terça-feira, 31 de julho de 2012

Quero morar em Bruxelas

Que povo simpático!

O vôo de Paris para Bruxelas atrasou mais de meia-hora porque a tripulação resolveu esperar cinco passageiros que estavam atrasados. Devem ser pessoas importantes. Sei lá... Tinha uma gente com cara de Príncipes das Astúrias na primeira classe. Whatever... O Comandante me deu um sorriso tão simpático quando fui reclamar, por receio de perder a conexão para Munique, que desisti da reclamação e do receio.

Todo mundo sorri para você em Bruxelas. E ainda tentam se comunicar com você. A moça do guichê respondeu ao meu francês chinfrim com um Português bastante razoável. Muito interessante!

Para completar, servem chocolates de graça no avião. Ainda por cima, tem lojas e lojas de chocolates por aqui... Já devoramos uma barra inteira e tem outra esperando para daqui a pouco. Estou com  vontade de comprar uma barra de cada tipo e marca... Mas, para o bem da minha silhueta achei melhor segurar a minha onda...

Acabei de achar um hotspot onde eu posso conectar o netbook e gerar energia para ele enquanto pedalo. Estava mesmo morrendo de vontade de pedalar. Minha tomada nem serve aqui, mas, e daí... Estou pedalando assim mesmo! Exercitando as pernas, salvando o planeta e conectada de graça.

O Brasil podia ser assim também.... Seria tão bom!


domingo, 29 de julho de 2012

Je me suis engagée à Paris!!

28 de julho de 2012

Pois é! Fiquei noiva em Paris!!


Às vezes nós nos impomos limites que não existem. Começamos a achar que sonhar é bobagem. Que romantismo é coisa de adolescente e que não temos mais idade para isso ou para aquilo. Pois é. Por um breve momento cheguei a me sentir assim.

Que nada!!! Sonhar é tão bom! E como dizia a Elis: Viver é melhor que sonhar! E quando a gente vive o suficiente para realizar os sonhos. É melhor ainda! Decidi abraçar o que a vida está me oferecendo alegremente sem pensar no que os outros vão dizer.

 As férias estavam planejadas e já tínhamos decidido noivar. Faltava escolher onde. Não era uma tarefa difícil, considerando que Paris estava no roteiro. Aliás, talvez seja difícil justamente por isso. Tem opções demais! Lugar bonito é que não falta nesta cidade!

Descobri a Pont L'Archêrverchè por acaso em uma revista. Não tinha muitas referências, mas logo decidi que seria lá. A ponte é conhecida pelos cadeados que os namorados prendem ali para celebrar sua união.   Consta que se deve jogar a chave no Rio, para que o cadeado nunca mais seja aberto.



Tudo que eu sabia é que era uma ponte que passava sobre o Sena, mas não tinha ideia de por onde começar.

Decidimos fazer alguns passeios pela manhã e procurar a Ponte no final do dia. Eu queria ficar noiva perto do pôr do Sol. Isso, aqui em Paris a essa época do ano, só acontece lá pelas dez da noite. Tínhamos todo o tempo do mundo!

O dia foi lindo. Fomos ao Chateau de Versailles e na Torre Eiffel. Já era tardezinha quando fomos em busca da Ponte. O engraçado é que ninguém sabia onde era a tal da ponte dos cadeados. A atendente de um guichê de informações teve que olhar no mapa!! Mesmo assim, ela indicou corretamente em qual estação tínhamos que saltar e daí ficamos novamente por nossa conta.

Com meu francês fraquinho fraquinho conseguimos chegar às margens do Sena. Agora, era só achar a ponte. Andamos, andamos sem achar nem sinal dela. Resolvemos então parar para perguntar a um vendedor de livros usados. Certamente ele saberia. Ele não tinha muita certeza da distância, mas nos indicou o caminho. Estávamos indo no sentido errado! Cheguei a ficar desanimada...

Voltamos tudo de novo até que ela apareceu na nossa frente!! Linda! Cheinha de cadeados coloridos! Era a nossa Ponte! Bem de frente para a Catedral de Notre Dame!! Vista lindíssima!


Agora era só achar uma alma bondosa para tirar as fotos, fazer o pedido e colocar as alianças!

Achamos uma senhora que estava só. Ela gentilmente aceitou tirar fotos da gente e logo ficamos cercados de curiosos. Vand, que tinha até ensaiado um pedido, ficou acanhado. Mas, conseguiu dizer o clássico "Aceita casar comigo?" ao que eu, obviamente respondi com um sorridente "SIM".

