domingo, 29 de agosto de 2010

Quando se quer bem.

As vezes eu me perguntava se realmente havia amado alguém. Tive muitas paixões súbitas. Daquelas em que o coração parece que vai sair pela boca só de ouvir o telefone tocar. Daquelas em que a gente fica com cara de boba lendo um e-mail ou vendo uma foto. Eu me questionei se eu amava o indivíduo ou a ideia do amor. Como Platão. Sonhando com a perfeição e projetando uma imagem irreal no outro. Sem querer enxergar a realidade. O fim era sempre o mesmo. Uma profunda e dolorosa decepção. Comigo mesma. Por ter sido tão tola.

Há tantas frases feitas para descrever o amor. Há tantos poemas. Tantos dramas. Mas no fim, tudo redunda no mesmo. Gosto do poema do Luiz de Camões. É ferida que dói e não se sente. É um contentamento descontente. Tão contrário a si é o mesmo amor...

Concluo que amei sim. E muito! Na maioria das vezes, amei uma ideia. Um super-homem. Um herói. Acordei vendo que a fantasia era grande demais para o homem de carne e osso que se punha diante de mim. Pobres homens. Não tiveram culpa por meus devaneios.

Hoje eu amo. E hei de amar para sempre. Por que o que vejo diante de mim é um ser humano. Com toda a complexidade e riqueza que pode existir no mundo. Acertando. Errando. Falando português errado e relaxado, mas nem por isso, menos culto. Tendo dúvidas e medos. Sendo forte, como convém a um homem. Sendo frágil como também lhe convém. É um homem. É um menino. É tudo junto ao mesmo tempo.

Aprendi a aceitar as pessoas como elas são. Aprendi que amar não é cegar-se aos defeitos. Mas reconhecê-los, compreendê-los e até achar graça neles. Aliás, defeitos não existem. São características que tornam cada pessoa diferente da outra. Amar é não fazer comparações.

Está certo também o apóstolo. O amor não é egoísta. É generoso. É paciente e bondoso. É difícil amar assim. Sabendo que o outro não é meu. Não lhe tenho posse. Nada posso esperar em troca. Apenas desejar que me ame também. Não posso exigir fidelidade ou cobrar compromisso. Aliás, nada posso cobrar.

Você está livre e o que o prende a mim é só a sua vontade. Não lhe peço nada. Também nada posso te dar. Amar assim é só sentir. É a mais pura liberdade. Te quero feliz. Te quero bem. Perto ou longe de mim. Quisera fosse perto, mas se a distância é nosso destino, devo engolir a dor e seguir vivendo. E ser feliz também.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quando eu tiver 90 anos

Quando eu tiver noventa anos.
Quero dançar. Quero pintar. Quero escrever.
Serei avó de duas meninas. Lindas.
Vou contar histórias. Pintar e bordar. Dançar e cantar. Até que a voz me traia.

Quando eu tiver noventa anos
Já não terei pressa.
Meus cabelos espessos serão brancos e meu filho vai rir das minhas piadas.
Minha casa será cheia de plantas. E de gente

Quando eu tiver noventa anos
Vou convidar você para um chá.
Vou assar um bolo de laranja.
Vamos conversar sobre o passado. Sobre o presente. E sobre o futuro.

Quando eu tiver noventa anos.
Serei uma bela avó e terei vivido tudo. Intensamente

Estarei pronta pra virar semente. Vou morrer dormindo. E sorrindo.
Lembrando de você.