Tudo começou em 1978 - Copa do Mundo da Argentina. Primeiro jogo que eu assisti.
Tínhamos uma TV pequena, preto-e-branco. Minha mãe estava de folga e me ensinava o que era futebol e o que era aquela paixão insana que o brasileiro tem pela Copa do Mundo.
Para mim, todos os jogadores eram iguais. Em preto-e-branco era dificil discernir quem era quem. O Brasil jogou de amarelo e a Suécia, de azul. Mas isso eu só descobri no You Tube. Muitos anos depois.
Minha mãe me explicou que 'Gol" era quando a bola entrava naquela rede quadrada que era defendida por um cara chamado goleiro. Cada time tinha um goleiro. Se a bola entrasse no gol da Suécia, era para gritar um GOOOOOOOOOOOOOOOOOL bem alto, porque o gol era na verdade, do Brasil! Achei meio confuso, mas tudo bem.
Saiu o primeiro gol. Eu gritei. GOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!
-NÃO, menina!!!! Foi gol da Suécia!!!!
- Ih!!! Desculpe.......
No finalzinho do primeiro tempo, o Brasil fez um gol. Aí eu não comemorei. Fiquei com medo de errar. Minha mãe se esgoelou até ficar rouca e eu não entendi mais nada.... Ela ainda brigou comigo, dizendo que eu estava torcendo para o inimigo!
Anos se passaram. Minha mãe trocou de time. Antes, era botafoguense como o resto da família. Virou flamenguista quando trocou de marido. Era uma pressão danada. Eu tinha que ser botafoguense porque toda a família era. Pai, tios, avós...Mas alvinegros não eram autorizados lá em casa. Como nunca gostei de confusão, preferi virar torcedora apenas em copas do Mundo.
Eram acontecimentos! Enfeitávamos a rua. As casas ficavam cheias de bandeirinhas. Tinha concurso entre as ruas de Guadalupe (bairro da periferia do Rio) para ver quem eram os vizinhos mais criativos. Em 1986 o pintor da nossa rua desenhou o laranjito no asfalto. Ficou lindo!
Desde 1978, não perco uma Copa. Agora sei onde é o gol que o Brasil tem que atacar. Sei o que o juiz faz e sei até discernir se o bandeirinha apontou um impedimento corretamente ou não! Ainda não sei a diferença entre Volante e Atacante, nem decoro a escalação do meu time, mas estou progredindo!
Quando meu filho cresceu, decidiu ser vascaíno. Foi outra polêmica! A essa altura, todo o núcleo familiar era flamenguista. Exceto eu, que permanecia neutra. Mas achava o uniforme do Vasco lindo!
Lá pelos anos dois mil e qualquer coisa, conheci um tal de Rogério Ceni. Um goleiro artilheiro do São Paulo. Pronto! Decidi! Sou Sãopaulina desde criancinha! Torci pelo São Paulo por uns dois campeonatos. Até hoje, continua sendo meu segundo time do coração.
Para acompanhar meu filho e participar um pouco mais da vida dele, decidi ser vascaína. Aprendi finalmente a ser torcedora. Sofro, choro e rôo as unhas. Grito até ficar rouca e xingo o juiz, que afinal, é sempre ladrão...
Domingo que vem é a final do Campeonato Brasileiro. O Vasco vai jogar contra o Flamengo, mas na verdade tem que ganhar do Corinthians... Da mídia, dos cartolas e dos juízes ladrões... Difícil explicar isso!
Vai ser o jogo do século. Se o Corinthians ganhar o campeonato, nenhuma surpresa. Terá feito sua obrigação, já que tem o apoio de todas as estrelas do céu e de todos os deuses do Olimpo. Mesmo assim, o Vasco terá sido o time mais guerreiro do campeonato.
Se o Vasco ganhar.... Aí, meu irmão, faremos história. Será uma grande lição de amor a camisa.
Vamos torcer!!
Os textos que você vai encontrar aqui são feitos como seu café. Pode ser um ristretto ou um americano. Pode sair de uma prensa francesa ou de um coador de pano mineiro. Pode ser algo complexo para ser apreciado lentamente ou mais simples, para ser tomado às pressas, sem grandes pretensões. Amargo ou doce. O café pode ser bom ou ruim, mas será feito com atenção e carinho. Aceita um café?
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
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