sábado, 18 de fevereiro de 2012

Virginia Woolf

Virginia Woolf

Estou lendo contos da Virginia Woolf.  Que mulher fascinante! Quanta inteligência e criatividade cabiam naquele corpo comprido e desajeitado.

Procurei saber mais sobre ela. Adivinha o que fiz? Perguntei ao Google... óbvio!! Lá achei sua biografia no wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Virginia_Woolf
"Woolf era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel de significância dentro da sociedade literária londrina durante o período entreguerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde encontra-se a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção".

No dia 28 de Março de 1941, após ter um colapso nervoso Virginia suicidou-se. Ela vestiu um casaco, encheu seus bolsos com pedras e entrou no Rio Ouse, afogando-se. Seu corpo só foi encontrado no dia 18 de abril.[1]
Em seu último bilhete para o marido, Leonardo Woolf, Virginia escreveu:
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Querido,Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V.
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Encontra-se sepultada em Non-CemeterySussex na Inglaterra.[2]


Não posso me dizer uma grande entendida de Virgínia, pois li apenas 3 dos seus deliciosos contos. Contudo, já pude perceber o quão bem ela descreve o universo feminino. Como ela de alguma forma fala de si mesma sem ser autobiográfica. Ela se desnuda aos poucos, e em fragmentos, a cada conto. A cada personagem.

Faz-nos pensar sobre o que é ser mulher. Seja a dócil dona de casa, seja a atrevida profissional liberal. Ou sejam ambas... Afinal, é o que quase todas nós somos hoje em dia.... Entre a artista e a esposa... E todos os senões e percalços que as separam. Como era difícil ser Virgínia W. naqueles tempos! Como ela devia sofrer por tentar ser 100% ambas.. Mulher-esposa x Artista-mulher!

 Adorei "O diário de mistress Joan Martyn". Como ela narrou a rotina de uma jovem solteira do século XV. Era quase possível ver os personagens dançando pela minha sala, assim como apareciam as figuras do Rei Artur para miss Joan quando o cantador narrava as lendas daquele tempo.

Ela esteve aqui e tomou chá comigo. Conversamos longamente sobre a vida no Solar dos Martyn. Pude compreender aquele universo simples. Nada de príncipes e princesas. A realidade fria e dura de pessoas comuns. A energia das mulheres. As verdadeiras líderes do Lar, mesmo que à sombra de maridos quase sempre ausentes.

Fiquei surpresa também em perceber como ela antecipa seu próprio suicídio no conto "O misterioso caso de miss V", escrito mais de 30 anos antes da sua morte. Que mulher fantástica! Tinha energia demais e acabou sendo consumida por si mesma... Terá sido um caso de Burnout em escritora? Humm... Isso acaba de me ocorrer.... É possível.

Vou continuar lendo. Mais tarde conto mais contos para vocês.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Hoje eu quero escrever.

Hoje eu quero escrever.


Este blog tem alguns leitores. Alguns são ocasionais. Outros entram por acaso enquanto pesquisam verbetes no google. Alguns desses ficam e tomam um café. Outros saem apressados porque não era bem o que estavam procurando. Alguns nunca mais voltam. Alguns poucos se tornam leitores assíduos.

Um desses meus leitores assíduos é um crítico de literatura. De cinema. De política. De tudo.

Este meu crítico assíduo gosta de alguns dos meus textos. Outros ele detesta. Outros ele ignora. Para todos, ele faz a mesma crítica: “Seus textos são centrados em si e giram ao seu redor. Tente escrever sobre temas gerais, sem colocar tanto de si nas linhas e entrelinhas”.

Acho que ele está certo. Mas eu nem tentei me tirar do papel. Estou presa a ele. E ele a mim. Fazemos uma simbiose agradável. A tela do computador e o teclado são continuações da minha mente. O Blog é a minha “penseira ”. E vai continuar centrado em mim.

Adoro ler. Observo que os escritores também se manifestam por meio de suas obras. Eles se dissociam em alter-egos e revelam seus medos, desejos e sonhos por meio dos seus personagens. A J. K. Rowling por exemplo, é a Rita Skeeter. O Eça de Queiróz é o Ega (“Os Maias”). Marion Zimmer Bradley pôs um pouco de si na sua “Morgana das Fadas” e J.R.R. Tolkien provavelmente gostaria muito de ser o Frodo (“O Senhor dos anéis”).

Enfim, escrever é falar de si. Seja explícita ou implicitamente. Usando metáforas ou sendo diretos, os escritores se expõem. Sem se preocupar muito com o que os outros vão pensar. Ou bem lá no fundo, esperando que todos gostem. Afinal, é para isso que se escreve... Para ser lido e para ser querido!

Acho bonito quando os autores criam imagens, personagens e mitologias para falar das suas experiências de vida, seus medos e da história do seu tempo. Isso fica muito visível na saga “O Senhor dos Anéis”. Escrita durante um período turbulento em que as trevas dominavam o mundo (II Guerra mundial) e os tiranos faziam as leis. Como não associar o Senhor do escuro com Hitler e seus soldados com os orcs?

Já na linha dos escancarados, temos “Maus” de Art Spiegelman . A história do pai do autor é escrita em quadrinhos. Os judeus são ratinhos. Os alemães são gatos. Os americanos são cães e os poloneses são porcos, etc. A metáfora se limita aos animais-personagens. O resto é pura realidade. Nua e crua. A história é linda. Eu recomendo.

Implícito ou explícito, lá está o ego do escritor. Nas linhas, nas entrelinhas, nos títulos e nas notas de rodapé. Seria bom se pudéssemos colocar a nas referências bibliográficas: História de Vida – Autor: O próprio.

[1]Penseira: Caldeirão usado por alguns bruxos na série “Harry Potter”. Servia para armazenar pensamentos e de certa forma, esvaziar um pouco a mente. Com auxílio da varinha, o bruxo transfere suas lembranças para a penseira e deixa guardadas ali para usar quando for necessário.