Depois de muitas fotos, sorrisos e abraços, nos declaramos oficialmente noivos e jogamos as chaves do cadeado no Sena. Para nunca mais serem encontradas. Combinamos de voltar à Ponte. Lá pelos nossos noventa anos. Procurar nosso cadeado e celebrar mais uma vez o Amor, a Vida e o Sonho!

Sejam felizes para Sempre e tenham todos um ótimo dia! 



domingo, 22 de julho de 2012

Diário de bordo

Viajar é preciso.

Novamente o frio na barriga, as mãos suando e a ansiedade que não me larga. Já fiz até chá de camomila.
Estou tão feliz que me sinto com cinco anos.
- Papai, podemos ir agora?
- Não, mocinha, você tem escola amanhã. E depois também. Depois ainda vem a quarta. Só então, será quinta-feira....

Para passar o tempo, imprimir roteiros, assisti filmes, desenferrujei o sotaque. Ah, e fiz planos. Muitos planos. Que gostoso fazer planos.

Reli alguns velhos textos da viagem passada. Meu Deus, como eu amo viajar!

Agora, vou tentar falar menos de mim e refletir um pouco sobre o que significa viajar, afterall.

Vivemos num mundo tão doido. Tão confuso. Cheio de gente estranha, gente boa e gente má. Quanto mais se viaja, mais gente estranha a gente conhece. Daí, nenhuma estranheza é estranha o suficiente. Começamos a aceitar as diferenças e a criticar menos nossos semelhantes.

Os horizontes se abrem e conseguimos discernir melhor as coisas. Conhecemos lugares novos e formas diferentes de se viver. Por outro lado, conseguimos compreender melhor os defeitos do nosso país. Essa é a parte que incomoda um pouco.

Às vezes é difícil se acostumar com a desorganização do nosso país, depois de se experimentar uma civilização mais adiantada. Por que as pessoas não ficam do lado direito da escada rolante? É tão bonitinho! Por que jogam papel no chão? Porque todo mundo já fica se acotovelando em pé, na porta do avião, antes mesmo do sinal de desatar os cintos?

Outra coisa que fazemos mal no Brasil - Preservamos pouco a nossa história. Não temos muito cuidado com nosso passado. Aliás, temos pouco cuidado com quase tudo. Talvez essa consciência nos ajude a melhorar. Talvez.

Por outro lado, nosso povo é mais alegre. Mais caloroso. Já vi muitas vezes pessoas jovens tentando ajudar estrangeiros perdidos. Aproveitando, é claro, para exercitar o inglês que aprenderam no cursinho.

Não espere isso quando viajar. Não adianta pedir ajuda em Paris. Ninguém te dá a mínima bola. Se falar em inglês então..... Aqui, ainda tentamos ajudar mesmo que seja com mímica.

Já tive muita vontade de morar fora do Brasil. Ainda tenho, devo confessar. Mas, a vontade está menor. A cada dia me convenço de que gente é gente em todo lugar. Já que é assim, melhor ficar em nossa casa, onde ao menos, somos "da família". Ser estrangeiro na casa dos outros é muito complicado. É como morar de favor na casa de amigos. Sempre seremos "de fora".

Enquanto a experiência não rola, vou ficando por aqui. No Brasil, que a trancos e barrancos sobe na escala social do mundo. Onde hoje todo mundo tem acesso a internet, ao celular e a viagem de avião. Acho muito legal isso! Ver a manicure atendendo a um smartfone de último modelo. Observar idosos aposentados na fila da imigração, fazendo sua primeira viagem para fora do país. É real. Estamos crescendo como nação! E isso é de dar orgulho.

Ainda tem muita miséria, é verdade. Ainda precisamos andar agarradas às nossas bolsas, para que não sejam roubadas. Ainda há golpistas e pessoas de má fé. Mas, acredito em um futuro de gente honesta e trabalhadora. Acredito que as pessoas de bem hão de se reproduzir.

Recentemente tive a oportunidade de conviver com jovens estudantes de engenharia. Todos muito educados e gentis. Eles vão ajudar o Brasil a crescer. Eles são nossa esperança.

Ah, sim. Estou Pollyana. E daí? É sempre muito melhor enxergar o lado bom das coisas. Por que ele existe. Se nos apegarmos a ele e lhe dermos forças, quem sabe não se propaga?

Boa viagem para todos!

Seja para lá longe, seja para aqui pertinho. Seja para o exterior, seja para aquela cidadezinha do interior.
Viajar é preciso.