domingo, 19 de fevereiro de 2017

CAMBO Etapa 1 - Praia de Jauá

Tem quase três anos desde a minha última corrida de orientação. A que me rendeu uma calça rasgada, um milhão de espinhos pelo corpo e um resgate frustrante. Foi em 2014 e deixei registrado aqui: CAMBO 1 2014.

Veja o estrago na fotinha ao lado....

Aquela de 2014 foi bem difícil. Consegui estrupiar-me toda e ainda assim deixar dez prismas para trás. Não concluí a prova, me perdi horrores e acabei desclassificada. Depois dessa, não por isso, mas por diversas outras coisas, acabei abandonando as corridas de orientação.

Mas, 2017 chegou diferente! E para melhor! Um novo ano cheio de energia, disposição e esperança. Mais tempo para treinar, mais saúde para usufruir, estímulo e apoio dos amigos... Além disso, ver nossa equipe crescendo lindamente (Aventureiros do Agreste) é um fator motivador a mais. Vamos até virar clube! Aguardem!

Para ganhar confiança, dei uma estudadinha em mapas antigos e nas apostilas do Agnaldo (Orientação Bahia). Repeti os símbolos e seus significados em voz alta várias vezes para memorizar. E não é que deu certo?! Vou aplicar essa técnica em outras áreas da vida! Tipo, treino para apresentação para diretoria...rsrsrsrs

Aquela velha ansiedade de sempre. A costumeira dor de barriga e a sequência de "SE's" que assolam minh'alma vieram com força total na véspera da corrida. E se eu me perder de novo? E se  me sentir mal? E se  não achar nenhum prisma? E se tiverem que me resgatar de novo? E se um bicho me morder??? (Essa era nova. Nunca antes eu tinha tido medo disso aí....) Ai ai.....Ô cabecinha pra pensar, meu Deus do céu!

Pois fiz a devida análise de risco! E fui respondendo a todos os SE's da forma mais segura possível:
1 - Para não se perder: Estudar - Apostila do Agnaldo e aulas particulares de azimute com o marido recém formado Orientista!
2 - Para não passar mal: Comer, dormir, levar comida e água...bastante água.
3 - Contra os bichos? Meião, repelente, calça e camisa de manga comprida.

Plano de ação feito! Vamos dormir!

Às 6:00 da manhã, três despertadores, para garantir que ninguém ia perder a hora! Cuscuz com café no "bucho"; água no cantil e coragem para enfrentar mais um desafio.

Na hora da largada eu era só ansiedade. Tinha bem uns 130 atletas. A equipe Carcará em peso com seu grito de guerra emocionante - de arrepiar! Caatinga Trekkers; Gantuá; CIPE; Colégio Militar e etc.....Só fera!

E os Aventureiros lá...fazendo bonito também, ora pois!




Mesmo com o camelback cheio, me deu na telha de comprar uma garrafinha de água. Foi quando conheci um anjinho. Uma pessoinha de 4 ou 5 anos com uma belíssima cor de canela e cabelos iguais aos meus. Era Gabriel. 

A mãe me contou que ele gosta muito dos seus cabelos e que não deixa cortar. Encantada, lhe disse: Não tem que cortar mesmo! Você tem cabelos lindos! E não importa se são grandes ou curtos. O importante é que você sabe quem você é! E tirei o lenço para mostrar que meu cabelo era igual ao dele! 
A propósito, você sabia que tem um anjo que se chama Gabriel e que ele tem o cabelo grande? 
- Igual ao meu??
- Sim, cacheadinho assim!

E assim Gabriel me deu um lindo sorriso de dentes de leite!

Parti para a corrida, prometendo a Gabriel que pediria ajuda ao seu Xará, para não me perder! 

Largada. Minuto 16. Categoria D45B! Damas na faixa entre 45 e 50 anos. Éramos uma multidão... de 5 mulheres corajosas! Da nossa equipe, éramos 2. Gabriela e eu. A Lulu correu na elite e Lu Kroger e Andrea Ulm correram em categorias mais jovens.  

Meta traçada: Achar todos os prismas, sem me perder, em menos de 2 horas! 

Peguei o mapa já com medo dele não querer falar comigo. Mas ele falou. E até nos entendemos muito bem! 


