mesmas opções de sempre: moqueca ou peixe frito. Como os acompanhamentos e petiscos de sempre. Confesso que me decepcionei. O lugar é lindo, mas o que se come lá, se acha em qualquer lugar. Não surpreende. Não encanta. A salada de legumes varia a depender do estado de ânimo do cozinheiro. Uma vez me deram chuchu, cenoura, tomate e cebola. Odiei! Dei-lhes uma segunda chance e melhorou um pouco. Veio abóbora e vagem! Tudo cozido na água e sal.

Esse é um erro comum dos restaurantes. Pensam que quem come legumes está doente, e por isso, nos servem comida de hospital. Água e sal!! Muitas vezes só água, porque pensam que não podemos comer sal.

Vegetariana! Por quê? Está doente? Ai, ai...

Na Torre de Pizza – Lauro de Freitas – BA pedi uma sugestão de salada. Tomei um susto quando vi um prato do tamanho de uma pizza família com repolho e alface!!

Hello!!!  Sou vegetariana, não uma hipopótama! Acho que pensam que para alimentar o cliente o prato de salada tem que ter o mesmo peso de um de picanha! Foi um desperdício. Além de muito, estava ruim. Não consegui comer nem um terço. Foi tudo para o lixo. O que me deixou péssima, pois detesto estragar comida. Nunca mais voltei lá. 

Mas, nem tudo está perdido. Soube que há um restaurante famoso em Salvador que é muito bom. Chama-se “Saúde na Panela” e tem muitas opções gostosas. Ainda não fui, mas estou curiosa para experimentar.

Na Praia do Forte também é possível achar comida veggie. Eu provei uma moqueca de banana da terra que era a coisa mais maravilhosa que o dendê já fez. Pena que não lembro o nome do restaurante. Mas, é fácil de achar. Fica ao lado de uma loja de pedras semipreciosas de um argentino muito simpático.  

Mas o melhor mesmo é a boa e velha comidinha caseira. As possibilidades de combinações são infinitas. Do espaghetti ao alho e óleo ao risoto al funghi. Do Omelete au quattre fromages à feijoada sergipana. Do cuscuz ao pão caseiro. Huummm.... E mais gostoso ainda é quando você faz disso um momento de lazer com quem você gosta. Aí fica perfeito mesmo!

A vida vegetariana não tem nada de sem graça como dizem. Pelo contrário. É nutritiva, colorida e muito gostosa. Estou curtindo e não pretendo parar.

Meu tempo, Agora


Meu tempo, Agora!
Os fantasmas ainda me atormentam. As vozes, os ecos do passado. Ainda ouço seus gritos. Dizendo dores, cuspindo culpas, doendo coisas que não existem mais...

Meu tempo, Agora!
Quero ficar momentaneamente surda. Quero acender a luz. Quero que as coisas se dissolvam no ar. Quero ouvir as cores e ver o silêncio. Subverter a ordem. Quero gritar!

Um grito surdo que ecoe nos ouvidos de todos eles. Que diga que estavam errados. Que mereço viver. Que mereço ter tudo. Que mereço ser o que eu quiser. Que mereço ser livre e feliz.

Não! Não devo nada a você – Passado. Cruel. Injusto. Tirano. Você estava errado desde o começo. Eu venci. Pulei a janela da catedral, e apesar de suas ameaças, encontrei afeto. Eu não sou Quasimodo. E mesmo que fosse, eu ainda poderia viver sem você. Eu posso viver comigo. E posso ter amigos. E posso ter amor.

Meu tempo, Agora!
Quero que o passado se cale!
Eco, fantasma, monstro do armário. Don Giovanni! Você não existe!!

Silêncio, agora! Preciso escutar meu coração. Ele bate descompassado e ansioso. Não quer chegar atrasado no compromisso que assumiu comigo, no momento em que eu nasci.
Já perdemos tempo demais.

Meu tempo, Agora!
E agora quer dizer neste minuto exato. Quero estar aqui. Comigo, com amigos, com você! Você, Presente. Você que existe de verdade. Visível, real, tocável, sentível. Quero olhar no fundo dos seus olhos e ver um reflexo cristalino de mim. Sem sombras, sem dor, sem medo.

Meu tempo, Agora!
Eu lhe convido a viver. Andar descalço pela rua. Correr sobre folhas secas. Rir de si mesmo. Diga para eles, meu tempo, que a criança sem afeto não será o adulto perdido! Diga para eles que o passado é mentiroso. Diga que não é nada disso, e que eu venci!

