Não me atrevo a escrever com conhecimento de causa. Escrevo como pessoa curiosa que leu alguns artigos e livros que mencionam essa intrigante personagem bíblica.
Ela exerce um fascínio muito grande, porque era bonita, inteligente, poliglota e ao que parece, era uma pessoa importante no círculo central do cristianismo primitivo...Em um tempo onde as mulheres sequer podiam entrar no Templo. Muito menos falar em nome de Deus.
No livro Maria Madalena, de Margaret George, que acabei de ler, a nossa amiga é retratada como uma mulher inteligente, a frente de seu tempo, culta e estudiosa. Mas, também atormentada por demônios. E esses demônios, por sua vez, nada mais eram que os antigos deuses pagãos. Cananeus ou egípcios. Todos se apossaram dela e falavam através dela.
Há pequenos erros que julgo serem de tradução no livro, o que me deu vontade de ler o original para confirmar. Além disso, Margaret retrata o conflito de Madalena com Asera e os demais deuses que a afligem de uma forma meio prosaica. Não gostei. Ela descreve os deuses como demônios, narrando os diálogos internos de Maria com essas entidades da mesma forma que um protestante ou um judeu radical narrariam, carregando nas tintas para que tenhamos medo, mas com diálogos meio infantis e forçados. Não sei se ela tentou retratar a visão que os fariseus, aos quais a família de Maria pertencia, ou se de fato ela escreveu assim porque acredita que assim foi. Esquisito.
A narrativa amadurece a partir do momento em que Maria vai a Cafarnaum em busca de cura para seus tormentos. A leitura fica mais interessante. Há referências aos costumes dos judeus e parece haver algum rigor histórico.
Resolvi dar uma chance a Margaret e continuar lendo... Não me arrependi.
O livro vai melhorando conforme a história se desenrola. A narrativa da possessão da Madalena e da sua luta contra os sete demônios no deserto é imaginativa, fantástica e surreal. Mas, prende a atenção.
Sua redenção, seu sofrimento e sua rendição a Jesus são comoventes. Agora estou em Cafarnaum, com Maria, Andre, Filipe, Natanael, Simão Pedro e Judas Iscariotes, que acabou de se juntar ao grupo. Jesus foi ali rapidinho no deserto e já volta...
Após a volta do deserto, o Ministério de Jesus se consolida e Maria se transforma em sua discípula favorita. Não, senhores! Não há sexo transcendental, nem filhos sagrados nessa história. Madalena chega a se confundir e achar que ama o homem por trás do Mestre. Mas este logo a põe em seu lugar. Maria - minha missão é outra. Não posso me deixar levar por paixões humanas, por mais belas e naturais que sejam.
Madalena compreende e segue sendo a mais fiel e diligente das apóstolas, embora os cânones não a reconheçam. No surprises... Foram escritos e selecionados por homens...
Daí em diante toda a narrativa se parece muito com o Evangelho de Mateus, só que contado sob o ponto de vista da Madalena. Por curiosidade, voltei para ler a Bíblia e checar os paralelos. Por nostalgia, fiquei pensando em como o Cristianismo ter sido puro e honesto em suas origens. As pessoas pareciam estar mesmo dispostas a viver o "Reino de Deus". Segundo os relatos, eles viviam em comunidades e quem tinha um pouco mais repartia com quem tinha menos. Eles se apoiavam mutuamente. Eram hospitaleiros, honestos e decentes. As mulheres eram respeitadas e todos tinham pouco, mas o suficiente. Todos tinham esperança, pão e roupa. Um lance assim, meio hippie... Me deu vontade de fugir para uma comunidade Copta dessas e viver de frutos secos, pão e azeite de oliva...Uma casinha na montanha...Ações de caridade e orações todas as noites...Não seria nada mal....
Fico me perguntando porque uma religião que prega o amor se corrompeu tanto ao longo dos anos. O que Jesus diria se visse seus seguidores hoje em dia.?...Ficaria decepcionado? Será que um dia o Cristianismo voltará as suas origens? Quem sabe....É tudo muito controverso....
Para quem gosta de ler....