Meu foco era não me perder. O tempo era aspecto secundário. Como disse meu amigo Vitor Hugo antes da prova: "Navegar é preciso! Correr não é preciso!"

Quando achei o primeiro prisma, comecei a me sentir mais confiante. Estou na corrida. E no mapa! Hoje não tem ninguém perdido! E fui conversando alto com o mapa. E mentalmente com Gabriel, com meu pai, com a natureza... Assunto e companhia não faltaram!

Eu tinha 12 prismas para achar. Fui tranquilamente capturando um após o outro. A navegação fluindo bem direitinho. So far, so good! Já estava até pensando em pódio.... Ousadia pura!

No caminho para o 6, ouvi uma vozinha interior me dizendo: Tome água e coma aquele melzinho que trouxe na mochila, você vai precisar. O bicho vai pegar agora!  Obediente, segui a voz e reduzi o ritmo para comer e beber água. Gabriel, meu pai ou meu inconsciente? Não sei, mas a intuição estava certa! A coisa apertou mesmo!

Não deu dois minutos eu estava no meio de um enxame de abelhas. Quando senti as espetadas na pele, achei que era cansanção, mas uma competidora me disse com firmeza: Não é cansanção! É abelha! Saia logo daí! 

Quando isso acontece, não se deve gritar, correr, nem se debater. Saia em silêncio e sem pânico. Deixe as abelhas em paz e elas lhe deixarão também. Por sorte não sou alérgica! A blusa de manga ajudou a proteger, mas as picadinhas estão aqui no braço como recordação.

A água geladinha que comprei com a mãe do Gabriel me valeu nessa hora! Joguei pelo corpo para aliviar os ardidos. Ainda estava fria. O alívio foi imediato. Compartilhei com duas corredoras que passaram o mesmo perrengue que eu. E eu que cheguei a pensar em não comprar essa água! Ainda bem que comprei! Santa intuição!

O perrengue aumentou ainda mais depois do 6. Tinha que atravessar um charco e depois,  achar um prisma no mato. Terreno bem molengo. Difícil de andar. Atolei várias vezes! Mas, o prisma cumpriu sua parte. Estava lá, bem bonito! Como o combinado.

Para achar o oitavo prisma, nova travessia no charco. Ainda pior que a primeira. Levei bem uns vinte minutos tentando passar e desistindo, até achar um caminho mais-ou-menos que me sujou de lama só até o joelho! Acredite, o atoleiro dava para cobrir o corpo inteiro! Parecia um daqueles filmes em que você afunda na areia movediça e uma besta mitológica fica puxando sua perna.....

Saindo do charco, perdi a referência, mas uma santa ruína que achei no mapa me ajudou no ataque ao prisma 8. Azimute em dia, logo achei o 9. Voltei a me empolgar! Estava acabando....

Para o prisma 10 um momento risada! Eu me empolguei demais e sai direto para a primeira bandeirinha laranja que vi na frente...Era o prisma errado! Nem ouvi quando Eudes me gritava lá do ponto de hidratação... Oh Lucyyyyyyyyy! Vai aonde???!!!! Ouvi nada! Quando me dei conta da burrice, voltei sem graça para a trilha. Achei Eudes lá no prisma, tirando foto e rindo da minha cara....aiai



Dali, cansaço e vontade de terminar ainda atrapalharam um pouquinho. Vi o prisma 11 e achei que era o 1....Fiquei dando voltas até perceber que ele estava ali o tempo todo olhando para mim.... Dali para o 12 foi rápido. Era colado na chegada. Era o fim! 

Feliz da vida, cheguei com mais dois competidores. Ainda fiz uma corridinha pra dar aquele gás e estimulei os colegas: - Vamos chegar correndo! Assim todo mundo pensa que corremos o tempo todo! 

Mas, eu corri o tempo todo! Só parei agora! - disse um dos competidores. Ao que eu respondi, rindo de mim mesma: - Pois eu não! Mas, vou chegar correndo agora! E saí em disparada, feito criança!

Cheguei bem. Feliz, inteira e sem me perder. Meta alcançada! Percurso feito em pouco mais de 90 minutos. Todos os prismas encontrados na devida ordem! Satisfeitíssima!