Diga para eles. Mas, diga bem alto que eu quero escutar!
Vamos desafiar a matemática! Quero que a probabilidade se exploda em mil números coloridos.
Vamos fugir de moto. Deitar na grama, rolar no chão. Vamos sorrir e brincar. Vamos voltar suados, cansados e felizes. Vamos viver tudo de novo?

Meu tempo, Agora!
Me leve no tempo. A escorregar em tobogãs imaginários. A correr sobre estradas de chão, montanhas, areia da praia. A ouvir o riso alto das crianças e o risinho abafado dos namorados.

Me leve contigo. Aonde lembranças dolorosas não vão mais doer. Aonde o passado perdeu o chicote. Aonde há afeto e abraço. Aonde a criança encontra colo. Bolinho assado no forno. Historias para contar.

Meu tempo, Agora!
Me leve contigo. Mas, segura bem forte a minha mão, para que eu não queira voltar atrás. Seja firme comigo. Não me deixe vacilar. Grite aos meus ouvidos que é pra frente que se anda. E me ensina a perdoar. 

domingo, 11 de novembro de 2012

Hoje não quero café. Quero Segurança!

Novembro violento.

Este mês que nem chegou ao meio já me trouxe diversos casos de assalto com amigos próximos ou com amigos de amigos.

Um casal de amigos é assaltado a mão armada. Levam o carro e os pertences.

Uma amiga é assaltada em frente a um mercado super movimentado. Apontam uma arma para sua cabeça, levam seu carro e quase a levam junto.

Uma amiga posta no facebook que ao tentar ajudar uma senhora que acabara de capotar o carro termina por presenciar um assalto. O bandido leva a bolsa da senhora que já devia estar assustada com o acidente.  Alguém grita da janela do edifício para a cidadã que tenta ajudá-la: Saia daí!! Esse lugar está cheio de bandidos!!

Deus sabe como essa vida chegou em casa!

Uma pessoa é atropelada ou bate o carro. Outro se aproxima... para roubar-lhe o relógio ou o celular.

Todos os cidadãos acima vão à delegacia prestar queixa. Invariavelmente, as celas estão cheias e há meliantes sentados pelo chão, escoltados por guardas armados. Os meliantes lhes olham nos olhos. Ameaçadores. Você, ali, de cara limpa, tenta registrar queixa.

É obrigado a falar seu endereço em voz alta, pois a delegacia é barulhenta e o policial é meio surdo. Os bandidos ouvem seu nome, seu endereço e sabem detalhes da sua vida: Número dos documentos, telefone, sua cara e seu medo....

Depois de preencher um pedaço de papel, o policial lhe diz para voltar amanhã, porque o sistema está fora do ar ou o delegado de plantão não veio. Você volta amanhã, depois e depois. O boletim fica pronto depois de 15 dias e o policial lhe desilude: Não tenha esperança de recuperar seus pertences. A essa altura, já foram vendidos.

Como se não bastasse, você ainda ouve sermão do policial: "Minha senhora, aquela área é perigosa. Todo mundo sabe disso. O que a senhora fazia ali sozinha?" "Minha senhora, não ande mais com o vidro aberto". "Minha senhora, não use brincos. Não use relógio. Não use bolsa".

Compre um cachorro. Ponha tranca no portão. Não saia de casa. Não tenha bicicleta bonita...

Há policiais ganhando dinheiro fazendo palestras para lhe ensinar a evitar o ladrão... Por que eles mesmos não evitam o crime? Não é para isso que são pagos?

Seu carro foi para o desmanche e o seguro não quer pagar, porque acha quer você está fraudando... A moça foi estuprada.... porque estava de saia curta... porque estava sozinha num local escuro... porque homem é assim mesmo. Afinal, ele estava bêbado! Ou, quem sabe, ela estava bêbada e por isso ele achou que ela consentia....

Até quando?

Adoro meu país, meus amigos, minha família e meu emprego. Mas, são situações como essas que me dão vontade de ir embora. Isso não é um país. É um mangue (no sentido baiano da expressão)!!!

Já chega gente! Se o Governo não faz nada, temos nós que fazer alguma coisa. Ainda não sei o quê, mas estou pensando a respeito.

Não - não vou combater espada com a espada. Não acredito nisso. Acredito em educação, em bons modos e em Justiça. Mas, confesso que estou me sentindo impotente para resolver essa situação.

Se alguém aí tiver alguma ideia, compartilhe! Eu estou aceitando sugestões.