domingo, 1 de janeiro de 2012

2012

Hoje é o primeiro dia do ano. Acordei cedo. A casa ainda está quieta. Ouço apenas o vento,  um bem-te-vi que fez seu ninho na varanda e minha cachorra que late para qualquer coisa estranha que se move no quintal. Aliás, foi ela quem me acordou. Agora está quieta. Acredito que latiu apenas para me arrancar da cama!

Minha família dorme. Dou uma olhada neles e penso: Que bom que existem. Que bom que estão aqui. Dormem tranquilos. Alheios ao bem-te-vi, ao ninho e aos latidos da minha inquieta Ona.

Já que acordei, decidi escrever. Há quem reflita em silêncio. Há quem reflita falando. Há aqueles que pensam quando lêem. Eu, penso escrevendo.

Enquanto pensamentos diversos me vazam pelos dedos, reflito sobre o Ano Novo. Embora seja apenas mais um dia no calendário, a gente sempre deposita muitas expectativas  no 01 de Janeiro. Achamos que por alguma mágica, o dia será diferente dos milhares de dias que já vivemos antes deste. É claro que ele é sempre melhor que os outros 01 de janeiros que já passaram por nós. É um dia místico. É um dia bom.

É dia de fazer as mesmas perguntas de sempre: Como vai ser Ano? Como será o amanhã? Como vai ser o meu destino? O que vai acontecer com o mundo? Será que acaba mesmo?

Não sei. Podemos consultar os búzios, as cartas, as estrelas, perguntar para os sábios ou tentar adivinhar sobre uma bola de cristal. A resposta não estará lá. Ela está aqui. Comigo e com você.

O Ano será tão bom quanto nós formos capazes de fazê-lo assim.

Sabe aquelas resoluções de Ano Novo que todos os anos fazemos sob o efeito evaporativo do espumante?Quem sabe se colocarmos no papel, deixem de ser sonhos para se tornar objetivos? Quem sabe assim, acabam virando realidade?

Acabei de pegar meu caderninho para escrever ali tudo o que quero para 2012. Casa, trabalho, família, relacionamentos. Uma página para cada dimensão da vida. É gostoso colocar no papel. Parece que só de escrever, as coisas já começam a se materializar.

Platão dizia que tudo o que agora existe, já existia antes no mundo das ideias. Eu não conheço esse tal mundo, mas imagino um paraíso multicolorido em que as ideias viajam livres pelo ar. Elas ficam lá... Esperando ser captadas por alguém. Numa manhã silenciosa como essa, uma mente quieta pode conseguir conectar-se a este mundo imaginário....

Vamos ideias... venham.... Ou melhor, deixem-me ir até vocês.

Uma vez conectados, é só ficar observando e capturar aquelas que lhe parecerem mais agradáveis. Acabo de captar as minhas. Tratei de colocá-las no papel para que não fujam mais. Isso equivale a pegar uma semente trazida pelo vento e plantar num vaso. Neste momento, a ideia passa do estágio de sonho para o de 'objetivo'. Ainda me parece invísível. Mas sei que está lá. Não esqueço dele, ainda que não possa vê-lo.

Plantei várias sementes. Em diversos vasos. Agora, cabe a mim regar, dar alimento e cuidar deles todos os dias. Até que floresçam.

Quando os objetivos brotam, eles viram metas. Agora já posso medir. Quantos centímetros cresceram? Quantas folhas brotaram? Quanto avançamos em nosso plano? Talvez seja preciso podar um pouco. Talvez a planta seja grande demais para o vaso que comprei. Talvez, ao contrário, eu precise de um vaso menor.

Oops!! Apareceu uma erva daninha, um desvio de percurso, uma seca muito braba ou uma chuva torrencial. É preciso proteger as plantinhas. Ainda são frágeis. Podem morrer se eu não tiver cuidado! Não posso desistir delas, agora que mais precisam de mim!

