segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Hoje foi dia de folga

Quem trabalha no Pólo Petroquímico de Camaçari tem direito a algumas folgas ao longo do ano. Não é benevolência não... Todo mundo trabalha alguns minutos por mês para conquistar esse benefício.

Essas folgas são ótimas, pois dá para resolver um monte de coisas. Ir ao médico, ao banco, ao cartório, levar o cachorro no veterinário, fazer as unhas, enfim. A gente enfia tanta coisa que falta folga para tanta atividade!

A minha folga não foi diferente das outras. Acordei no mesmo horário de sempre, ou seja, as 6:00, e caí pra dentro....

Levar o marido no trabalho, afinal, temos um carro só que não é divisível por dois! Colocar roupa na máquina de lavar, brigar com os cachorros que cavaram meu canteiro de flores (de novo!), colocar roupa na corda, arrumar a mala para mais uma viagem a trabalho, agendar a faxineira, ligar pro banco, pra mãe e pro filho ...ufa!

Ler os emails do trabalho para não ficar atrasada com as últimas notícias e dar aquela última olhada nas reservas. Está tudo certo com o vôo? Que horas é o embarque? E o táxi, já está programado? Tudo certinho. Checklist todo preenchidinho... Oba, vai dar tempo de dar uma corridinha de manhã antes de começar o segundo turno....

Fiz minha corridinha básica de 5 km em 30 minutos. Achei meu tempo ótimo. Foi melhor ainda, porque eu só tinha 30 minutos mesmo! (rs)... Mais uma meta batida hoje. Mais um "tic" no checklist.

Vamos aproveitar para almoçar cedo, porque ainda falta o cartório e aquela reunião de trabalho com a consultoria.... (Ué, você me pergunta, hoje não é dia de folga??) É....respondo eu, mas é o único dia que dá para encaixar a dita reunião importante....

Volto correndo suada, tomo aquele banho e degusto calmamente as sobras do almoço de domingo. Pimentão recheado com soja ao molho curry e penne ao sugo com saladinha de alface americana para acompanhar. De sobremesa, um chocolatinho, que ninguém é de ferro!

Agora é hora de ir ali no cartório fazer um upgrade na união estável. Depois de casar em Santiago, é hora de tornar nosso compromisso público e notório! Já é a terceira visita ao cartório. Estamos tentando casar no civil há uns dois meses! Cheguei lá acreditando que dessa vez vai!

Vai nada.... Ahhh, cadê a xerox autenticada das identidades?? Mas, moça, as originais estão aqui. Precisa mesmo autenticar?? Claro que precisa! Disse-me a "moça" com aquele sorriso de servidor-público-querendo-embaçar-sua-tarde.... E não é só isso... Você tem que trazer o noivo também! Afinal, ninguém casa sozinho, não é mesmo?! Sem noivo, você não vai dar entrada em nada! E não se esqueça de pagar o DARJ, que a propósito, não pode ser pago do Banco do Brasil...

Ok...Faltam duas horas para minha reunião importante...Só tenho que ir ali do outro lado da Estrada do Coco autenticar essas cópias em outro cartório (por que esse não faz esse serviço), voltar para o lado de cá e roubar o Vand do trabalho, pagar o DARJ em qualquer lugar que não seja o meu banco, voltar correndo pro cartório e rezar para a "moça" estar de bom humor....

Chego eu no outro cartório...Já tem cópia de tudo? Ihhh, moço! Faltou este documento....
Pegue esta senha e vai ali no final da rua tirar xerox, depois volta aqui.... Tá bom..... Senha 261.... O balcão está na 250! Ai, meu Deus! Minha reunião vai pro brejo!

Corre, tira cópia... Dá o dinheiro trocado para facilitar as coisas, volta, espera........