Assim que entreguei o sicard, fui logo agradecer ao Gabriel!
- E você ganhou?? Não, mas em comparação com a outra corrida, em que me perdi toda....
- .Ah então foi você que tiveram que tirar do mato da outra vez??? (Era o pai do Gabriel, me lembrando da infame prova anterior...Ai que vergonha...)
Sim!  era eu.... (vai ver nem era, já faz tanto tempo... todo ano alguém se perde nessas corridas..Ele poderia estar se referindo a outra prova, outra competidora...mas, não consegui evitar e vesti carapuça que era minha mesmo!)

Sim era eu perdida. Mas, agora me achei!  Na prova e na vida! Não me desoriento mais!
Obrigada ao anjinho Gabriel pela inspiração! 

Obrigada a todos os organizadores pelo carinho e atenção com os atletas. Ambiente respeitoso, muito organizado e seguro! Orientação Bahia cada dia melhor!

Parabéns a toda equipe dos Aventureiros. Tivemos vários pódios e todo mundo concluiu a prova! Jogamos duríssimo!

Cheguei em quarto lugar, entre cinco competidoras. Menos de 8 minutos atrás da segunda colocada, Gabriella - uma ótima competidora, muito experiente na orientação. 

Estou feliz por ter batido a meta que estabeleci para mim.  Em abril tem mais e eu estarei lá! Com muita alegria!



Retroceder NUNCA, Render-se JAMAIS e divertir-se SEMPRE!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Esquenta 2017 - Pré-temporada do Campeonato baiano de corrida de aventura

Camaçari - 05/02/17

Esse release quase que não sai... Daqui a pouco tem Noite do Perrengue e nada de registro do Esquenta

Hoje resolvi vencer a preguiça e fazer meu pequeno registro de mais uma experiência nesse esporte que a cada dia me encanta mais. Daqui a alguns anos, quero reler este post para lembrar onde estive e o que já fiz. Quem sabe me estimule a nunca mais parar. Quem sabe estimule alguém a começar. Quem sabe?

Promovido pela Federação Baiana de Corrida de Aventura (FBCA), o Esquenta foi o "abre alas" do campeonato de 2017. Foi tipo um jogo amistoso. Uma oportunidade para veteranos e novatos calibrarem suas bússolas e testarem seus limites.

A turminha da organização caprichou nos detalhes, a começar pela qualidade das instalações e simpatia da equipe e dos hóspedes do Arembepe Beach Hotel, onde foi largada e chegada da corrida.

O porteiro era só sorrisos. Fazia questão de abrir o portão do hotel quantas vezes a gente precisasse, e olha que não foram poucas. O entra-e-sai era constante. E ele nos tratando como vips! Eu me senti uma verdadeira atleta profissional!

Os hóspedes, curiosos, ficavam olhando pra gente com aquela cara.....Mas o que esses loucos estão fazendo com esse monte de roupas? Será que vão se jogar na piscina assim???

Vontade não faltou, mas até que me controlei.... Calor da zorra! Na chegada, uma mesa de frutas e um refrescante banho de chuveirão devolveram minha alma ao corpo. Delícia!

Para fazer bonito na corrida, combinamos aqui em casa de fazer o curso de Orientação do Agnaldo (Federação Baiana de Orientação) - Excelente instrutor e navegador de primeira linha. Devido a uma urgência no trabalho não pude ir no sábado, mas o marido foi. E fez direitinho o dever de casa! 

Mesmo assim, fiz questão de conferir todas as marcações no mapa e rabiscar o racebook todo, só para não perder o hábito. Junto comigo estava Plínio Bevervanso e sua bússola altamente tecnológica. A disputa com esse camaradinha aí foi acirrada do início ao fim! Grande atleta!


Traçamos nosso mapa, definimos nossa estratégia. Era nosso dia! Confiança em alta! Vontade e garra para aproveitar ao máximo aquele belíssimo dia de sol. Dia quente e de muitas reflexões...

1) Reflexão número 1: Como vencer o sabotador interno

Vamos traçar aqui duas linhas paralelas que começam no nosso limite real e terminam no imaginário. Uma linha é a nossa corrida de aventura. A outra, é a vida cotidiana.