Cresceram e agora já dão frutos, ou flores, ou simplesmente estão no auge da sua folhagem. Chegaram os resultados. Pode ter havido dificuldades passageiras. Pode ter sido necessário redimensionar os planos. Mas aí estão elas. As plantas. As respostas. O produto do que antes era 'apenas' uma ideia..

Agora, não vá plantando couve esperando colher abacaxis!!! Escolha bem sua ideia. E não seja tão rigoroso consigo mesmo. Você pode mudar se quiser. Só não mate uma ideia.  Isso não se faz! Devolva-a ao mundo do sonho. Talvez hoje ela não lhe sirva, mas quem sabe amanhã...

Agora, dá licença vou regar meus vasinhos para que minhas plantinhas cresçam fortes e saudáveis.

Feliz Ano Novo! Muitas ideias, objetivos, metas e resultados para todos!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Reflexões sobre o Natal

O Natal não é uma festa cristã, do jeito que celebramos hoje. Existiam festas pagãs com ceias e trocas de presentes antes do nascimento de Cristo, muito parecidas com nossos ritos atuais. Há até quem diga que Cristo não nasceu em dezembro e sim em abril. Seria então ariano ou taurino e não sagitariano. E teria morrido próximo a data do seu aniversário de 33 anos, também em abril.

Por que o Natal se reduziu a pinheiros, presentes e papais-noéis? Por que esse desejo coletivo incontrolável por i-pods, i-pads, i-pigs e outros ais?...Em janeiro, vira tudo um ai-meu-deus-como-vou-pagar-o-cartão?
Está bem, mas o Natal também é uma festa família. As pessoas se reúnem ao redor da mesa. Muitas vezes pela primeira e única vez no ano. E que seja. Antes isso do que nem isso.

Normalmente ficamos mais sensíveis, mais solidários, mais generosos. Também ficamos mais estressados, mais comilões, beberrões e perdulários... Fazer o quê? Como resistir?

Esta semana uma professora de Yoga me questionou sobre o sentido do Natal. Passei os dias seguintes refletindo sobre o que ela me disse. Afinal, por que damos presentes massificados e industrializados? Por que não damos mais cartões escritos a mão e peças de artesanato feitas por nós mesmos? Um potinho de geléia decorado com um lacinho ou um sabonete pintado a mão? Por que complicamos o que deveria ser tão simples?

Não deu tempo de refazer meus presentes, mas decidi não comprar árvore de natal este ano. Afinal, moro no nordeste Brasil. Aqui não tem pinheiro! Nem neve! Vi um de verdade num supermercado e quase comprei. Mas quando cheguei perto, achei-o tão frio, tão feio e tão agressivo. O pinheiro de natal tem espinhos! Como pode? Quero uma árvore que me abrace e acalente e não que me agrida!

Mas,  como gosto de enfeitar a casa para o Natal, acabei comprando uma planta. Muito bonitinha até. Enchi minha plantinha de bolas coloridas, com a ajuda das pessoas queridas que Deus pôs no meu caminho. Ficaram lindas! Estão parecendo laranjas psicodélicas. Adorei!

Havia árvore de natal no estábulo em que Jesus nasceu? Certamente não. Tampouco havia bolas coloridas, faixas e pinheiros. Havia só a luz da Lua, que imagino cheia. As estrelas no céu e os pastores na terra. Ovelhas, bois, vacas e pessoas de boa vontade.

Havia os três Reis Magos. Somente esses deram presentes ao menino-Deus. Ouro, incenso e mirra. Cada um deles ofereceu o que tinha de melhor. Esse deveria ser o sentido do Natal.

Seria bom voltar a simplicidade. Seria possível? Sugiro fazer um Natal mais calmo. Menos presentes, mais abraços. Troquemos os presentes por um novo futuro. O desperdício pela solidariedade. A correria pela Paz! O falatório pelo diálogo. Ao invés de comer e beber até cair, assistir ao nascimento do Sol e agradecer ao Divino pela maravilhosa experiência que é viver.
Feliz Natal para todos! Feliz Celebração da Vida! Feliz Renascimento da Esperança!