Os textos que você vai encontrar aqui são feitos como seu café. Pode ser um ristretto ou um americano. Pode sair de uma prensa francesa ou de um coador de pano mineiro. Pode ser algo complexo para ser apreciado lentamente ou mais simples, para ser tomado às pressas, sem grandes pretensões. Amargo ou doce. O café pode ser bom ou ruim, mas será feito com atenção e carinho. Aceita um café?
sábado, 18 de janeiro de 2014
sábado, 25 de maio de 2013
Tenha uma biblioteca com cheirinho de mofo e tudo
Eu sempre quis ter uma biblioteca.
No Colégio em que estudei havia uma. Ela ainda está lá. E o Colégio também. Há alguns anos fui visitá-lo e pedi autorização para ir a Biblioteca. Sim, com "B" grande. Porque para mim, é como um templo. Um lugar sagrado onde os anjos ficam ao seu lado. Observando o que você lê e dando palpites...
Eu passei longas e solitárias horas em bibliotecas. Foram solitárias, mas não foram tristes. Desenvolvi uma habilidade tal de me deixar absorver pelos livros que eu me desligava totalmente da realidade. Ria, chorava, ficava brava. As letras se transformavam em imagens como num transe de LSD. Era mágico!
Eu lia tudo. Tudo que caísse na minha mão. Quadrinhos, romances, livros didáticos. Gostava muito dos clássicos. Machado de Assis e seu cinismo. Érico Veríssimo e suas histórias tristíssimas dos Pampas. Eça de Queiroz e seus "Maias" e "Primos Basílios". Não sei quem imitou quem, mas Machado e Eça às vezes se confundem na minha cabeça. Não sei onde um começa e outro termina.
Tinha tanto amor por aquela Biblioteca que me dava ao trabalho de encapar os livros que eu pegava emprestado. A bibliotecária estranhou da primeira vez. Achou que ficaria difícil de localizar o livro, porque eu cobria a lombada com papel pardo. Depois, passei a escrever na nova capa o nome e o autor dos livros. Ela parou de reclamar. No fundo, acho até que agradeceu. Afinal, eu estava ajudando a preservar aquele patrimônio. Que para mim valia muito.
Cresci. Parei de ler os clássicos. Mas, continuei lendo de tudo.
Li Harry Potter - A Saga - toda! Destaque para o primeiro livro, devorado três vezes. Fiquei chocada com a morte do Dumbledore, mas defendi o Prof. Snape até o fim. Parecia que todos os personagens eram amigos meus de longa data.
Frustração... Tenho uma. Jamais consegui terminar de ler o Senhor dos Anéis. Sempre páro no capítulo do diálogo das árvores. Como elas falam muito devagar eu canso..... E desisto. Hei de terminá-lo! Questão de honra!
Alguns, como esse do Tolkien, eu começo e abandono, retomando meses ou anos depois. Outros, como da série Harry Potter, só largo quando leio tudo. Até as contracapas, anexos, referências e índice remissivo....
Os livros sempre me fizeram companhia, por isso, guardo um carinho e um cantinho especial para eles. Sei que estamos na era digital e estou aprendendo a ler na tela do computador para economizar papel e tudo.
Mas... Adoro aquele cheirinho de ácaros. Gosto de sentir o papel nas minhas mãos. E o livro, quanto mais velho, mais respeitável. Mais mágico. Mais misterioso.
Tive um professor que dizia que cada livro de autor morto que lemos é uma oportunidade que damos ao autor-defunto para voltar à vida. E ele volta. Toma uma lufada de ar fresco. Agradece pela nossa lembrança e volta triste para a prateleira. Fica lá adormecido até que outra criança curiosa o pegue e o deixe falar.
Aos poucos fui juntando livros. Comprados em sebo (Adoro Sebos!) ou em livrarias. Alguns, ganhei de presente. Outros, peguei emprestado e não devolvi... (shame on me!).
Reservei um lugar de honra para eles. Mantenho-nos limpos, arrumados e lidos! Sei que eles adoram. E que os autores têm conferências internacionais intermináveis quando não estou presente. Por isso, de propósito, não dividi os livros em gênero, nem em número, nem em grau.
Deixo-os lá, em organização aleatória, para que se conheçam, se misturem e se divirtam.
Fico imaginando Virgínia Woof e Humberto Eco tomando vinho tinto e tendo discussões eternas sobre dilemas existenciais.
Tolkien acusando J.K de plágio. Emily Bronte explicando a Marion Zimmer Bradley que não é apenas uma mocinha inocente e romântica e que à sua maneira também denuncia e critica a condição da mulher...
Você pode me dizer que minha biblioteca está longe de ser digna desse título. E eu concordarei.