De acordo com a escritora e psicóloga Clarisse Pinkola Estés (Mulheres que correm com os lobos), todo mundo tem um predador de estimação.  É um diabinho que fica dentro da nossa cabeça dizendo que não vamos conseguir, que é melhor desistir, que é melhor nem tentar, que você não tem tempo...que fica te perguntando a toda hora..."Não inventa ideia!!!"

Esse diabinho às vezes se materializa em pais, mães, companheiros ou chefes que reproduzem censuras e limites imaginários - na maioria das vezes sem nenhuma má intenção. A gente acredita e se sabota, pelos motivos mais bestas.

Não dá, não consigo. Queria ir, mas não posso...Não treinei o suficiente...Estou com trabalho atrasado, tenho muita coisa para fazer e blá, blá, blá... E assim vamos nos afastando do que nos dá alegria, perdemos grandes oportunidades, ficamos na zona do conforto e da solidão. É aquele trabalho que levamos para casa, mas que poderia ser feito na segunda-feira sem problemas...Aquela dieta sempre adiada, a academia paga inutilmente, o happy hour com os amigos que a gente vive prometendo, mas nunca vai...
O que fazer?

Sei lá!  Este é um blog de crônicas, não um livro de auto-ajuda (hahaha). Mas, posso lhe dizer que vale a pena se colocar em primeiro lugar de vez em quando. O seu tempo é SEU. É você quem define o que é prioridade e o que não é. Assume o volante desse carro chamado vida e dê a direção que VOCÊ quer! 
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas em que foges do que é teu
(Belchior)

Acontece na vida. Acontece na Corrida. Às vezes deixamos de fazer o que é necessário, o que nossa alma pede e precisa, escondidos atrás de um monte de desculpas verdadeiras. É preciso ter coragem! É preciso dizer alguns "sins" e alguns "nãos"!

Dá licença aí, mas hoje é domingo! Minha alma tem fome de mato! E é no mato que me encontro! 
E se o que eu quero é ir pro mato, é pra lá que eu vou! 
Vem comigo? Você não vai se arrepender!


Na largada, meu coração já batia na garganta. Um dia lindo, um calor retado! Uma alegria sem fim. Primeiro obstáculo vencido! Já que estamos aqui, vamos correr, né????

A corrida começou com um trekking pela areia fofa de Arembepe. Eram 10 da manhã do verão baiano. Um calor juazeirense. A água já quente no camelback era prenúncio de que a corrida faria jus ao nome... Esquenta! 

Navegamos lindamente! O mapa estava muito bem feito e as distâncias batiam na casa do milímetro. O navegador estava atento e estávamos indo muito bem. PC-1, 2, 3, 4, 5... é nóis brocando!!! Rolou até fight com Alan Pedreira para ver quem batia PC primeiro!

O negócio esquentou mesmo no PC 6.  Um horror de gente perdida batendo cabeça e bússolas. Vários atletas conhecidos. Cada um indo para um lado diferente. Nenhum parecia ir para o lado certo. As dúvidas começaram a surgir. A autoconfiança do navegador ficou abalada. Será que vamos nos perder agora? Estávamos indo tão bem...

Era hora de trabalhar em equipe. Hora da reflexão número 2.

2) Reflexão número 2: Na crise - mantenha o foco. Não perca o propósito de vista! 

Recursos escassos. Pressão do tempo. Líder inseguro, sem ter certeza da direção a tomar. Era hora de levantar a cabeça. Olhar ao redor. Fazer benchmark. Ouvir a equipe!

Sempre tem aquele momento no trabalho em que estamos tão atarefados que perdemos o foco. Esquecemos do propósito. Começamos a fazer um milhão de coisas, sem uma direção clara. Atiramos para todo lado e erramos o alvo. O propósito se perde. Fazemos muito. E não chegamos em lugar algum. Perdemos a referência. É hora de parar e redirecionar. 

Foi quando olhei para cima e vi a torre de telefonia. Era uma grande e sólida referência. 

Eu precisava convencer o navegador a parar para respirar e voltar para a prova. A essa altura já estávamos racionalizando sobre mil e uma formas de justificar nossa desorientação...Será que o mapa está errado? Será que o PC foi roubado?.... 