Volta, pega o marido.... Ih!!! Esqueci de pagar o DARJ.... Não paga no Banco do Brasil!!! Merda! (Com o perdão da má palavra). Existem cinquenta mil agências do Banco do Brasil e uma ou outra da Caixa Econômica. Todas lotadas. Todas as lotéricas sumiram do mapa e da minha memória.

Meu fiel e adorado marido se lembra que dá para pagar nas Casas Bahia! Bendita seja! Só que o dinheiro não dá.... Paramos, adivinha?? No Banco do Brasil, é claro! Para sacar o dinheiro e correr para a Casas Bahia mais próxima.

Ainda deu tempo de dar um abraço apertado na minha amiga Vânia que por acaso estava ali para comprar um armário para sua filha. Enquanto eu papeava, Vand já se meteu na fila para pagar os boletos.

Voltamos correndo para o cartório animados! Agora vai! Só que não....

Ao chegar a "moça" não estava. Uma outra mocinha nos sugeriu esperar sentados.... Um outro atendente que parecia ser o chefe examinou nossos papéis em busca de algum motivo para nos emperrar o dia... Sem sucesso, disse apenas que faltava uma frase mágica na minha certidão. Sem essa frase seria impossível fazer o casamento do jeito que queríamos....Ai meu Deus! É mais fácil ser preso que casar! (Lembrem-se de que desacato a funcionário público "no exercício da sua função" pode render 2 anos de reclusão....Melhor ficar quieta).

A "moça" finalmente apareceu com seu sorriso malévolo e nos convidou para sentar. Examinou a papelada e demonstrou que nosso esforço de fazer a união estável, visando reduzir a burocracia foi inútil...Ela nem olhou para o nosso contrato!

Mesmo assim, conseguimos registrar tudo e finalmente dar entrada nos papéis. Ainda posso levar algum outro comprovante para suprir a falta da tal "frase mágica", mas terá que ser outro dia. Pensa que acabou??? Nada disso...Ainda tem que pegar as assinaturas das testemunhas, com reconhecimento de firma e tudo! Depois, voltar lá, olhar para a moça de sorriso malvado, e pedir educada e gentilmente que ela nos atenda. Afinal, ela não está ali para nos servir. Quem quer casar somos nós, não ela, ora pois!

Devolvi o Vandi ao trabalho dele e cheguei atrasada na minha reunião importante. Sorte que avisamos aos interessados que era por uma boa causa.

Depois da reunião, corri de volta para o trabalho dele e o resgatei para que ele me levasse ao aeroporto. Pegamos um mega engarrafamento, mas meu intrépido motorista-marido conseguiu chegar a tempo. De Salvador, conexão para BH e mais de  uma hora de espera pelo vôo que está atrasado.... Destino final de hoje: Campinas. Previsão de chegada: Só amanhã.....Quando minha folga terá terminado e uma semana cheinha de trabalho me aguardará.

É, hoje foi mais um dia de folga! Ufa! Cansei!

sábado, 2 de agosto de 2014

Nosso Caminho de Santiago. O casamento dos peregrinos.

Diário do Caminho - 30 de julho de 2014

Chegamos muito cansados ontem. Mas, depois de um bom banho ainda sobrou energia para visitar a cidade e pegar nossas Compostellanas (Certificado de conclusão da Peregrinação). Na Oficina dos Peregrinos, onde se pegam os certificados, descobrimos várias coisas muito interessantes:
  • O sobrenome do Vand  (Ern) não é Alemão e sim Holandês! Assim nos garantiu a atendente, que é da Holanda e tem certeza absoluta que os Ern também são!
  • O nome dele em latim é Ernest, que quer dizer "honesto".
  • O meu ficou Luciam e pelo que pesquisei, quer dizer "amada".
  • Por acaso este ano se comemoram 800 anos da peregrinação de São Francisco de Assis a Santiago. E em homenagem, o convento franciscano também entregou certificados comemorativos.
  • Descobrimos também que haveria uma oração pela Paz as 19h na Capela do convento dos franciscanos e combinamos de ir participar. Os franciscanos são muito simpáticos. Gosto da simplicidade deles. 