Mas, se você gosta de livros, haverá de entender meu desejo de mantê-los bem próximos de mim.
Boa leitura para todos!
No Colégio em que estudei havia uma. Ela ainda está lá. E o Colégio também. Há alguns anos fui visitá-lo e pedi autorização para ir a Biblioteca. Sim, com "B" grande. Porque para mim, é como um templo. Um lugar sagrado onde os anjos ficam ao seu lado. Observando o que você lê e dando palpites...
Eu passei longas e solitárias horas em bibliotecas. Foram solitárias, mas não foram tristes. Desenvolvi uma habilidade tal de me deixar absorver pelos livros que eu me desligava totalmente da realidade. Ria, chorava, ficava brava. As letras se transformavam em imagens como num transe de LSD. Era mágico!
Eu lia tudo. Tudo que caísse na minha mão. Quadrinhos, romances, livros didáticos. Gostava muito dos clássicos. Machado de Assis e seu cinismo. Érico Veríssimo e suas histórias tristíssimas dos Pampas. Eça de Queiroz e seus "Maias" e "Primos Basílios". Não sei quem imitou quem, mas Machado e Eça às vezes se confundem na minha cabeça. Não sei onde um começa e outro termina.
Tinha tanto amor por aquela Biblioteca que me dava ao trabalho de encapar os livros que eu pegava emprestado. A bibliotecária estranhou da primeira vez. Achou que ficaria difícil de localizar o livro, porque eu cobria a lombada com papel pardo. Depois, passei a escrever na nova capa o nome e o autor dos livros. Ela parou de reclamar. No fundo, acho até que agradeceu. Afinal, eu estava ajudando a preservar aquele patrimônio. Que para mim valia muito.
Cresci. Parei de ler os clássicos. Mas, continuei lendo de tudo.
Li Harry Potter - A Saga - toda! Destaque para o primeiro livro, devorado três vezes. Fiquei chocada com a morte do Dumbledore, mas defendi o Prof. Snape até o fim. Parecia que todos os personagens eram amigos meus de longa data.
Frustração... Tenho uma. Jamais consegui terminar de ler o Senhor dos Anéis. Sempre páro no capítulo do diálogo das árvores. Como elas falam muito devagar eu canso..... E desisto. Hei de terminá-lo! Questão de honra!
Alguns, como esse do Tolkien, eu começo e abandono, retomando meses ou anos depois. Outros, como da série Harry Potter, só largo quando leio tudo. Até as contracapas, anexos, referências e índice remissivo....
Os livros sempre me fizeram companhia, por isso, guardo um carinho e um cantinho especial para eles. Sei que estamos na era digital e estou aprendendo a ler na tela do computador para economizar papel e tudo.
Mas... Adoro aquele cheirinho de ácaros. Gosto de sentir o papel nas minhas mãos. E o livro, quanto mais velho, mais respeitável. Mais mágico. Mais misterioso.
Tive um professor que dizia que cada livro de autor morto que lemos é uma oportunidade que damos ao autor-defunto para voltar à vida. E ele volta. Toma uma lufada de ar fresco. Agradece pela nossa lembrança e volta triste para a prateleira. Fica lá adormecido até que outra criança curiosa o pegue e o deixe falar.
Aos poucos fui juntando livros. Comprados em sebo (Adoro Sebos!) ou em livrarias. Alguns, ganhei de presente. Outros, peguei emprestado e não devolvi... (shame on me!).
Reservei um lugar de honra para eles. Mantenho-nos limpos, arrumados e lidos! Sei que eles adoram. E que os autores têm conferências internacionais intermináveis quando não estou presente. Por isso, de propósito, não dividi os livros em gênero, nem em número, nem em grau.
Deixo-os lá, em organização aleatória, para que se conheçam, se misturem e se divirtam.
Fico imaginando Virgínia Woof e Humberto Eco tomando vinho tinto e tendo discussões eternas sobre dilemas existenciais.
Tolkien acusando J.K de plágio. Emily Bronte explicando a Marion Zimmer Bradley que não é apenas uma mocinha inocente e romântica e que à sua maneira também denuncia e critica a condição da mulher...
Você pode me dizer que minha biblioteca está longe de ser digna desse título. E eu concordarei.
Mas, se você gosta de livros, haverá de entender meu desejo de mantê-los bem próximos de mim.
Boa leitura para todos!
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