sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Efeito Borboleta - Reeditando em homenagem a Elis e ao Ricardo

Hoje fiz uma viagem no tempo. Viajei até a época em que eu adorava a Elis Regina.

Eu me vi lá no meu passado com meu amigo, cantando "Como nossos pais". Ele me dizia, como sempre, que eu estava desafinando. No início, ficava chateada. Depois, nem ligava. Cantava com a alma. Como a Elis.

Eu tinha 15 anos!

Então, eu, de 37, resolvi me aproximar. Quando vi aquela cena... " cabelo ao vento, gente jovem reunida", vi tanta luz. Tanta cor. Tanta alegria de viver.

Cheguei perto de mim e disse: Não tenha medo. Você vai vencer. Toda a sua dor vai passar. Vai virar poeira da estrada. E esse cara aí com você é um dos poucos amigos que vão resistir ao tempo.

Você é linda e tem uma bela voz. Cante com força, seja feliz. Namore muito. Brinque! Dance! Mas, não se entregue demais. Saiba se preservar um pouco. Ame na medida em que for amada. Mas não tenha medo de amar. Não tenha medo de se arriscar. Se errar. Tente de novo.

Meu bom amigo. Escreva seu livro, faça seu filme. Publique suas poesias e monte o mural quantas vezes for necessário. Você é um artista. E os artistas nem sempre são compreendidos.

Eu sorria olhando aquela mulher adulta me dizendo aquelas coisas. Pensei que eu fosse louca. Mas, me achei divertida. Quis acreditar no que eu disse e cantei com força. Ricardo olhava para ela com admiração também. Ela parecia tão decidida. Tão senhora de si. Tão bem resolvida. Tão feliz!

Comecei a cantar também. Com a alma, como Elis. E desafinei. Exatamente na mesma nota. Como eu fazia quando tinha quinze anos.