Olha o Honesto Holandês recebendo o seu certificado!


O casamento Peregrino

Dizem que o Caminho começa quando você decide fazê-lo. E também que quando você sai portão afora, tudo começa a fluir. Isso foi verdade para nós.

Alguns dias antes de viajar eu fiz uma oração. Atualmente eu não sigo uma religião definida, mas acredito em Deus e creio que ele ouve as preces das pessoas. Pedi a Deus que nos iluminasse, pois estávamos tomando uma decisão séria e definitiva. O casamento para nós significa um compromisso para toda a vida. Sinceramente desejamos ficar juntos até quando durar nosso tempo na terra e além, se isso for possível.

Pois bem. Naquela noite sonhei que alguém lia a Bíblia para mim. Eu não me lembrava do conteúdo, mas guardei bem a referência. Era o Evangelho de Mateus, capítulo 6. Ao acordar, fui correndo procurar uma bíblia para ler o que estava escrito. É a passagem em que Jesus ensina a oração do Pai Nosso. É também onde Jesus orienta a fazer o bem sem alarde e a não guardar tesouros na terra, mas sim no céu...

Guardei na memória esse trecho. Entendi que era uma orientação e que seu significado ficaria mais claro ao longo do caminho.

De fato, nessa peregrinação aprendi que é possível ser feliz vivendo de forma simples. Que ajudar os outros traz um grande prazer, mesmo que ninguém fique sabendo depois e que ser uma pessoa decente vale mais que ter muito dinheiro.

Enfim, voltando ao casamento....

Nós planejamos nos casar na missa dos peregrinos, na Catedral  de Santiago, ao meio-dia. Não tínhamos a menor ideia de como fazer isso. Obviamente que não combinamos nada com a igreja...

Um sonho meio doido, de dois aventureiros mais doidos ainda. Um casamento  sem recepção e  sem rapapés. Mas, teve igreja enfeitada, muitos convidados e até coral cantando!







O importante para nós era a simbologia do momento. Passamos 5 dias pedalando, em um ritual de autoconhecimento e de compreensão mútua. Tivemos que ajudar um ao outro, ter paciência, ter carinho e muita coragem. Fomos ajudados e incentivados por pessoas amigas, em todos os momentos em que precisamos. Exato como imagino que um casamento deva ser.

Agora, era o momento de selar nosso compromisso. Passamos pelas provações. Fomos aprovados. Fomos fortes na fé e alegres na esperança.

Assistimos a cerimônia em pé. A igreja estava lotada de peregrinos vindos de toda a parte do mundo. O sermão foi sobre o significado da peregrinação. O padre leu um trecho da Bíblia, que não me recordo mais. Porém, me lembro bem de outra citação que fez no final: Onde estiver seu tesouro, ali estará seu coração... Fiquei emocionada com a coincidência e entendi que foi o modo que Deus utilizou para nos dizer que nos abençoava.

Quando a missa terminou, um grupo de jovens começou a cantar. As pessoas foram saindo e surgiram vários lugares nos bancos próximos ao altar. Escolhemos um banco discreto na terceira fileira e fizemos nossos votos. Prometemos amor e paciência um com o outro. Companheirismo na saúde, na doença, na riqueza e na pobreza. Nós dois choramos. Foi muito bonito.

Colocamos nossas alianças e agradecemos juntos a Deus por aquele momento tão especial.


Nosso casamento foi lindo. Do jeito que a gente queria e abençoado por Deus. Sou realmente grata a Deus por ter nos acompanhado e ensinado tantas coisas. 

