sábado, 4 de dezembro de 2010

Adriana Calcanhoto, o avião o inverno e o silêncio

'No dia em que fui mais feliz, vi um avião. Se espelhar no seu olhar até sumir. De lá pra cá, não sei. Caminho ao longo do canal. Faço longas cartas pra ninguém e o inverno no Leblon é quase glacial. Algo que jamais se esclareceu. Onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo, o leão que sempre cavalguei. Lá mesmo esqueci que o destino, sempre me quis só...'

Gosto muito dessa música da Adriana. A sensação de escrever longas cartas pra ninguém me é bastante familiar. A história do leão realmente nunca se esclareceu. Como pode uma pessoa matar um leão por dia e não conseguir domar seus próprios sentimentos? Não tem cabimento. Mesmo!

Escrever é uma terapia. A gente põe tudo no papel. Depois fica olhando para as letras. É possível assim ver a dor em perspectiva. Só isso já é suficiente para começar a curar as feridas.

Feridas? Como diz minha sábia mãe, dor mesmo é passar fome. O resto é relativo. O resto se ajeita. Fagner já disse: Deixemos de coisa e cuidemos da vida! Antes que chegue a morte ou coisa parecida... E a coisa parecida pode ser pior que a morte. Nada mais fúnebre que morrer em vida.

Embora não seja propriamente dor, já que tem comida na geladeira, o que sinto dói. É preciso admitir. A decepção enfraquece os ossos, baixa os olhos, apaga o sorriso. Vai passar. Como tudo na vida. Nada dura para sempre. Nem a felicidade. Nem a dor.

Agora, vou fazer um chá. É o que faço quando não há o que fazer. Tomo um chá. Respiro fundo e toco a vida. Vocês estão servidos?

8 comentários:

  1. Bem assim. Dessas belezas melancólicas.
    Também gosto de capuccinos ao fim da tarde. Pena que meu naturopata falou para eu evitar o leite!

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    1. Obrigada, Kin! Ah, e não leve seu naturopata tão a sério... Se formos seguir todos esses conselhos, não bebemos, não comemos, nem vivemos!! Beijos

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  2. Muito bom o texto...q coisa gostosa...amo as músicas de adriana...letras leved q nos fazem levitar.
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  3. Adoro essa música!!! A letra, a melodia, a voz, tudo. Muito bacana seu comentário também!! Como diz o famoso professor Karnal, sobre a obra Hamlet de Shakespeare, "inventamos dores paralelas para esconder uma dor maior", a da angústia a respeito da vida e da morte. Mas já que as inventamos às vezes... que pelo menos sejam belas, como está canção, não é mesmo?!

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    1. Com certeza, Marcelo. Poetizar a dor. Torná-la bela. Então, admirá-la e aprender com ela.
      Obrigada pela leitura e pelo comentário.

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  4. Amei... É possível sentir cada pedaço das suas palavras, senti com alma! ♡

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  5. Poetizar a dor não seria também um eufemismo? Já que qualquer tipo de amor vale a pena...porém AS dores atormentam a alma!

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