- Amooooor... ....Olha pra mim.....Oi.... Estou falando com você... Está me ouvindo???????
- VAND!!!!! FOCO!!! Olhe para mim! Está olhando? 
- O que você quer?????? Estou tentando navegar aqui!
- ....Ainda não estou vendo seu olho olhando no meu olho!!! 
-  Bah!!!!!!  Tá....tá bom... olhando! E agora? O que é?
- Ah bom, Agora sim! Ótimo! Pois então, me diga: Onde está a torre? 
- Está ali, não tá vendo? - já irritado, apontando para a Torre.
- Essa eu já vi! Tô falando do mapa! Me mostra onde está a torre no mapa!!!!
- Ah... tá... vamos ver juntos então....
(Pronto! Voltamos a olhar juntos na mesma direção! Agora ficou fácil!)


- Está aqui, no PC 7. Está vendo?
- Sim! Olha ela aqui, sacana!!! E agora, onde nós estamos em relação a torre??? Huummm! Temos aqui algumas referências. Dois charcos, Uma ampla clareira, algumas zonas de mato fechado....nós estamos aqui... perto do PC-3. ..

A regra de ouro da navegação é: Antes de sair em direção ao ponto de chegada, tenha certeza de que sabe qual é o seu ponto de partida. Para isso, você vai precisar de referências. Olhe para cima. Para fora. Para o lado. Converse com alguém. Peça conselhos. Estude. Veja como outras equipes estão trabalhando (faça benchmark).

Pronto! Estamos no lugar errado! O PC-6 é mais pra lá...... Vamos? E saímos correndo pisando confiança!

Quando chegamos perto do entorno onde deveria ser o PC,  reduzimos o ritmo e começamos a farejar. Precisamos de toda atenção agora. Nada pode nos distrair. Verifica e re-verifica...É por aqui....

Amor...Acho que vi...acho que vi...um prism... um PRISMA!!! Olha ali! O PC!!!!!!! Que alegria! 

Felicíssimos da vida, autoestima recuperada, celebramos nossa pequena conquista com um beijinho suado e seguimos de mãos dadas rumo ao PC-7, que batemos em poucos minutos.  

Na busca pelo PC-8, o bicho pegou. E entramos na reflexão número 3!

3) Reflexão número 3: A importância de seguir procedimentos.

Cadê o PC 8??? Miserável, até hoje procuro! O mapa estava muito bem marcado. Até agora, tínhamos acertado todas. Lógico que íamos bater esse PC! E rápido! Era o mais fácil de todos! #SQN

Até então eu vinha marcando nossas distâncias bem certinho. Medindo o tempo e ritmo de passada. Como já conheço meu ritmo, sei que mantendo a passada, faço 6 km/h. Nem preciso de pedômetro! Matemática básica e um relógio de pulso são suficientes para medir nossa distância percorrida. E não erramos nada... até então.

Em todos os PCs anteriores, fizemos duplo check da distância com o mapa e as referências. Isso garantiu nosso sucesso até aquele momento.

No caminho entre o PC-7 e PC-8 abandonamos o procedimento. Paramos de marcar distâncias. Paramos de acreditar no mapa. Saímos a esmo tentando cortar caminho. Perdemos nossas referências. 

Por ali, encontramos Gaia que nos informou que estávamos em terceiro lugar. Essa é uma informação valiosa que deveria servir para alertar a equipe e redobrar o foco. No nosso caso, teve efeito contrário. Já estávamos distraídos e aí perdemos de todo a concentração. Entramos na primeira rua que parecia ser a que o mapa indicava, não fizemos as verificações e anotamos a primeira placa que apareceu na nossa frente... O que veio a ser amargamente errado.

No trabalho somos cobrados o tempo todo por resultados rápidos. Quanto mais entregamos, mas somos cobrados a entregar. No início da carreira, tendemos a ser mais cuidadosos. Verificamos tudo, com medo de errar. Porém, quando se executa uma tarefa repetitiva, ao longo do tempo o cansaço pode nos fazer acreditar que a verificação é desnecessária. Afinal, se você fez tudo certo até ali, porque faria errado logo agora, na parte mais fácil da tarefa??? 