A noite, fomos a capelinha dos franciscanos rezar pela Paz. Foi tudo muito simples. Parecia uma reunião da Igreja primitiva. O padre pediu para algumas pessoas lerem uma mensagem em vários idiomas. Eu li em português. Uma húngara, uma francesa e uma americana leram em suas línguas.  A mensagem dizia algo assim: "Os peregrinos tem um segredo. Este segredo é que a estrada não termina aqui. Na verdade, é agora que começa o verdadeiro Caminho. A sua vida. Segue fazendo o bem. Quanto mais melhor. E lembre-se de que o Amor sustém a vida".

Depois, todos demos as mãos e pedimos a Deus por Paz. Oramos todos juntos a oração do Pai Nosso, cada um na sua língua, ao mesmo tempo. Foi lindo. O padre leu a oração de São Francisco de Assis. Todos se abraçaram desejando Paz. O padre cumprimentou cada um dos peregrinos e nos despediu em Paz. 

Cada um de nós ganhou uma pedrinha com uma setinha amarela, símbolo que nos acompanhou por toda a jornada. Ele disse que essa pedrinha simbolizava a nossa vida e que ela está agora em nossas mãos. 


Abençoados e em Paz, o Sr e a Sra Ern vão aproveitar o restante das férias por aí...

Sou peregrino, sou peregrino - vivo em caminho, vivo em caminho.

Bom Caminho! Ultreya!

Nosso Caminho de Santiago - Dia 5

Diário do Caminho. 29 de julho de 2014.

A nossa última noite no Caminho foi muito tranquila no albergue dos peregrinos.

Estamos no Albergue da Potela, em Barros, no caminho para Caldas de Rey. Um lugarejo metido dentro de um bosque de pinheiros. Uma sensação ee Paz invade a gente quando se passa por aqui.

Os que vão a pé acordam bem cedo. As 4:30 já se ouvia barulho de mochilas se abrindo. A despedida acontece na cozinha, onde um mapa estampado na parede ilustra as infinitas rotas que vão dar em Santiago. Uns comem banana, outros pão seco. Ninguém fala. São as regras do lugar. O respeito pelo descanso alheio é um valor por aqui.
Acordei cedo, pois estava ansiosa para por o pé na estrada. Porém, só saímos quando o dia amanheceu, pois não estamos equipados para pedalar a noite e além disso, faz muito frio nessa região. Resolvemos não comer nada no albergue para procurar uma padaria. Engolimos duas bolachas de amendoim secas que tínhamos na bagagem e nos jogamos na estrada.

O vento frio invadia os pulmões. Cheguei a pensar em por o casaco, mas o céu azul e o Sol que subia alegre pelo horizonte me convenceram de que não seria necessário. Estávamos já quase em Caldas de Rey quando finalmente achamos um lugar para comer. Era um albergue particular. Frutas, suco de laranja, torradinhas e café com leite. Um luxo só! O dono do albergue ainda insistiu para que levássemos frutas do seu quintal.

Enquanto comíamos, chegaram os simpáticos ciclistas portugueses em seus uniformes azuis. Eram quatro homens de meia idade e riso inteiro. Ainda não falei deles, não é mesmo? Eles saíram de Porto, como nós, mas só nos encontramos pela primeira vez em Tuy. Trocamos animados "Bom Caminhos". Passamos pedalando e eles descansando. Ficamos felizes de ver gente da nossa tribo.Desde o San do capacete rosa que não víamos ciclistas no Caminho.

Não muito tempo depois, numa daquelas subidas, lá vem os portugas passando por nós. Eu suspirei um "olá" sem fôlego. Eles nos disseram "força". E passaram por nós mais uma vez.

Não sabemos em que momento eles ficaram para trás, mas o certo é que chegamos no café primeiro que eles. Conversamos um pouco sobre as belezas do caminho e as pedras de Rubiães. Eles se admiraram por termos vindo do Brasil para fazer o Caminho. Ficamos brincando sobre quem chegaria primeiro em Santiago, enquanto devorávamos mais um café.

