This little light
o’mine.. I’m gonna let it shine. Let it shine. Let it shine. Let it shine…
E o Natal começou assim. Sorridente, musical. No conforto do
sofá, no aconchego da cozinha. Tudo perfeito. A comida cheirando no forno. A
casa limpa. As plantas regadas.
A mesinha pequena teve uma ceia bem simples. Pãozinho,
panetone, suco de uva, rosca natalina. Presentinho. Nada de mais. Nem de menos.
Apenas o suficiente.
Eu estava feliz com meu Natal sustentável. Sentia-me bem
comigo e com o mundo.
Foi quando me atrevi a olhar pela janela e não gostei do que
vi. Aqui, de dentro do conforto da sala de jantar, havia me esquecido de como é
o mundo lá fora.
Tiros, bombas, crianças com fome. Drogas, violência. Gente
sofrendo. Meninos armados. Pais que acorrentam o próprio filho dentro de casa
para protegê-lo dele mesmo e do crack.
Olhei de volta para minha mesinha simples e fiquei
triste. Eu achava que tinha feito minha
parte. Repartimos o pão e as roupas com quem tinha menos que nós. Oramos a Deus
pelos menos afortunados e agradecemos pela nossa saúde. Cumprimentamos os
amigos. Enviamos mensagens pelo facebook...
Mas, o som dos tiros continua ecoando em meus ouvidos. A
visão de hospitais cheios. O cheiro do sangue. A dor dos aflitos... Foi tirando
aos poucos minha Paz.
Difícil dormir em uma cama confortável, enquanto milhares
não têm onde descansar a cabeça.
Sei que é fácil se engajar daqui de dentro do conforto do
meu sofá. Teclando em um computador. Usando os dedos para tentar mudar o mundo.
Será que é possível? Será que é suficiente?
Enquanto crianças
segurarem armas, não pode haver Feliz Natal!
Eu sei que nessa época todos nós só queremos ver imagens de
alegria e confraternização. Sorrisos, festa, comida e bebida. Mas, enquanto
comemos nossa ceia, milhares de crianças morrem pelo mundo. Vitimas da fome, da
guerra e da ignorância.
E o que estamos fazendo para resolver isso?
Não adianta dizer que não é problema seu. Tudo está
conectado. Eu, você, o menino que fuma crack
em São Paulo ou no Rio ou na Bahia. A menina Palestina que acaba de ser
estuprada por um soldado ensandecido. E o playboyzinho que depois de tomar
todas vai passar com seu Audi sobre várias pessoas inocentes ou se arrebentar
em um poste.
Agora, aqui do meu
confortável sofá, não posso fazer nada. Só posso orar. E convidar quem eu
conheço para fazer o mesmo. É um começo. E que não seja o fim.
Tiremos alguns minutos da nossa Noite Feliz e façamos uma
oração por eles. Não custa nada. Não é muita coisa. Mas, se há um Deus no céu,
ele há de nos ouvir. Quem sabe se todo mundo orasse um pouquinho, o mundo seria
menos violento. Quem sabe??
Quem sabe o que poderia acontecer se todo mundo se
incomodasse com essa situação?
Não quero ser mais uma pessoa da sala de jantar. Mas, ao
mesmo tempo me sinto impotente.
Só orar não basta. Só desejar não basta. Deve haver algo que
se possa fazer de fato. Mas, o quê?
Amanhã o efeito das festas terá passado e nossa vida voltará
ao normal. Seremos engolidos pelo relógio e não nos lembraremos de mais nada.
Nem de festa, nem de dor.
Entorpecidos pela rotina, deixaremos o sonho para depois.
Afinal, é preciso trabalhar, estudar, atender compromissos, cuidar da família.
Mudar o mundo? Eu? Agora não posso. Estou muito ocupado tentando sobreviver...
Que não seja assim.
Que nossa luz não se apague. Que o ser humano reencontre a harmonia com a
Terra. Que a violência seja banida para sempre.
Que cada um se
esforce um pouquinho para fazer um mundo diferente. Não amanhã, nem no Ano
Novo, nem depois que as contas forem pagas. Mas aqui e agora.
Um Ano Novo decente
para todos!
“Never, never be afraid to do what's right, especially if the well-being of a person or animal is at stake. Society's punishments are small compared to the wounds we inflict on our soul when we look the other way.”
― Martin Luther King Jr.
― Martin Luther King Jr.
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