Como diz o poeta.."O diabo mora nos detalhes". No momento em que abandonamos nosso procedimento, perdemos a mão...e a navegação foi junto...

Até então, não sabíamos que a placa estava errada. Isso é ainda mais perigoso! Quando você está errado e nem se deu conta disso ainda! (I don't know that I don't know)

Seguimos adiante, pois o foco agora era a transição. Fazia um calor louco e tudo que eu queria era mudar de modalidade, só para ver se refrescava. Cognição em baixa. Calor, sede, fome... tudo contribuía para nosso déficit de atenção.

Chegamos à transição, até então em terceiro lugar. Animados, seguimos a prova. A navegação da bike não estava difícil. O maior adversário ali foi o calor. Eu estava tão lenta que já acreditava ter caído para último, até perceber que todo mundo estava lento igual...Pelo caminho, várias duplas fazendo pausas na sombra. Passamos longos trechos sem ver ninguém...Parando em cada pedaço de sombra e quase sem água. Esse foi o trecho mais duro da prova toda.


Conseguimos água geladinha no PC-12, com duas almas caridosas que dividiram sua água guardada em garrafas pet. Salvaram nosso dia. Agora sim, revigorados, seguimos para a transição. Lulu e Hugo estavam lá, exalando simpatia. Uma galera tomava banho no rio. Entrei dando logo boa tarde para todo mundo e pedindo licença....Ói, gente, tô entrando aqui viu.... Calorão, né?? Dá licença... Vou me refrescar também...



Na boa, essa foi a melhor parte da corrida. Aquele banhozinho de rio foi providencial. Com a roupa encharcada, a sapatilha fazendo "chop-chop" e a alma lavada de lama, voltamos para a corrida até então acreditando que o pódio era nosso! 

Pedalei horrores! Esqueci o calor e o cansaço. Chegamos ali antes do Plínio Bevervanso, que pedala muito. Precisávamos ganhar distância enquanto ele fazia a transição e a travessia...Isso ainda nos deu motivação extra.

Batemos o PC-17 na maior alegria do mundo, quando a fiscal da prova jogou areia no nosso chopp... ou água no nosso olho....ou sei lá o quê....Acabou com nossa festa!

- Gente, tô vendo aqui que o PC 8 de vocês não está certo......
- Como assim?
- Não é esse número....Querem tentar pegar agora? Vão ter que deixar as bikes aqui e ir correndo lá... Você estariam em terceiro....agora, vão para o fim da fila.....

Foi decepcionante. Segurar o pódio com tanto esforço e deixar escapar assim. Mesmo assim, a decisão foi da dupla. E decisão tomada não se questiona. Decidimos juntos não ir atrás do PC faltante e contar com a sorte. 

Foi como aquela final de campeonato que o seu time joga muito bem, mas não faz o gol. Aí fica dependendo de resultados para não cair.. No nosso caso, era tipo o Flamengo perder a decisão no Maracanã contra o Madureira para favorecer o Vasco... Só um milagre mesmo...E o milagre não veio... E caímos para a lanterna.

Mesmo sabendo que não teria mais pódio, ainda pedalei tudo o que pude. E estimulei o parceiro a pedalar também. Afinal, corrida só acaba quando termina. Ainda havia a questão de honra. Manter a posição e cruzar a chegada de cabeça erguida.

E essa foi a lição final! Reconhecer o que foi bom, celebrar pequenas conquistas e tirar aprendizado dos erros. Frustrados? Sim, um pouco. Desanimados? Jamais! A prova foi muito boa. Uma das melhores que já fizemos. Desanimar por quê?? O melhor ainda está por vir!

Fica a satisfação de ter feito, sim, o terceiro melhor tempo. De ter errado sim, a nossa navegação. Acertamos 16 em 17 - mérito exclusivamente nosso!  

O potencial está demonstrado. Um pouquinho mais de atenção, mais um pouco de treino e resistência ao calor e logo o pódio será nosso.

Diana, Lulu, Hugo e toda a diretoria da FBCA - Parabéns pela organização! #Esquenta 2018!

Plinio - #TevejonoPerrengue! :):):):)

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