Terminamos antes e pusemos o pé na estrada, nos despedindo mais uma vez dos portugas. Bom Caminho par todos!

O trecho final é bem mais fácil que todos os anteriores. Não tem escaladas, nem trilhas de pedra. O cansaço acumulado é que se torna um adversário difícil. Para completar, ventava forte e contra o nosso deslocamento. Ainda há muitas ladeiras nesse pedaço, o que cansa ainda mais. Entre um trecho e outro de asfalto, passamos por bosques muito bonitos e trilhas de sobra e água fresca.

Mas, como tudo o que sobe, desce, olha lá eu de novo descendo ladeiras de cascalho.... Decidi que hoje ia descer tudo, então, comecei a repetir meu manto sagrado, tirei o bumbum do selim e mandei bala: "só existe um metro e meio a minha frente...só existe um metro e meio a minha frente...um metro e meio...não olha pra frente....mais um metro e meio...olha a curva.... opa, pedra solta...solta o freio, só um pouquinho....ufa! Acabou! Devo ter repetido esse ritual umas cem mil vezes! De metro e meio em metro e meio, vencemos 40km antes do almoço.

Chegamos a vila de Esclavitud. Hora do almoço e da siesta....
 

Depois de comer o pedal sempre fica mais pesado. A cabeça manda, mas o corpo não obedece. Já começava a duvidar que íamos conseguir chegar antes do anoitecer. Vencemos 40, mas ainda faltavam 23km.

Parando aqui e ali para tomar fôlego, seguimos viagem, decididos a chegar em Santiago em no máximo duas horas.

O Caminho colaborou conosco. As trilhas ficaram mais abertas, as ladeiras mais suaves e as descidas mais divertidas. Só o trecho urbano era complicado, porque a sinalização é escassa e o caminho confuso. Mesmo assim, era possível esbarrar em monumentos históricos quase engolidos pela modernidade, como a capelinha de Madalena que quase escapa da nossa vista:

Estamos chegando! A cada pilar qur marcava o caminho, um cantava a distância para o outro. Faltam 11km.... Faltam 7.... Faltam 3....

Os últimos 2km pareceram infinitos. Precisamos parar para tômar fôlego e lógico, para tirar fotos. Na última parada, o calor já derretia os cérebros e os ânimos. Todas as setas sumiram. Era hora de tomar um sorvete e reorientar  navegação. O alegre sorveteiro nos devolveu a esperança.... "La Catedral está mui cerca....Sigue por aquella calle y ya está. Resta sólo 1 km!!!!!

Foi o sorvete mais gostoso que já tomamos. Animados, subimos nas magrelas e percorremos nosso último quilômetro no Caminho de Santiago de Compostella!


Encontramos com muitos peregrinos chegando. Todos com caras de cansados, mas com uma alegria linda de se ver. Satisfação e felicidade. É por isso que a Capela fica no Monte do Gozo. Pois, é onde esquecemos de toda a dificuldade e concluímos que tudo valeu a pena.

Ao entrar na rua da Catedral, quem encontramos????? Os Portugas!!!! Foi uma alegria geral. Eles tinham acabado de chegar. Estavam muito felizes por termos conseguido. Iam passar mais um tempinho na cidade e logo voltar a sua terra. Foi a última vez que nos vimos. Que Deus proteja nossos amigos. São muito gente boa!

Quando entramos na praça da Catedral, deu vontade de invadir a igreja com bicicleta e tudo! Que alegria!!!!!
 

Contive minha ansiedade e consegui entrar educadamente para agradecer a Deus pelo Caminho e para ver a bela obra de arte que é a Catedral. Fiquei tão emocionada que esqueci de pegar o carimbo mais importante do percurso! Aquele que nos confere o título oficial de Peregrinos! Tive que deixar para depois do banho, porque agora foi hora de procurar abrigo e repousar bem direitinho.

Amanhã a gente vai casar em Santiago.......uhuuuuuuu!